Germânico Júlio César (em latim: Germanicus Julius Caesar; 24 de maio de 15 a.C. – 10 de outubro de 19) foi um importante membro da dinastia júlio-claudiana e um dos mais importantes generais dos primeiros anos do Império Romano, especialmente por suas campanhas na Germânia. Filho de Nero Cláudio Druso e Antônia Menor, Germânico nasceu num proeminente ramo da antiga gente patrícia Cláudia. Seu agnome "Germânico" foi acrescentado ao seu nome completo em 9 a.C. depois de ele ter sido concedido ao seu pai por suas vitórias na Germânia. Em 4, Germânico foi adotado por seu tio paterno, Tibério, o sucessor de Augusto como imperador uma década depois. Por causa disto, Germânico passou a fazer parte da gente Júlia, outra importante família da época da qual ele já era parente pelo lado de sua mãe. Sua ligação aos Júlios foi consolidada através de seu casamento com Agripina, a Velha, neta de Augusto.
Durante o reinado de Augusto, Germânico teve uma carreira política acelerada por sua condição de herdeiro imperial, assumindo o posto de questor cinco anos antes da idade legal em 7. Ele permaneceu na função em 11 e foi eleito cônsul pela primeira vez em 12. No ano seguinte, Germânico foi nomeado procônsul da Germânia Inferior, Germânia Superior e de toda a Gália. Lá, comandou oito legiões, cerca de um terço de todo o exército romano, que ele liderou em campanhas contra as tribos germânicas entre 14 e 16 em retaliação à humilhante derrota romana na Batalha da Floresta de Teutoburgo em 9. Vitorioso, Germânico recuperou duas das três águias legionárias perdidas na batalha. Em 17, retornou a Roma, onde celebrou um triunfo antes de partir para reorganizar as províncias da Ásia Menor, onde foi o responsável por incorporar as províncias da Capadócia e Comagena no ano seguinte.
Ainda nas províncias orientais, Germânico entrou em conflito com o governador romano da Síria, Cneu Calpúrnio Pisão. Durante a disputa, ficou doente enquanto estava em Antioquia e morreu em 10 de outubro de 19, com apenas 33 anos de idade. Sua morte foi atribuída a um envenenamento pelas fontes antigas, mas o fato jamais foi provado. Como um general famoso, Germânico era muito popular e considerado um herdeiro ideal para o Império quando morreu. Para o povo romano, Germânico era o equivalente romano de Alexandre, o Grande, especialmente por sua morte no auge de sua juventude, seu caráter virtuoso, seu temperamento encantador e sua habilidade militar.
Seu prenome é desconhecido, mas é provável que seu nome tenha sido Nero Cláudio Druso (em latim: Nero Claudius Drusus), como seu pai, ou Tibério Cláudio Nero (em latim: Tiberius Claudius Nero), como seu tio. Em 9 a.C., o agnome Germânico foi acrescentado ao seu nome completo depois de ter sido concedido postumamente a seu pai por suas vitórias na Germânia. Apesar de seus irmãos também terem herdado o nome, aparentemente o título só foi, a princípio, utilizado por Germânico. Em algum momento antes de 4 d.C., foi adotado por seu tio Tibério como filho e herdeiro, passando a fazer parte da prestigiosa gente Júlia. De acordo com a convenção romana de nomenclatura, adotou o nome "Júlio César" e manteve seu agnome, tornando-se "Germânico Júlio César". Depois de sua adoção, Cláudio, seu irmão biológico, tornou-se o único representante legal de seu pai e escolheu assumir também o agnome Germânico.
Germânico nasceu em Roma em 24 de maio em 15 a.C.. Seu pai era o general Nero Cláudio Druso (conhecido como "Druso, o Velho"), filho de Lívia com seu primeiro marido, Tibério Cláudio Nero, e irmão biológico de Tibério. Sua mãe era Antônia Menor, a mais jovem das filhas do triúnviro Marco Antônio com a irmã de Augusto, Otávia Menor. Germânico era irmão biológico mais velho de Lívila e de Cláudio. Na época do seu nascimento, Lívia era a terceira esposa do imperador Augusto.
Como membro da dinastia júlio-claudiana, Germânico era parente próximo de todos os cinco imperadores da dinastia. Pelo lado de sua mãe, era sobrinho neto de Augusto e sobrinho de Tibério (os dois primeiros respectivamente). Seu filho Caio (mais conhecido como Calígula) sucederia Tibério como terceiro imperador. Depois, o trono passou para o irmão mais novo de Germânico, Cláudio. Finalmente, o sucessor deste foi Nero, o último imperador da dinastia e filho de Agripina, a Jovem, filha de Germânico.
Germânico era um favorito de seu tio-avô Augusto, que, por um tempo, o considerou como herdeiro do Império. Em 4, convencido por Lívia, Augusto decidiu em favor de Tibério, tio de Germânico, como sucessor. Mas, como condição para a adoção de Tibério, este teria que adotar Germânico como seu próprio filho e nomeá-lo herdeiro. Como corolário desta adoção, Germânico se casou com sua prima de segundo grau pelo lado de sua mãe, Agripina, uma neta de Augusto, provavelmente no ano seguinte.
Com Agripina, Germânico teve nove filhos: Nero Júlio César, Druso César, Tibério Júlio César, uma criança de nome desconhecido (geralmente chamada de ignotus), Caio, o Velho, Caio, o Jovem (Calígula), Agripina, Júlia Drusila e Júlia Lívila. Destes, apenas seis chegaram à vida adulta. Tibério e ignotus morreram ainda bebês e Caio, o Velho, na infância.
Germânico recebeu o título de questor em 7, cinco anos antes da idade legal de 25, e no mesmo ano foi enviado para ajudar Tibério na guerra contra panônios e dálmatas. Segundo Dião Cássio, Augusto enviou Germânico a Ilírico por cauda da aparente falta de ação por parte de Tibério, o que fez com que Augusto suspeitasse de que ele estaria atrasando a campanha para permanecer no controle das legiões pelo maior tempo possível sob o pretexto de estar conduzindo a guerra. Germânico levou consigo um exército de cidadãos alistados e escravos libertados comprados de seus antigos mestres para reforçar o exército de Tibério estacionado em Siscia, sua base de operações. No final do outono e início do inverno, novos reforços chegaram em Siscia vindos da Mésia e do oriente: três legiões da Mésia lideradas por Aulo Cecina Severo e duas da Anatólia sob o comando de Marco Pláucio Silvano mais uma cavalaria trácia e forças auxiliares. Se por um lado este movimento de tropas indicava que Augusto estava levando a ameaça da revolta a sério, por outro Tibério acabou tendo que enviar de volta algumas unidades, pois dispunha de mais forças do que acreditava precisar.
Não muito depois da chegada de Germânico à Panônia, Severo foi atacado na Mésia, mas conseguiu repelir os rebeldes. Quando Germânico chegou, os rebeldes já haviam recuado para suas fortalezas nas montanhas, a partir de onde lançavam raides regularmente. Os romanos estavam pouco preparados taticamente para enfrentar esses ataques rápidos e, por isso, Tibério preferiu utilizar suas forças auxiliares e dividiu seu exército em unidades menores para ocupar mais território. Tibério parece ter conduzido então uma guerra de atrito contra os rebeldes, entocados em suas fortes posições defensivas. Além disto, os romanos começaram a expulsar os rebeldes das regiões baixas e ofereceram o perdão para todas as tribos que abandonassem suas armas; todo o território foi destruído numa política de terra arrasada que Tibério acreditava ser suficiente para subjugar o inimigo pela fome. Apesar de a maioria destes destacamentos menores não ter enfrentado nenhuma batalha neste estágio da guerra, Germânico derrotou os mazaei, uma das muitas tribos dálmatas.
Em 8 começou o colapso das posições rebeldes na Panônia. Um comandante rebelde, Bato, o Breuco, entregou o líder dos breucos, Pines, aos romanos e rendeu seu povo em troca de anistia. Ele foi deixado a cargo de seu povo e de outros panônios que também haviam se rendido. Esta rendição foi importante para o desenrolar da guerra por causa do grande número de guerreiros e recursos dos breucos, que ofereceram oito coortes aos romanos até o final da guerra. Bato, o Breuco, acabou derrotado em combate mais tarde e foi executado por seu antigo aliado, Bato, o Desitiata. Como resultado da entrega de Pines e da morte de Bato, os panônios se viram divididos e os romanos aproveitaram para atacar, conquistando os breucos sem a necessidade de uma batalha. Bato, o Desitiate, teve que deixar a Panônia e seguiu para a Dalmácia, onde passou a ocupar as montanhas da Bósnia, de onde passou a realizar contra-ataques, provavelmente contra tribos locais aliadas dos romanos. No final daquele, Tibério deixou Marco Emílio Lépido no comando em Siscia e Silvano em Sírmio.