Gheorghe Hagi (Săcele, 5 de fevereiro de 1965) é um treinador e ex-futebolista romeno que atuava como meio-campista. Atualmente comanda o Farul Constanţa.
Considerado o maior jogador da história da Romênia, teve passagem marcantes por clubes como Steaua Bucareste e Galatasaray. Já pela Seleção Romena, disputou 125 partidas e marcou 35 gols, dividindo o topo da artilharia com Adrian Mutu. Sua grande habilidade em dribles com a perna esquerda e seu espírito de liderança lhe renderam o apelido de "Maradona dos Cárpatos", em referência ao craque argentino e à região onde situa-se a Romênia.
É pai do também futebolista Ianis Hagi.
Hagi desde cedo demonstrava talento com a bola, sendo levado com quinze anos ao Luceafărul Bucareste, escola para pessoas de talento excepcional. Entretanto, as precárias condições do lugar fizeram com que ele voltasse às divisões de base do Farul Constanţa, onde começara.
Debutou no time principal em 1982 e, um ano depois, já estava em um clube da capital, o Sportul Studenţesc. Devido a problemas pulmonares e cardíacos, tinha de assinar termos em que se responsabilizava por eventuais males que sofresse em campo.
No Sportul, sua liderança e a facilidade em chutar com força ou precisão logo lhe levaram à Seleção Romena. Com isso, passou a ser assediado pelos dois principais clubes da capital e do país, o Steaua Bucareste e o Dínamo Bucareste, principalmente após levar o Sportul a um vice-campeonato romeno na temporada 1985–86, em que foi artilheiro — já havia sido também na anterior.
Ao fim daquela temporada, o Steaua surpreendentemente levara pela primeira vez à Romênia e ao Leste Europeu o título na Copa dos Campeões da UEFA. Ainda assim, Hagi iniciou 1986–87 ainda no Sportul, transferindo-se finalmente para o Steaua no decorrer dela.
Hagi chegou ao Steaua (estrela, em romeno) já após o Mundial Interclubes (perdido para o River Plate), no início de 1987, a tempo de disputar em fevereiro Supercopa Europeia válida do ano anterior. O troféu consiste em um tirateima entre os vencedores dos dois principais torneios interclubes europeus: o principal (Copa dos Campeões, que deu origem à atual Liga dos Campeões da UEFA) e o secundário (na época a extinta Recopa Europeia, hoje substituída pela Liga Europa da UEFA).
Na ocasião, a Supercopa foi decidida contra o Dínamo de Kiev, base do bom elenco da Seleção Soviética na época. Hagi logo mostrou ao que veio, marcando o único gol da partida. Em seu primeiro ano no time do exército, foi campeão romeno invicto, o que se repetiu nas duas temporadas seguintes, mesmo com um racha no elenco — o artilheiro do time, o veterano Victor Piţurcă, não davam-se bem: disputavam a liderança entre os jogadores (que era exclusiva de Piţurcă até o garoto chegar) e até as artilharias do campeonato romeno.
Hagi poderia ter saído do Steaua já após a segunda temporada, em 1988, quando recebeu oferta da Juventus, ansiosa por um substituto do recém-aposentado ídolo Michel Platini. A equipe italiana, em troca, financiaria a construção de um hospital. O negócio foi considerado "muito capitalista" e acabou negado. Além do terceiro título invicto seguido no campeonato e também de uma Copa da Romênia, a temporada 1988–89 viu o Steaua voltar à final da Copa dos Campeões da UEFA, desta vez com Hagi consigo. Para completar, a decisão seria novamente na Espanha, onde a equipe fora campeã em 1986 — e sobre a equipe local do Barcelona.
Jogando na própria cidade de Barcelona (três anos antes, havia sido em Sevilha), todavia, os romenos não foram páreos para o Milan de Ruud Gullit e Marco van Basten, que fizeram dois gols cada na vitória italiana por 4–0. Talvez acusando o golpe, a temporada 1989–90 foi a primeira e única no Steaua em que Hagi acabou ficando sem a taça nacional, mesmo com a concorrência com Piţurcă acabando — o desafeto saíra para jogar no Lens, da França. Hagi, a seguir, disputou sua primeira Copa do Mundo, participando do Mundial de 1990.
Não foi muito bem, mas ainda assim atraiu os olhares do Real Madrid. Desta vez, com a queda do regime comunista) na Romênia (que resultou no fuzilamento do ditador Nicolae Ceauşescu), Hagi pôde transferir-se para a Europa Ocidental.
Presença nos grandes centros europeus
Ficaria dois anos no Real, sem conseguir uma boa sequência de jogos. O clube merengue havia conquistado cinco títulos seguidos em La Liga, acabou perdendo o sexto na última rodada, de forma frustrante: em uma boa partida, Hagi fez um gol e deu passe para outro em vitória parcial por 2–0 contra o Tenerife, mas a equipe das Canárias conseguiu virar a partida e o título acabou com o arquirrival Barcelona. Nos blancos, seu único título foi uma Supercopa da Espanha, ainda em 1990.
Em 1992, após o Real ficar em terceiro, atrás dos rivais Barcelona (novamente campeão) e Atlético, Hagi saiu para a modesta equipe do Brescia, então na Serie B italiana, onde estavam seus compatriotas Florin Răducioiu e Mircea Lucescu (técnico). Com eles, o clube conseguiu o acesso à Serie A, mas acabou rebaixado logo na seguinte, a de 1993–94.
Após uma estupenda Copa do Mundo de 1994, retornou à Espanha, justamente no arquirrival de seu ex-clube. Entretanto, não conseguiu sucesso e títulos no Barcelona, não se encaixando no que o técnico Johan Cruijff queria dele: maior marcação defensiva. Com os dois anos em que ele passou no time, ganhou apenas a Supercopa da Espanha no ano em que chegou — os campeões espanhóis foram os dois madrilenhos, Real e Atlético.
Deixou o Barcelona em 1996 para jogar no então obscuro futebol turco, contratado pelo Galatasaray. Ali, voltou a saborear as conquistas em série que tivera no Steaua e que lhe faltaram na Espanha: foram quatro Campeonatos Turcos seguidos entre 1997 e 2000, além do título mais importante de um clube do país: a Copa da UEFA na temporada 1999–00, vencida nos pênaltis sobre o favorito Arsenal.
Jogando ao lado do colega de Seleção Gheorghe Popescu, dos brasileiros Capone, Jardel e Taffarel e de parte da base da Seleção Turca que naquela temporada conquistara vaga para a Eurocopa 2000 — Bülent Korkmaz, Ergün Penbe, Ümit Davala, Okan Buruk, Arif Erdem e Hakan Şükür —, meses depois Hagi conquistou seu último troféu como jogador, a Supercopa Europeia. Novamente contra um favorito, nada menos que o Real Madrid de Vicente del Bosque, que contava com nomes como Iker Casillas, Roberto Carlos e Luís Figo.