Gloria Maria Ferrante Perez (Rio Branco, 25 de setembro de 1948), mais conhecida como Gloria Perez, é uma autora, escritora, roteirista e produtora brasileira. Em 2009, ganhou o Prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela por seu trabalho em Caminho das Índias. Gloria também ficou conhecida por ser a mãe da atriz Daniella Perez, que foi assassinada durante as produções de De Corpo e Alma, uma novela de sua autoria.
Gloria é filha do advogado Miguel Jerônimo Ferrante e da professora Maria Augusta Rebelo Ferrante. Sua mãe era filha de um piauiense com uma cearense. Seu pai era filho de italianos. Seu avô italiano trabalhava como operário mecânico e fugiu de São Paulo, por ter sido denunciado por envolvimento com o movimento anarquista. No Acre, conheceu a avó de Gloria, uma viúva italiana, com quatro filhos pequenos, com quem se casou. Apesar da família viver no Acre em 1948, seus pais preferiram que ela nascesse na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Após o nascimento, voltaram ao Acre. Revela ter tido uma infância simples, quando nadava em rios e subia em árvores, mas que sempre gostou muito de ler e escrever e era dedicada aos estudos. Aos quinze anos, sua família mudou-se para a recém-construída capital federal para que ela pudesse continuar estudando, pois em Rio Branco naquela época só havia escolas até o ginásio. Em Brasília, cursou o ensino médio em escola pública e entrou para a Universidade de Brasília (UnB), onde cursou três anos de Direito, abandonando o curso em 1968, quando a universidade foi invadida por militares. Na época, queria cursar História, mas seu pai não a deixou se mudar sozinha para o Rio de Janeiro, onde tinha parentes paternos, só conseguindo se mudar um ano depois, já com o noivo, o qual conheceu em Brasília. No Rio, prestou vestibular e passou, mas só formou-se em História pela UFRJ após o nascimento dos filhos. A autora chegou a cursar mestrado em História do Brasil, também na UFRJ, mas não chegou a defender sua tese. Durante sua elaboração, aceitou o convite de Janete Clair e optou pela carreira na televisão.[carece de fontes?]
Em 1969, após um ano vivendo juntos, casou-se com o engenheiro Luiz Carlos Saupiquet Perez (1940–1994), falecido de leucemia. O casal teve três filhos: Daniella (1970–1992), Rodrigo (1972) e Rafael (1977–2002). Gloria e Luiz Carlos se divorciaram em 1984.
Duas tragédias abalaram a vida de Gloria:
Em 28 de dezembro de 1992 sua filha, a atriz Daniella Perez, então com 22 anos, foi assassinada. Na época, Daniella atuava na telenovela De Corpo e Alma, que era escrita por Gloria. O crime foi praticado por Guilherme de Pádua, também ator e que contracenava com Daniella na mesma novela, e sua mulher Paula Thomaz. O impacto dessa tragédia na vida de Gloria e o receio de que os réus fossem beneficiados pela Justiça, moveu a autora em uma campanha apoiada pela grande mídia que recolheu mais de um milhão de assinaturas, resultando na inclusão desse homicídio na Lei dos Crimes Hediondos.
Quase dez anos depois, em 28 de novembro de 2002, morreu aos 25 anos o filho caçula de Gloria, Rafael, portador de Síndrome de Down. Ele estava internado havia dez dias em um hospital de Brasília e tinha sido submetido a uma cirurgia para reverter uma torção intestinal, mas não resistiu a uma infecção pós-operatória.
Gloria tem quatro netos, filhos de Rodrigo, que é casado. Em 2009 enfrentou outro drama: descobriu ter um linfoma, um tipo de câncer, e passou todo esse mesmo ano realizando cirurgias e sessões de quimioterapia, além de ter precisado consumir vários medicamentos regularmente, tendo se curado da doença.
Entrou na Globo em 1979, como pesquisadora de texto da novela Memórias de Amor, escrita por Wilson Aguiar Filho, seu primo. Desempenhou o mesmo papel logo em seguida em Marron Glacé, de Cassiano Gabus Mendes. Em 1983, trabalhou como pesquisadora de arte de Pão-Pão, Beijo-Beijo, de Walther Negrão.
Porém, o início de fato de sua carreira se deu em meados de 1983, quando colaborou com Janete Clair, em Eu Prometo. Com a morte da autora titular, Gloria assumiu a responsabilidade e levou a história até o fim, com supervisão de texto de Dias Gomes.
No ano seguinte, assinou com Aguinaldo Silva uma parceria para a telenovela Partido Alto, primeira novela de ambos como autores titulares. Em 1984 apresentou a sinopse de Barriga de Aluguel, tema polêmico e desconhecido na época. O projeto ficou na gaveta por ser considerado "fantasioso" e "inverossímil". Desgostosa com a recusa, Gloria foi para a Rede Manchete, onde escreveu a novela Carmem, um projeto de José Wilker, então diretor artístico da casa. A novela conseguiu altos índices de audiência, chegando a superar a TV Globo. Devido ao sucesso, a autora voltou à sua antiga emissora para escrever a minissérie Desejo, tendo grande êxito.
Em 1990 foi ao ar, finalmente, a novela Barriga de Aluguel. A trama, que conseguiu grande sucesso, teve seu término após 243 capítulos, sendo uma das maiores novelas em número de capítulos.
Em 1992, Gloria lançou De Corpo e Alma, marcada pelo assassinato de sua filha, a atriz Daniella Perez, cometido pelo colega de cena, Guilherme de Pádua. Gloria teve de tirar uma folga de quinze dias, e declarou que só voltou a escrever "para continuar vivendo" e manter a sanidade apesar do trauma.
Em 1995, Gloria levou ao ar Explode Coração, uma trama que falava sobre a internet e as novas possibilidades que ela abria para a humanidade, incluindo a de promover encontros improváveis: no caso da novela, a de um político importante e uma garota cigana, protagonizada por Tereza Seiblitz. Uma das curiosidades dessa novela é que Gloria criou um programa muito semelhante ao Skype, que ainda estava longe de existir, através do qual os protagonistas se conheciam. Além disso, na abertura, Hans Donner antecipa Steve Jobs mostrando uma tela touch screen.
Em 1998, escreveu a minissérie Hilda Furacão, protagonizada por Ana Paula Arósio, Danton Mello e Rodrigo Santoro, baseada no romance de Roberto Drummond (vivido por Danton Mello na minissérie). No mesmo ano, Gloria escreveu um episódio para a série Mulher, que retratava um tema também pouco discutido e polêmico: o intersexo. No final de 1998, Gloria assinou o remake de Pecado Capital, baseado na novela original de Janete Clair.
Entre 2001 e 2002 escreveu o grande sucesso O Clone, exibido pela TV Globo entre os mesmos anos, e que falava da experiência de clonar um ser humano, contrapondo os valores do ocidente desafiando e querendo tomar o lugar de Deus na fabricação da vida, além de retratar os valores da sociedade muçulmana. Em 2012, quando a maior feira de televisão do mundo - MIPCOM - selecionou os 50 programas mais importantes dos últimos 50 anos, O Clone foi o único programa brasileiro incluído na lista. Além disso, a mesma teve uma versão latina nos Estados Unidos, chamada El Clon, realizada pela Telemundo, no rastro do sucesso da novela brasileira mundo afora.
Em 2003, Gloria criou o seriado A Diarista, que foi ao ar no mesmo ano como especial de fim de ano. Obtendo grande sucesso, a série entrou para a grade oficial da Rede Globo em abril de 2004, desta vez escrita por Aloísio de Abreu e Bruno Mazzeo.
Em 2005, escreveu a telenovela América, que tratava do drama dos brasileiros obcecados pelo "Sonho Americano", que se entregavam nas mãos dos coyotes para tentar atravessar a fronteira através do México e tentar a vida nos Estados Unidos.
Em 2007, lançou a minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, que mostrou a história do Acre e seus povos e revelou como o local se tornou um território brasileiro através da luta de sua gente.