Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire (7 de junho de 1757 – 30 de março de 1806) foi uma nobre britânica, ícone da moda, autora e ativista. Georgiana fazia parte da família Spencer e, através do seu casamento com William Cavendish, o 5.º Duque de Devonshire, passou a integrar a família Cavendish.
Como duquesa de Devonshire, Georgiana conseguiu bastante atenção e fama na sociedade. Com uma posição proeminente no Pariato da Inglaterra, a duquesa ficou famosa devido ao seu carisma, à sua influência política, à sua beleza, ao seu casamento pouco convencional, aos seus casos amorosos, às suas festas e à sua paixão pelos jogos de azar.
Ela é uma parente distante da princesa Diana.
Georgiana Spencer era a filha mais velha de John Spencer, 1º Conde Spencer, um bisneto de John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, e de sua esposa, Margaret Georgiana Poyntz. Nasceu em Althorp, a residência da família Spencer. Após o nascimento da sua filha, a sua mãe escreveu: "Admito que tenho um carinho tão especial pela minha pequena Gee, que me parece que nunca amarei tanto outra pessoa".
Georgiana teve dois irmãos mais novos: Henrietta e George (a filha da sua irmã Henrietta, Lady Carolina Lamb, tornou-se escritora e amante de Lord Byron). O pai de Georgiana, John Churchill, vinha de uma família nobre e rica. Ele mandou construir uma residência para a sua família em St. James, Londres e foi aí que criou os seus filhos. O senhor e a senhora Spencer tiveram o que era considerado um casamento unusualmente feliz e afetuoso para a época. Georgiana desenvolveu uma relação muito próxima com a sua mãe e dizia-se que ela era a sua filha preferida.
Quando o pai de Georgiana assumiu o título de visconde Spencer em 1761, ela ganhou a forma de tratamento: A Honorável Georgiana Spencer. Em 1765, o seu pai tornou-se conde e ela passou a ser conhecida como Lady Georgiana Spencer.
Em 5 de junho de 1774, Georgiana, no seu 17.º aniversário, desposou William Cavendish, 5.º Duque de Devonshire, o homem mais desejado da sociedade inglesa, nove anos mais velho que ela. O casamento realizou-se na igreja Wimbledon Parish. Foi uma pequena cerimónia onde apenas estiveram presentes os pais, avó materna e futuros cunhados de Georgiana. Os seus pais estiveram relutantes em deixá-la ir, e embora ela estivesse agora casada com um dos homens mais ricos e poderosos do país, ainda assim tentavam exercer sua influência parental sobre ela e mantê-la emocionalmente dependente deles. O seu pai, que sempre fora muito afetuoso com os filhos, escreveu-lhe uma carta pouco depois da cerimónia: "Minha querida Georgiana, só recentemente me apercebi do quanto te adoro; sinto cada vez mais a tua falta, a cada dia e a cada hora". Georgiana escreveu regularmente à sua mãe durante toda a sua vida e muitas das cartas chegaram aos dias de hoje.
Para a nobreza inglesa, o matrimônio era brilhante, mas foi infeliz. Ambos tinham temperamentos diferentes e não combinavam. Desde o início do casamento o Duque de Devonshire demonstrou ser um homem emocionalmente reservado e muito diferente do pai da duquesa. O casal pouco tinha em comum. O duque raramente fazia companhia à esposa, preferindo passar as suas noites a jogar às cartas. O duque teve casos extra-conjugais durante todo o casamento e a incapacidade temporária de Georgiana de gerar filhos também foi outro problema, pois esposas aristocratas eram valorizadas tanto por sua fertilidade como por seus dotes e conexões. A Duquesa de Devonshire deu à luz duas filhas, antes do nascimento do muito esperado herdeiro e único filho, William, que morreu sem deixar filhos.
Antes do seu casamento com Georgiana, o duque teve uma filha ilegítima, Charlotte Williams, fruto de um caso com a ex-modista Charlotte Spencer. A duquesa desconhecia a existência desta filha até vários anos após o seu casamento com o duque. Após a morte da mãe da criança o duque escolheu responsabilizar-se por ela, e Georgiana foi solicitada a criá-la. A duquesa ficou "muito satisfeita" por ficar com Charlotte a seu cargo, mas a sua mãe, a Condessa Spencer, não gostou do arranjo: "Espero que não tenhas falado a alguém sobre ela". A encantada duquesa respondeu: "Ela é a coisinha mais bem-humorada que já se viu".
Em 1782, quando se encontrava afastada de Londres com o duque, Georgiana conheceu Lady Elizabeth Foster (conhecida por "Bess") na cidade de Bath. Lady Elizabeth tornara-se destituída depois de se separar do seu marido e dos dois filhos e acabou por se tornar numa amiga próxima de Georgiana. A situação precária de Elizabeth levou a que Georgiana a convidasse a ir viver na sua casa. O marido de Georgiana e Elizabeth acabaram por ter um caso e criou-se um ménage à trois, e foi arranjado que a estadia de Elizabeth com eles fosse permanente. Apesar de ser comum que membros masculinos da nobreza tivessem amantes, não era tão comum, ou aceitável, que uma amante vivesse de forma tão aberta com um casal. Além disso, a duquesa tornara-se emocionalmente dependente de Lady Elizabeth e considerava-a a sua melhor amiga. Sem mais alternativas, Georgiana tolerou o caso.
Lady Elizabeth Foster acabou por ter dois filhos com o duque: Caroline Rosalie St Jules e Augustus Clifford e, três anos após a morte de Georgiana, casou-se com ele e tornou-se ela própria Duquesa de Devonshire.
Apesar da sua infelicidade com o seu marido desligado e mulherengo e do seu casamento frágil, a duquesa, como era o costume na época, não podia, de acordo com as regras da sociedade, ter um amante sem primeiro dar um herdeiro ao marido. Da sua primeira gravidez que chegou a termo, nasceu uma menina, Lady Georgiana Dorothy Cavendish, em 12 de julho de 1783. Chamada de "Little G", ela viria a se tornar a condessa de Carlisle e teria a sua própria descendência. A duquesa desenvolveu um forte instinto maternal desde que começara a criar Charlotte e fez questão de amamentar os seus filhos em vez de procurar uma ama de leite, como era costume entre a aristocracia da época. Em 29 de agosto de 1785, nasceu a sua segunda filha, Lady Harriet Elizabeth Cavendish, que recebeu a alcunha de "Harryo", que viria a se tornar a condessa Granville e teria seus próprios filhos. Finalmente, em 21 de maio de 1790, a duquesa deu à luz um herdeiro homem do ducado: William George Spencer Cavendish, que recebeu o título de marquês de Hartington assim que nasceu e tinha a alcunha de "Hart". William nunca se casou e ficou conhecido como "o duque solteirão". Com o nascimento de William, já era permitido que a duquesa tivesse um amante. Apesar de não existirem provas da data em que a duquesa começou o seu caso com Charles Grey (mais tarde, Conde Grey), ela engravidou dele em 1791. Em consequência desta gravidez, a duquesa foi enviada para França e esta acreditava que ia morrer a dar à luz. Foi com esse espírito que escreveu uma carta ao seu filho recém-nascido que começava da seguinte forma: "Assim que tiveres idade suficiente para compreender esta carta, ela ser-te-á entregue. Ela contém o único presente que te posso dar: a minha bênção, escrita com o meu sangue. Bem, morri antes que me pudesses conhecer, mas amei-te. Amamentei-te durante nove meses. Gosto muito de ti". Em 20 de fevereiro de 1792, Eliza Courtney nasceu sem complicações e a duquesa foi forçada a entregar a filha ilegítima à família de Grey. Mais tarde, a duquesa teve permissão para visitar muitas vezes a filha, fornecendo presentes e afeição a ela. As duas acabaram por criar uma boa relação e Eliza deu o nome de Georgiana a uma das suas filhas.
Enquanto esteve exilada na França, no início da década de 1790, a duquesa de Devonshire esteve praticamente isolada e ficou afetada com a sua separação dos filhos. Ela escreveu à sua filha mais velha: "A tua carta de 1 de novembro foi uma delícia para mim, mas deixou-me melancólica, minha querida filha. Este ano foi o mais doloroso da minha vida... quando regressar para teu lado - e espero nunca mais ter de te deixar - será demasiada felicidade para mim, minha querida, querida Georgiana e ela será paga com muitos dias de saudades - na verdade, cada hora que passo sem ti faz-me ter saudades tuas; se alguma coisa me diverte ou se vejo algo que admire durante muito tempo, tenho vontade de partilhar essa felicidade contigo. Se, por outro lado, estou sem energia, desejo a tua presença, que só por si bastaria para me fazer bem". Para que pudesse regressar à Inglaterra e aos seus filhos, a duquesa teve de aceitar as exigências hipócritas do seu marido e separar-se de Charles Grey. Os registos do tempo que passou em França foram apagados dos registos da família. Porém, durante essa época, os filhos do duque e da duquesa em algum momento foram informados do motivo da sua ausência.