George Anthony Devolder Santos (Queens, 22 de julho de 1988) é um político e criminoso americano do estado de Nova York. Foi membro do Partido Republicano, tendo sido eleito representante na Câmara dos Representantes pelo 3º distrito congressional de Nova York nas eleições legislativas de 2022, permanecendo de cargo de congressista por menos de doze meses, após ter sido expulso pelos seus colegas em votação no plenário no mesmo ano que tomou posse.
Após sua vitória eleitoral e no decorrer dos quase doze meses que ocupou seu cargo no Congresso, diversas alegações em seu currículo foram contestadas pelo jornal The New York Times. Sete semanas depois de eleito, Santos admitiu ter mentido sobre seu histórico educacional e profissional. Ele também admitiu falsidades em relação à propriedade de certos bens. Depois de originalmente alegar ter "crenças de origem judaica", ele voltou atrás e afirmou não ter ascendência judia ou praticar a religião.
Dois indiciamentos federais em 2023 alegaram vinte e três acusações relacionadas a fraude contra Santos, das quais ele se declarou inocente. Ele rejeitou apelos para renunciar e sobreviveu a uma votação de expulsão. Depois que o Comitê de Ética da Câmara divulgou um relatório em novembro implicando Santos em fraude, ele anunciou que não concorreria à reeleição em 2024. Santos foi expulso da Câmara dos Representantes em 1º de dezembro de 2023. Em agosto de 2024, Santos se declarou culpado de roubo de identidade e fraude eletrônica. Em 25 de abril de 2025, foi condenado a 87 meses de prisão, começando a servir sua pena em julho do mesmo ano. Em outubro de 2025, o presidente Donald Trump comutou a sentença de Santos, tornando-o elegível para libertação imediata.
Santos nasceu em 22 de julho de 1988, filho de Fatima Aziza Caruso Horta Devolder e Gercino Antonio dos Santos Jr., ambos nascidos no Brasil. Ele alegou ter dupla cidadania. O bisavô materno de Santos nasceu na Bélgica e imigrou para o Brasil em 1884.
Santos afirmou que seus avós maternos eram judeus ucranianos que fugiram para a Bélgica e depois para o Brasil para escapar do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, mas registros genealógicos e outras evidências mostram que os ancestrais de Santos viveram no Brasil pelo menos três gerações antes e que não há nada que indique que eles tenham qualquer conexão com a Ucrânia, tenham alguma herança judaica ou sejam sobreviventes do Holocausto. Versões arquivadas de seu site de campanha no início de 2022 diziam que seus avós fugiram da Europa durante a guerra e os descreviam como belgas. Santos também chegou a afirmar que seu pai tinha raízes angolanas. Em novembro de 2022, Santos disse ao Jewish Insider: "as crenças de origem judaica da minha mãe ... são minhas". Em dezembro de 2022, Santos disse ao New York Post: "Nunca afirmei ser judeu ... sou católico. Como soube que minha família materna tinha origem judaica, disse que era 'quase judeu'" (ele tinha falado que era "jewish", que quer dizer "judeu", na entrevista original, mas depois afirmou ter falado "Jew-ish", que em tradução livre significa 'meio que judeu' ou 'mais ou menos judeu').
Em seu site de campanha, Santos escreveu que sua mãe foi "a primeira mulher executiva em uma grande instituição financeira" e que trabalhou na Torre Sul do World Trade Center e sobreviveu aos ataques de 11 de setembro de 2001. A ocupação real de sua mãe foi descrita como trabalhadora doméstica ou enfermeira de atendimento domiciliar. Santos descreveu sua família como proprietários de negócios ricos e bem-sucedidos, mas um padre católico relatou que Santos havia dito a ele que sua família não poderia pagar um funeral quando sua mãe morreu em 2016. O padre lembrou que uma arrecadação em uma missa fúnebre arrecadou um valor "significativo" para a família, que ele entregou a Santos.
Depois de obter um diploma de equivalência ao ensino médio, Santos aparentemente passou um tempo no Brasil. Em 2008, ele (então com 19 anos) roubou um talão de cheques de um homem que estava sob os cuidados de sua mãe e preencheu cheques fraudulentos. Ele confessou e foi acusado de fraude, mas não respondeu à intimação judicial; autoridades brasileiras disseram ao The New York Times que o caso continua sem solução. Em sua entrevista para o New York Post, Santos negou isso. "Não sou um criminoso aqui — nem aqui [nos Estados Unidos], nem no Brasil, nem em qualquer jurisdição do mundo", disse ele. "Absolutamente não. Isso não aconteceu". O Times observou que tinha registros documentais das acusações.
Diz ter iniciado sua carreira como associado do Citigroup e também trabalhado para o Goldman Sachs, mas ambas negam passagens de Santos como funcionário. Além disso, afirma ter trabalhado para MetGlobal e LinkBridge Investors.
Santos afirmou ter um bacharelado em finanças e economia do Baruch College, mas a faculdade não tem registro disso, e o período que Santos disse que esteve em Baruch coincidiu com seu tempo no Brasil. Ele ainda alegou que obteve um MBA pela Universidade de Nova Iorque, mas a NYU disse que não tinha registro dele ter estudado lá. Em dezembro de 2022, Santos disse ao New York Post: "Não me formei em nenhuma instituição de ensino superior. Estou envergonhado e arrependido por ter embelezado meu currículo ... Fazemos coisas estúpidas na vida".
Santos concorreu à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 3º distrito de Nova Iorque contra Thomas Suozzi nas eleições de 2020. Ele perdeu para Suozzi, 56% a 44%. Concorreu novamente nas eleições de 2022, enfrentando o democrata Robert Zimmerman em 8 de novembro de 2022. Santos derrotou Zimmerman em uma virada. Ele foi o primeiro republicano assumidamente homossexual eleito para o Congresso.
Em 19 de dezembro de 2022, depois que Santos venceu a eleição de 2022, mas antes de assumir o cargo em janeiro de 2023, o jornal The New York Times publicou um artigo relatando que ele aparentemente havia deturpado muitos aspectos de sua vida e carreira, incluindo sua educação e histórico profissional. Um advogado de Santos disse que o relatório era uma "campanha difamatória", mas não abordou o seu conteúdo. Santos não apresentou nenhum documento que comprove suas afirmações, apesar de vários pedidos do Times para fazê-lo. Outras organizações de notícias confirmaram a reportagem do Times.
Santos foi designado para os comitês de pequenos negócios e ciência, espaço e tecnologia na Câmara dos Representantes. Em 31 de janeiro de 2023, ele anunciou em uma reunião dos republicanos da Câmara que estava desocupando sua participação nos comitês, mas disse que a mudança era temporária.
No dia 16 de novembro, o Comitê de Ética da Câmara dos Representantes divulgou o relatório da sua Subcomissão Investigativa acusando Santos de fraudes semelhantes às pelas quais já havia sido acusado criminalmente, como o desvio de fundos de campanha para uso pessoal, bem como dinheiro arrecadado para estratégias RedStone que os doadores foram informados que seriam usados em campanhas. O subcomitê listou alguns desses propósitos pessoais, incluindo US$ 4,000 dólares gastos na loja de design de luxo francesa Hermés, cirurgias plásticas e Botox, pagamentos de contas de cartão de crédito pessoal e outras dívidas, viajando para Atlantic City e Las Vegas que não tinha propósito de campanha e uma pequena quantia em assinaturas do OnlyFans. Em um comunicado à imprensa que acompanha o relatório, o comitê disse: Posteriormente, Santos anunciou que não concorreria à reeleição em 2024, embora permanecesse no Congresso pelo resto do mandato. Ele chamou o relatório de "uma difamação politizada nojenta que mostra o quão baixo nosso governo federal afundou".
Em 1 de dezembro de 2023, Santos foi submetido a mais uma votação no plenário da Câmara sobre sua permanência como congressista. No final, cerca de 311 congressistas (incluindo cerca de 105 republicanos) votaram por expulsa-lo, com ele sendo apenas o quinto político a ser expulso na Câmara. Segundo o Comitê de Ética da Casa, entre as acusações contra Santos estavam o fato dele alegadamente ter gasto dinheiro de doações de campanha em aplicações de botox e numa subscrição no site OnlyFans, além de fraude com cartões de crédito de doadores de campanha, mentir a Comissão Eleitoral, e ainda receber seguro-desemprego indevidamente. Em 13 de fevereiro de 2024, numa eleição especial, o democrata Tom Suozzi recuperou seu assento e passou a representar o 3º Distrito de Nova Iorque no Congresso.