Giorgia Meloni (Roma, 15 de janeiro de 1977) é uma política e jornalista italiana atualmente servindo como a presidente do conselho de ministros da Itália desde 2022. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo. Deputada na Câmara dos Deputados desde 2006, dirige o partido político Fratelli d'Italia (FdI) desde 2014 e é presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu desde 2020.
Em 1992, Meloni juntou-se à Frente da Juventude, a ala juvenil do Movimento Social Italiano (MSI). Mais tarde, tornou-se a líder nacional da Ação Estudantil, o movimento estudantil da Aliança Nacional (AN). Foi conselheira da Província de Roma de 1998 a 2002. Em 2008, foi nomeada Ministra italiana da Juventude no quarto governo de Berlusconi, cargo que ocupou até 2011. Em 2012, co-fundou o FdI, sucessora legal da AN, e tornou-se sua presidente em 2014. Participou sem sucesso nas eleições para o Parlamento Europeu em 2014 e nas eleições municipais de Roma em 2016. Após as eleições gerais italianas de 2018, liderou o FdI na oposição durante toda a 18ª legislatura italiana. O FdI cresceu na popularidade nas pesquisas de opinião, particularmente durante a gestão da pandemia de COVID-19 na Itália pelo governo de Draghi, um governo de unidade nacional ao qual o Fdl era o único partido que fazia oposição. Após a queda do governo Draghi, o FdI venceu as eleições gerais italianas de 2022.
Nacional-conservadora, as suas posições políticas foram descritas como sendo de extrema-direita, ao qual rejeita essa categorização. Descreve-se como cristã católica e conservadora de direita, e tem como lema "Deus, Pátria e Família". Opõe-se ao aborto voluntário, à eutanásia, à união civil entre pessoas do mesmo sexo e à paternidade LGBT, dizendo que as famílias devem ser chefiadas exclusivamente por pares masculino-feminino. O seu discurso, que por vezes assume uma retórica feminacionalista, inclui críticas ao globalismo. É contra o acolhimento de imigrantes não cristãos (especialmente muçulmanos) e ao multiculturalismo. Apoia um bloqueio naval para deter a imigração e culpa o neocolonialismo como a causa por de trás da crise migratória na Europa, criticando o uso do franco CFA por nações africanas e operações como a intervenção militar na Líbia. Apesar de fiel apoiante da OTAN, mantém visões eurocéticas em relação à União Europeia e já defendeu melhores relações com a Rússia antes da invasão da Ucrânia em 2022.
Giorgia Meloni nasceu em Roma, em 1977. Seu pai, Francesco Meloni, era natural de Roma, onde nascera em 1941 de pais sardos. Depois de uma longa enfermidade, Francesco morreu em 2012. Sua mãe teria nascido na Sicília, na província de Messina.
Segundo Meloni, quando estava grávida dela, sua mãe, enfrentando dificuldades financeiras e já em um relacionamento deteriorado com o pai, programou-se para interromper a gravidez, mas desistiu do aborto pouco antes dos exames clínicos. Quando tinha onze anos de idade, seu pai, um conselheiro fiscal, abandonou a família, indo morar nas Ilhas Canárias, na Espanha. Após um incêndio na casa, que ela e sua irmã acidentalmente causaram, mudou-se com a mãe e a irmã para a Garbatella, bairro popular e da classe trabalhadora de Roma. Conta que teve uma infância "com dinheiro contado", mas que "apesar da ausência do meu pai, tive uma família que me dava todo o amor necessário".
Em 1992, aos quinze anos de idade, juntou-se à Frente Juvenil, a ala jovem do Movimento Social Italiano-Direita Nacional (MSI). Nestes anos fundou a coordenação estudantil Gli antenati (Os ancestrais), que participou do protesto contra a reforma da educação pública promovido pela ministra Rosa Russo Iervolino. Em 1996, ela tornou-se a líder nacional da Azione Studentesca, o movimento estudantil da Alleanza Nazionale a herdeira de direita do MSI, representando esse movimento no Fórum de Associações de Estudantes estabelecido pelo Ministério da Educação italiano. No mesmo ano, ela se formou no Instituto Amerigo Vespucci.
Durante esses anos, ela também trabalhou como babysitter, garçonete e bartender no Piper Club, uma das casas noturnas mais famosas de Roma.
Obteve o diploma do ensino médio em línguas no Instituto "Amerigo Vespucci" de Roma, com a nota final de 60/60.
Em 1998, depois de vencer as eleições primárias, foi eleita conselheira provincial da província de Roma, ocupando esse cargo até 2002. Em 2000 foi eleita diretora nacional e em 2004 foi a primeira mulher presidente da Ação Juvenil, a ala jovem do partido.
Nas eleições gerais de 2006, Meloni foi eleita para a Câmara dos Deputados italiana; posteriormente, ela tornou-se a mais jovem vice-presidente da Câmara.
Em 2008, ela foi nomeada ministra de Políticas para a Juventude no quarto gabinete liderado pelo magnata da mídia Silvio Berlusconi, cargo que ocupou até 16 de novembro de 2011, quando o primeiro foi forçado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro a meio de uma crise financeira e vários protestos públicos. Ela foi a ministra mais jovem de todos os tempos na história da República Italiana. Em agosto de 2008, Meloni convidou atletas italianos para boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim em protesto contra a política chinesa implementada em relação ao Tibete; no entanto, esta declaração foi criticada por Berlusconi e pelo ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini.
Em 2009, o seu partido fundiu-se com o Forza Italia, e ela assumiu a presidência da seção juvenil do partido. No mesmo ano, ela votou a favor do decreto-lei contra a eutanásia. Em novembro de 2012, ela anunciou a sua candidatura para contestar a liderança do partido Povo da Liberdade contra Angelino Alfano, em oposição ao apoio do partido ao Gabinete Monti. Após o cancelamento das primárias, ela juntou-se aos seus colegas políticos Ignazio La Russa e Guido Crosetto para definir uma política anti-Monti, pedindo a renovação dentro do partido e criticando a liderança de Silvio Berlusconi.
Presidente do Fratelli d'italia
Em dezembro de 2012, Meloni, La Russa e Crosetto fundaram um novo movimento político, Fratelli d'italia (FdI), cujo nome vem da letra do Hino Nacional Italiano. Na eleição geral de fevereiro de 2013, ela candidatou-se como parte da coalizão de centro-direita de Berlusconi e recebeu 2,0% dos votos e 9 cadeiras na câmara dos deputados. Meloni foi reeleita para a câmara dos Deputados pela Lombardia e posteriormente foi nomeada a líder do partido na Câmara, cargo que ocupou até 2014, quando renunciou para dedicar-se ao partido. Ela foi sucedida por Fabio Rampelli.
Em março de 2014 ela tornou-se presidente do Fratelli d'italia e em abril foi nomeada para as eleições europeias de 2014, mas o seu partido obteve apenas 3,7% dos votos, não ultrapassando o limite de 4%, e portanto, não tornou-se deputada do Parlamento Europeu, apesar de receber 348 700 votos.
Em agosto de 2014, o partido de Giorgia Meloni utilizou uma fotografia de Oliviero Toscani sem informar o autor que, ao tomar conhecimento do ocorrido, apresentou queixa. Originalmente tomada em favor de diferentes tipos de famílias, descontextualizada tornou-se parte de um manifesto de adoção anti-gay. Além disso, o mesmo fotógrafo definiu o póster como homofóbico.
Como presidente do partido, ela decidiu formar a aliança com a Lega Nord de Matteo Salvini, lançando várias campanhas políticas com ele contra o governo de centro-esquerda de Matteo Renzi, colocando a FdI em posições eurocéticas e populistas. A 4 de novembro de 2015, ela fundou a Nossa Terra - Italianos com Giorgia Meloni, um comité político conservador em apoio às suas campanhas. Nossa Terra era uma organização paralela à FdI e visava ampliar a base popular do partido. A 30 de janeiro de 2016 ela participou do Family Day, uma manifestação anti-direitos LGBT, declarando-se contra a adoção de crianças por casais LGBT. No mesmo Dia da Família, Meloni anunciou que estava grávida; sua filha Ginevra nasceu a 16 de setembro.
Em 2016, na eleição municipal em Roma, Meloni concorreu à prefeitura com o apoio de Nós com Salvini, mas em oposição ao candidato apoiado pela Forza Italia de Berlusconi. Meloni obteve 20,6% dos votos, quase o dobro do candidato da FI, mas não se classificou para o segundo turno, enquanto a FdI obteve convincentes 12,3%. Durante o referendo constitucional de dezembro do mesmo ano sobre a reforma promovida pelo governo de Renzi, Meloni fundou o comité "Não, Obrigado" e participou de vários debates na televisão, incluindo um contra o primeiro-ministro Renzi. Quando o "Não" ganhou com quase 60% dos votos, Meloni convocou eleições antecipadas, e quando Renzi renunciou, ela manteve a confiança no próximo governo liderado por Paolo Gentiloni. Um ano mais tarde, nos dias 2 e 3 de dezembro de 2017, em Trieste , o congresso do Fratelli d'italia viu a reeleição de Meloni como presidente do partido, bem como a renovação da logomarca do partido.