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Guerra Civil Austríaca

Guerra Civil Austríaca (em alemão: Österreichischer Bürgerkrieg) de 12 a 15 de fevereiro de 1934, também conhecido como

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Guerra Civil Austríaca (em alemão: Österreichischer Bürgerkrieg) de 12 a 15 de fevereiro de 1934, também conhecido como Revolta de Fevereiro (Februaraufstand) ou Confrontos de Fevereiro (Februarkämpfe), foi uma série de confrontos na Primeira República Austríaca entre as forças do governo autoritário de direita da Frente Patriótica de Engelbert Dollfuss e a Liga de Proteção Republicana (Republikanischer Schutzbund), o braço paramilitar banido do Partido Social-Democrata dos Trabalhadores da Áustria. Os combates começaram quando membros da Liga abriram fogo contra a polícia austríaca, que tentava entrar na sede do partido social-democrata em Linz para procurar armas. De lá, o conflito se espalhou para Viena e outros centros industriais no leste e centro da Áustria. A superioridade numérica e de armamento da polícia austríaca e do Exército Federal rapidamente pôs fim ao levante. Estima-se que o total de mortes tenha chegado a 350.

A derrota dos socialistas levou a prisões, execuções e ao banimento do Partido Social-Democrata. Em maio de 1934, a constituição democrática da Áustria foi substituída pela constituição austrofascista do Estado Federal da Áustria, com a Frente Patriótica como o único partido legal.

Após a dissolução do Império Austro-Húngaro em outubro de 1918, formou-se a República da Áustria como uma democracia parlamentar. Dois grandes blocos políticos dominaram o cenário no novo país: os socialistas (representados politicamente pelo Partido Social-Democrata dos Trabalhadores) e os conservadores (representados pelo Partido Social Cristão). Os socialistas tinham seus redutos nos distritos operários das cidades, enquanto os conservadores recebiam apoio da população rural e da maior parte da elite. Os conservadores também mantinham laços estreitos com a Igreja Católica.

No final da década de 1920, a situação política polarizada na Áustria foi exacerbada por unidades paramilitares como a Guarda Doméstica (Heimwehr), à direita, e a Liga de Proteção Republicana (Republikanischer Schutzbund) dos social-democratas (SDAPÖ), à esquerda. À época da guerra civil, a Heimwehr já se declarava abertamente fascista e antidemocrática, enquanto a Liga de Proteção Republicana se via como defensora da República Austríaca e adotava a posição austromarxista sobre a ditadura do proletariado, que se dizia pró-democracia como parte do programa do partido social-democrata. O ainda pequeno Partido Nazista austríaco possuía suas unidades SA e SS, também organizadas de forma paramilitar.

Revolta de julho e suspensão do Parlamento

As tensões políticas na Áustria cresceram em 1927, quando membros da organização de direita Frente de Veteranos (Frontkämpfervereinigung), em Schattendorf (Burgenland), atiraram e mataram duas pessoas, incluindo uma criança, durante uma manifestação da Liga de Proteção Republicana. No julgamento do Caso Schattendorf, o júri absolveu os supostos agressores. Em 15 de julho de 1927, no dia seguinte ao veredicto, a liderança do SDAPÖ não conseguiu controlar as manifestações de uma multidão indignada. Durante a Revolta de julho, o Palácio da Justiça de Viena foi invadido e incendiado. Após ataques também a bases da polícia, o presidente da polícia, Johannes Schober, ordenou que os manifestantes fossem dispersos à força. Pessoas que tentavam fugir, bem como algumas que não estavam envolvidas no protesto, foram alvejadas, resultando em 89 mortes, incluindo quatro policiais, e 1 000 feridos.

Os problemas enfrentados pela Primeira República pioraram nos anos seguintes. A Grande Depressão resultou em alto desemprego, e depois que Adolf Hitler se tornou chanceler da Alemanha em 1933, simpatizantes do nazismo que defendiam a unificação da Áustria com a Alemanha passaram a ameaçar o Estado austríaco internamente.

Em 4 de março de 1933, Engelbert Dollfuss, o chanceler social-cristão, suspendeu o Parlamento austríaco. Em uma votação apertada no Conselho Nacional da Áustria sobre os salários de ferroviários, cada um dos três presidentes do Parlamento renunciou estrategicamente a seus cargos para poder votar, o que deixou a sessão sem presidência. Embora o regimento interno pudesse ter resolvido o impasse, Dollfuss usou a oportunidade para declarar que o Parlamento havia deixado de funcionar e bloqueou todas as tentativas de convocá-lo novamente. Forças policiais isolaram o prédio do Parlamento para impedir a entrada de seus membros. Desse modo, o SDAPÖ perdeu sua principal plataforma de ação política. Os social-cristãos, pressionados e enfrentando violência não apenas da esquerda, mas também de nazistas que se infiltravam a partir da Alemanha, governaram por decreto com base em uma lei de emergência de 1917. Eles começaram a suspender liberdades civis e prender membros do Partido Social-Democrata.

Em meio a confrontos armados, o Partido Comunista da Áustria (KPÖ) foi banido em 26 de maio de 1933, assim como a Liga de Proteção Republicana do SDAPÖ, em 31 de maio.

Dollfuss, a Frente Patriótica e a Heimwehr então começaram a destruir os últimos vestígios do movimento operário social-democrata e marxista. Em 24 de janeiro de 1934, foi dada a ordem para revistar edifícios do partido e residências de membros à procura de armas da Liga de Proteção. A liderança do SDAPÖ não reagiu ao desmantelamento gradual e ao desarmamento de seu movimento. A política central do partido previa resistir somente se o partido fosse banido, os sindicatos fossem dissolvidos ou o governo da "Viena Vermelha" fosse suprimido.

Nas primeiras horas da manhã de 12 de fevereiro de 1934, quando a polícia foi procurar armas na sede do partido social-democrata em Linz (no Hotel Schiff), membros da Liga de Proteção, sob o comando local de Richard Bernaschek, abriram fogo. Um telegrama codificado da liderança do SDAPÖ, avisando urgentemente Bernaschek para não tomar medidas e aguardando a decisão da liderança, foi interceptado pelas autoridades e nunca chegou até ele.

Os confrontos se espalharam para outras cidades e vilarejos da Áustria. Em Viena, membros da Liga de Proteção se entrincheiraram em conjuntos habitacionais municipais (Gemeindebauten), que eram símbolos e redutos do movimento socialista na Áustria. A polícia e paramilitares tomaram posições do lado de fora dos complexos fortificados, e ambas as partes trocaram tiros de armas leves. Também houve conflitos em cidades industriais, incluindo Steyr, Sankt Pölten, Weiz, Eggenberg (Graz), Kapfenberg, Bruck an der Mur, Graz, Ebensee e Wörgl.

Um momento decisivo ocorreu quando o Exército austríaco, que até então se mantivera relativamente independente, tomou partido do governo. Dollfuss ordenou o bombardeio do Karl-Marx-Hof, um conjunto habitacional, com artilharia leve, colocando em risco civis e destruindo diversos apartamentos antes de os combatentes socialistas se renderem. Os combates terminaram em Viena e na Alta Áustria em 13 de fevereiro, mas continuaram em cidades da Estíria, especialmente em Bruck an der Mur e Judenburg, até 14 de fevereiro. Em 15 de fevereiro de 1934, a Guerra Civil Austríaca havia acabado.

A polícia, o Exército e as divisões da Heimwehr que lhes deram apoio derrotaram a Liga de Proteção, que era mal articulada, de forma relativamente fácil. Entre 10 000 e 20 000 trabalhadores enfrentaram uma força superior de quase 60 000 homens da gendarmaria, da polícia, do Exército e da guarda doméstica. Além do desequilíbrio numérico e do uso de artilharia pelo Exército austríaco, a principal razão para o colapso do levante foi possivelmente o fracasso do chamado à greve geral, que não foi atendido. A esperada solidariedade das forças de segurança com os insurgentes também não ocorreu. Exército, polícia e gendarmaria permaneceram leais ao Estado.

Em grande parte do país (Baixa Áustria, Caríntia, Salzburgo, Tirol, Vorarlberg e Burgenland), prevaleceu relativa calmaria. Os principais social-democratas na Caríntia e em Vorarlberg se distanciaram do levante logo no início. O prefeito de Klagenfurt e o vice-governador da Caríntia anunciaram suas renúncias ao SDAPÖ.

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