Maria da Glória Martins de Matos Mendes (Lisboa, 30 de maio de 1936 – Lisboa, 11 de dezembro de 2025) foi uma atriz portuguesa. Foi casada com o apresentador de televisão, locutor e também ator Henrique Mendes.
Glória de Matos nasceu a 30 de maio de 1936, em Lisboa.
Iniciou a sua carreira de atriz em 1954, junto de Fernando Amado. Com este ajudou a fundar a Casa da Comédia, onde foi atriz residente e membra diretiva. Integrada no Grupo Fernando Pessoa, fez uma digressão no Brasil em 1962, para no ano seguinte se fixar no Reino Unido. Graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, diplomou-se em teatro. Em 1966, iniciou uma colaboração com Raul Solnado. Em 1968, ingressou na Companhia Portuguesa de Comediantes, e no ano seguinte ingressou na companhia do Teatro Nacional D. Maria II. Recebeu, entre outros, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, o prémio de melhor atriz, pela interpretação em Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1971), de Edward Albee, em 1972. No cinema estreou-se em Operação Dinamite (1967), de Pedro Martins. Salienta-se a colaboração com o realizador Manoel de Oliveira, tendo participado em Benilde ou A Virgem Mãe (1975), Francisca (1981), Os Canibais (1988), Vale Abraão (1993), O Quinto Império (2004), Espelho Mágico (2005) e Singularidades de uma Rapariga Loura (2009).
Foi, ainda, professora da Escola de Teatro do Conservatório Nacional, de 1971 a 1975, e, da sua sucessora, a Escola Superior de Teatro e Cinema, entre 1980 e 1999. Foi, também, conselheira de programação por três anos, e orientadora do Centro de Formação da RTP, por doze anos. Na Universidade Aberta regeu a disciplina de Expressão Oral no Curso de Mestrado em Comunicação Educacional e Multimédia, de 1991 a 1995. Foi ainda assessora da Secretaria de Estado da Cultura, de 1990 a 1992, membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, de 1991 a 1994 e assessora do Instituto de Artes Cénicas, entre 1994 e 1998.
Em 2005 integrou, com as atrizes Fernanda Montemor, Maria José, Lia Gama e Lurdes Norberto, o elenco de cinco atrizes da peça A Mais Velha Profissão, de Paula Vogel, encenada por Fernanda Lapa no Teatro Nacional D. Maria II. Esta produção recebeu o Globo de Ouro (2006), para "Melhor Peça/Espetáculo".
Fez a sua última atuação em 2017, na peça “Odeio-te, Meu Amor”, no Teatro Nacional D. Maria II.
Morreu a 11 de dezembro de 2025, no Hospital da Luz Lisboa, vítima de insuficiência cardíaca.
1969 - O Grande Industrial (folhetim)
1973 - Quando Despertarmos de Entre os Mortos (peça)
1980 - Ana Karenine (folhetim)
Pelo seu desempenho em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, Glória de Matos partilhou o Prémio Bordalo (1971), ou Prémio da Imprensa, de "Melhor Intérprete" na categoria "Teatro", com Manuela de Freitas (O Fim). Na cerimónia realizada a 23 de março de 1972, no Teatro São Luiz, a Casa da Imprensa distinguiu ainda na mesma categoria os atores Ruy de Carvalho, António Montez e Maria Vitória (Revelação), o cenógrafo Rui Mesquita e os encenadores Jorge Listopad (O Fim) e Carlos Avilez (Ivone, Princesa da Borgonha).
Ainda pelo seu trabalho em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, foi atribuído a Glória de Matos o Prémio Lucinda Simões (1972) pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) para "melhor intérprete feminino de teatro declamado".
A 26 de março de 2006 Glória de Matos foi distinguida pelo Ministério da Cultura com a Medalha de Mérito Cultural.
Em forma de homenagem, uma placa com o nome de Glória de Matos encontra-se afixada no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II, junto com nomes como Fernanda Borsatti, Glicínia Quartin, Maria do Céu Guerra ou Raquel Maria.
«Pessoa: Glória de Matos». no CinePT (Universidade da Beira Interior)
«Ficha de Pessoa: Glória de Mattos». no Centro de Estudos de Teatro & Tiago Certal
«Ficha de Pessoa: Glória de Matos». no Centro de Estudos de Teatro & Tiago Certal
«Glória de Matos com o Grupo Fernando Pessoa no Brasil». por Duarte Ivo Cruz, no Centro de Estudos de Teatro & Tiago Certal