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Giovanni Pierluigi da Palestrina

Giovanni Pierluigi da Palestrina (Palestrina ?, c. 1525 — Roma, 2 de fevereiro de 1594) foi um compositor italiano da Re

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Giovanni Pierluigi da Palestrina (Palestrina ?, c. 1525 — Roma, 2 de fevereiro de 1594) foi um compositor italiano da Renascença. Toda sua produção é vocal, mas de acordo com os costumes da época, as vozes podiam ser dobradas por instrumentos. Dominando magistralmente a polifonia herdada da escola franco-flamenga, mas direcionando-se para uma maior inteligibilidade dos textos e a criação de texturas musicais mais claras e fluentes, exerceu uma grande influência sobre o desenvolvimento da música sacra na Igreja Católica, e por muito tempo foi considerado a suma da perfeição neste campo, escrevendo obras de efeito ora grandioso, ora intimista, e em geral de grande expressividade. Deixou também um importante legado na música profana, que é menos conhecido mas não menos qualificado.

Filho de Sante (ou Santo) Pietro Aloisio da Palestrina e Palma Veccia, Giovanni Pierluigi da Palestrina nasceu provavelmente em Palestrina, nos arredores de Roma, onde Sante e Palma viviam, ou talvez na própria Roma, onde um Santo di Prenestino (antigo nome da cidade de Palestrina), que tem sido identificado como seu pai, viveu nos anos em torno do seu nascimento. A data é também objeto de polêmica. Em geral aceita-se o ano de 1525. Seu nome foi grafado de várias maneiras: Giannetto (Gianetto/Zanetto) da Pallestrino ou Pelestino, Giovanni Pietro Luigi da Panestrina, em latim Joannes-Petrus-Aloysius Praenestinus, e em seus anos finais adotou a forma Giovanni Pietraloysio.

Seu talento musical se manifestou na infância mas sua formação é obscura. Pode ter iniciado seus estudos com o organista da Catedral de Palestrina. Em 25 de outubro de 1537 aparece listado entre os meninos cantores da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, mas sua admissão pode ter ocorrido vários anos antes. É possível que essa vantajosa colocação, que dava também escola, educação musical, moradia e sustento, tenha sido conseguida por intermédio de Andrea della Valle, bispo de Palestrina e arcipreste de Santa Maria Maior. Estudou primeiro com Robin Mallapert, e depois provavelmente com um certo Roberto (talvez Robert de Févin) e Firmin Le Bel. Em 1544 retornou à sua cidade natal e assumiu o posto de organista da catedral. Seus deveres, além de tocar órgão aos domingos e dias de festa, incluíam ensinar e cantar no coro todos os dias, na missa, nas vésperas e nas completas. Seu excelente desempenho chamou a atenção do bispo Giovanni Maria Ciocchi del Monte. Em 1547 casou-se com Lucrezia Gori, que lhe daria três filhos: Rodolfo, Angelo e Iginio.

Com a eleição do bispo Giovanni ao papado, com o nome Júlio III, em 1551 foi chamado a Roma para ocupar a função de diretor do coro da Capela Júlia, o que na prática o tornou mestre de capela da Basílica de São Pedro, a principal instituição musical do papado, uma posição detentora de imenso prestígio. Em sinal de gratidão, em 1554 Palestrina dedicou-lhe sua primeira obra publicada, um livro de missas com quatro peças, que já demonstram um perfeito domínio do estilo polifônico da escola franco-flamenga, então preferido em Roma, e no ano seguinte, cedendo a posição de mestre de capela a Giovanni Animuccia, foi designado compositor da basílica, um cargo também ilustre, e foi nomeado cantor do coro da Capela Sistina, um ato de deferência excepcional que tem sido atribuído ao reconhecimento dos seus méritos compositivos, uma vez que era casado (salvo dois outros cantores, todos os outros eram clérigos celibatários), tinha uma voz que não era considerada notável, e sem a consulta aos outros cantores, como era a praxe.

Seu protetor Júlio III faleceu em março de 1555, e depois do brevíssimo pontificado de Marcelo II, o papa sucessivo, Paulo IV, iniciou uma reforma rigorista nas instituições eclesiásticas e constrangeu à demissão todos os cantores casados. Recebeu uma pequena pensão vitalícia do papa mas abandonou São Pedro, assumindo imediatamente a direção musical da Basílica de São João de Latrão, mas seu trabalho ali foi prejudicado pelo fraco preparo do coro. Ainda em 1555 publicou seu primeiro volume de obras profanas, um livro de madrigais. Em 1557 recebeu a cidadania romana.

Em 1560 deixou Latrão, aparentemente por uma disputa salarial, levando consigo seu filho Rodolfo, que havia sido introduzido no coro pelo pai. Depois de alguns meses sem trabalho, em 1561 Palestrina obteve uma colocação na Basílica de Santa Maria Maior, que mantinha uma capela musical de alta qualidade, onde permaneceria por alguns anos. Em 1567 foi contratado pelo cardeal Ippolito II d'Este para dirigir a música de sua capela privada e em suas propriedades de veraneio, um trabalho bastante exigente, e ao mesmo tempo passou a dirigir a música de um novo seminário fundado em Roma, onde deveria cantar em dias festivos e dar aulas de canto. Nesta época colaborou ocasionalmente com várias outras igrejas de Roma.

Em 1564 apareceu seu primeiro volume de motetos a 3 vozes, que revelam uma evolução em seu estilo em direção a uma escrita mais fluente e clara. Entretanto, o ambiente romano nesta época não estava muito favorável à música, e são registrados vários contatos do compositor com outras cortes — Viena, Espanha e o ducado de Mântua — sondando perspectivas de trabalho, mas elas não deram em nada, possivelmente pelas suas altas pretensões salariais. Porém, foi estabelecida uma relação amistosa e produtiva com Guilherme Gonzaga, duque de Mântua, um músico diletante, que se prolongou por muitos anos, trocando experiências musicais e escrevendo peças para a capela mantuana.

Em 1569 publicou um volume de motetos a 5, 6 e 7 vozes, obra brilhante em sua engenhosa e transparente utilização da polifonia, e em 1570 surgiu mais um livro de missas com 8 peças a 4, 5 e 6 vozes. O estilo entre elas não é muito consistente, com obras muito complexas típicas da escola flamenga, que talvez sejam mais antigas, e outras mais progressistas, alinhadas a uma tendência de depuração e controle da polifonia, mas o conteúdo da coleção pode ter sido escolhido deliberadamente para provar sua maestria em estilos diferentes.

Animuccia faleceu em 1571, e o capítulo da basílica, ansioso por tê-lo de volta, ofereceu-lhe a posição com um salário maior, proposta que o compositor aceitou. Isso desencadeou uma disputa com o capítulo de Santa Maria Maior, que não queria perdê-lo, cobrindo a proposta de São Pedro, e para garantir que Palestrina permanecesse, os cônegos de São Pedro aumentaram ainda mais seus vencimentos. Em 1572 publicou mais um volume de motetos, com 44 peças a 5, 6 e 8 vozes, onde avança na ilustração musical das emoções descritas no texto, uma técnica que depois seria conhecida como a "pintura de palavras". No mesmo ano morreu seu filho Rodolfo, em 1573 casou seu outro filho, Angelo, recebendo um grande dote da esposa, que em 1574 deu à luz o primeiro neto do compositor. No final do ano Palestrina apresentou um moteto festivo na abertura da Porta Santa.

Em 1575 surgiu outra coleção, ainda mais avançada, desenvolvendo um estilo de rica e intensa expressividade e efeito grandioso. Em dezembro seu filho Angelo faleceu em uma epidemia que matou dez mil romanos, mas em janeiro do ano seguinte nasce um filho póstumo, que levou o nome do pai. Em 1577 foi encarregado pelo papa Gregório XIII, com a colaboração de Annibale Zoilo, de revisar o acervo tradicional do canto gregoriano, devendo expurgá-lo de tudo o que a Igreja então considerava barbarismo e obscuridade, além de corrigir erros de concordância entre texto e música e uniformizar versões divergentes das mesmas peças, mas a revisão não foi terminada e seus resultados parciais não foram publicados. Já era nesta altura um compositor largamente famoso, e em 1578 recebeu o título de mestre de música da basílica, tornando-se também seu compositor extra-oficial. Permaneceria liderando a música em São Pedro até falecer. Na década de 1570 recebeu várias encomendas da prestigiosa Arquiconfraria da Santíssima Trindade dos Peregrinos, fundada por são Filippo Neri. Em fins de 1578 nasceu o primeiro filho de seu filho Iginio, chamado Tommaso.

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