Greta Garbo, nascida Greta Lovisa Gustafsson (Estocolmo, 18 de setembro de 1905 – Nova Iorque, 15 de abril de 1990), foi uma atriz sueca naturalizada norte-americana, cuja atividade no cinema se deu entre os anos 1920 e 1930. Por três vezes, Greta Garbo foi indicada ao Oscar da Academia na categoria de Melhor Atriz e recebeu um prêmio honorário da Academia em 1954 por suas atuações e contribuições para o cinema. Em 1999, ela foi eleita para uma das 100 maiores estrelas do cinema norte-americano pelo American Film Institute.
Garbo começou sua carreira em um papel secundário no filme sueco de 1924 The Saga of Gösta Berling. Sua atuação chamou a atenção do diretor executivo da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), Louis B. Mayer, que a trouxe para Hollywood em 1925. Logo os holofotes estavam sobre ela depois de seu primeiro papel em um filme mudo, em Torrent (1926). O filme Flesh and the Devil (1927), seu terceiro filme, a tornou uma estrela de renome internacional.
Seu primeiro filme falado foi Anna Christie, em 1930, cuja propaganda feita pela MGM trazia o slogan "Garby fala!". No mesmo ano, ela estrelou em Romance. Por suas atuações nestes filmes, Greta Garbo foi indicada para o Oscar de Melhor Atriz, quando a regra de indicação permitia que um artista recebesse uma indicação para mais de um filme. Em 1932, famosa o bastante, ela pode fazer exigências em seu contrato e assim se tornou bastante seletiva na escolha de papéis. Em 1931, ela atuou em Mata Hari, em 1932 em Grande Hotel e em 1933, em Queen Christina.
Para muitos críticos e especialista em cinema, sua melhor atuação foi em Camille, em 1936, na adaptação do livro de Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias. Por este papel, ela foi indicada pela segunda vez ao Oscar da Academia para Melhor Atriz. Após este filme, porém, sua carreira entrou em declínio, pois foi uma das atrizes a cair na lista chamada de Box Office Poison, que tecia críticas ácidas a artistas com salários muito altos, mas que não trariam retorno significativo para o estúdio. Em 1939, sua carreira ganhou um novo fôlego com a comédia Ninotchka, papel pelo qual ela recebeu sua terceira indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Logo em seguida, com o fracasso do filme Two-Faced Woman, de 1941, Garbo se aposentou das telas, aos 36 anos, após atuar em cerca de 28 filmes.
Houve oportunidades para retornar às telas, mas Garbo recusou todas. Mesmo sendo uma grande estrela nas telas, ela levava uma vida bastante privada e particular. Greta Garbo se tornou colecionadora de arte, com peças que incluíam Pierre-Auguste Renoir, Pierre Bonnard e Kees van Dongen, valendo milhões de dólares na época em que ela morreu.
Greta Lovisa Gustafsson nasceu em Södermalm, um distrito municipal da cidade de Estocolmo, na Suécia, em 1905. Era a terceira filha e a caçula do casal Anna Lovisa (1872–1944), uma dona de casa que depois trabalhou em uma fábrica de geleia, e de Karl Alfred Gustafsson (1871–1920). Seu irmão mais velho era Sven Alfred (1898–1967) e sua irmã mais velha era Alva Maria (1903–1926).
Seus pais se conheceram em Estocolmo enquanto seu pai estava de visita na cidade. Ele se mudou para a capital e trabalhou em vários empregos, desde varredor de ruas a assistente de açougueiro. Casou-se com Anna, que recentemente tinha se mudado de Högsby. A família Gustafsson era pobre e morava em uma casa fria de três cômodos na Blekingegatan Nº 32, considerado na época uma periferia pobre.
Greta era uma criança quieta e sonhadora, que gostava de brincar sozinha. Ela odiava a escola também. Ainda assim, superando a timidez, ela se interessou pelo teatro já desde pequena. Com os poucos coleguinhas que tinha, ela os dirigia em peças e brincadeiras infantis, sonhando com o dia que seria uma atriz. Ela depois participaria do teatro amador com os amigos, indo com frequência ao Mosebacke, um distrito cultural de Södermalm, com muitos teatros e casas noturnas.
Com 13 anos, em 1919, Greta se formou na escola e como era comum para garotas da classe trabalhadora da época, ela não fez o ensino médio. No inverno de 1919, a epidemia de gripe de 1918 atingiu Estocolmo, e seu pai, de quem Greta era muito próxima, caiu doente, o que o fez perder o emprego. Greta ficou em casa cuidando do pai, levando-o ao hospital semanalmente para tratamento, mas ele veio a falecer em 1920, quando Greta tinha 14 anos.
O primeiro emprego de Greta foi em uma barbearia, mas por conselho de amigos, ela se candidatou e conseguiu um emprego em uma loja de departamentos de Estocolmo, no setor de chapéus e acessórios femininos. Logo ela começaria a trabalhar como modelo para chapéus do catálogo da empresa, o que a levou a trabalhar como modelo e manequim, algo que dava muito mais dinheiro. Em 1920, um diretor de comerciais contratado pela loja escalou Greta para estrelar diversas propagandas de moda feminina. Seu primeiro comercial foi ao ar em 12 de dezembro de 1920, seguido de vários outros no mesmo ano. Em 1922, ela atraiu os olhares do diretor Erik Arthur Petschler, que lhe deu um papel em uma comédia chamada Peter the Tramp.
De 1922 a 1924, ela estudou na Dramatens elevskola, considerada a escola de teatro e ensino de teatro mais importante para os atores de teatro suecos por muito tempo, em Estocolmo. Em 1924, foi convidada pelo diretor finlandês Mauritz Stiller para fazer o papel principal no filme The Saga of Gösta Berling, uma adaptação do famoso livro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1909, de Selma Lagerlöf, A saga de Gösta Berlings. O diretor acabaria se tornando seu mentor, treinando a atriz para sua carreira no cinema. Em seguida, ela estrelou um filme alemão, Die freudlose Gasse (Rua das lágrimas), em 1925, dirigido por G. W. Pabst, onde ela co-estrelou com Asta Nielsen.
Os relatos sobre seu primeiro contato com o diretor-executivo da MGM, Louis B. Mayer, divergem. A história oficial diz que o diretor sueco Victor Sjöström, que trabalhava na MGM, era amigo de Mauritz Stiller e teria encorajado Louis B. Mayer a conhecê-lo em Berlim. Duas versões contam o que aconteceu em seguida. Em uma delas, Mayer, que sempre procurava por novos talentos, teria se interessado pelo trabalho de Stiller, fazendo-o uma oferta de trabalho. Stiller teria exigido que Greta Garbo fizesse parte do contrato, convencido de que ela seria um marco em sua carreira de diretor. Mayer reclamou da exigência, mas teria concordado em assistir ao filme Gösta Berling. Ele teria então se encantado pelo talento e pela beleza de Garbo, ficando mais interessado na atriz do que no diretor. A segunda versão do encontro diz que Mayer já tinha assistido Gösta Berling antes da viagem a Berlim, e Garbo, era seu interesse principal na viagem, não Stiller.
Em 1925, Greta Garbo foi levada da Suécia para os Estados Unidos, a pedido de Mayer, ainda que não falasse inglês. Depois de 10 dias de viagem a bordo do SS Drottningholm, desembarcando em Nova Iorque em julho de 1925. Eles ficaram seis meses na cidade sem nenhuma palavra do estúdio. Assim, eles foram para Los Angeles por conta própria, onde mais cinco semanas se passaram sem contato com a MGM. Prestes a retornar para a Suécia, ela escreveu para o namorado em casa:
Um amigo sueco que morava em Los Angeles conseguiu um contato com o chefe da produção da MGM, Irving Thalberg, que concordou em chamar Greta para um teste. Thalberg teria ficado impressionado com a presença e atuação de Greta, mas teria pedido que a atriz fizesse uma dieta, arrumasse seus dentes e providenciou aulas de inglês. Enquanto era moldada para o estrelato, Thalberg começou a escalar Greta para papéis de mulheres modernas e sofisticadas, maduras, algo que Greta teria reclamado, ainda arranhando no inglês. Thalberg começava a moldar a imagem pela qual a atriz se tornaria lendária posteriormente.
Acreditando que trabalharia com Stiller em seu primeiro filme norte-americano, ela foi escalada para Torrent (1926), uma adaptação do livro de Vicente Blasco Ibáñez, com a direção de Monta Bell. Ela substituiu Aileen Pringle, dez anos mais velha, onde interpretou uma camponesa. O filme foi um sucesso, ainda que não tenha sido bem recebido pela imprensa, mas os principais elogios iam para a atuação de Greta.