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Guerra Civil Chinesa

Guerra civil na China de 1927–1949

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A Guerra Civil Chinesa (1927–1937; 1946–1949) foi uma série de conflitos entre forças chinesas nacionalistas lideradas pelo Partido Nacionalista da China (KMT) contra as comunistas lideradas pelo Partido Comunista da China (PCCh), que se arrastaram por toda década de 1930 e 1940.

Este é o ultimo conflito interno de larga escala na China foi divido, historicamente, em duas fases. A primeira fase da Guerra Civil Chinesa se inicia em 1º de Agosto de 1927 enquanto a Revolução Comunista Chinesa, referida como a fase final ocorrida após o término da Segunda Guerra Mundial, se iniciou em Novembro de 1945. A Guerra Civil Chinesa é também a terceira e ultima fase da Revolução Chinesa, divida entre Revolução Xinhai em 1911, Revolução Nacionalista Chinesa de 1921 e este ultimo. O conflito se inicia com a Revolta de Nanchang, depois do Partido Comunista da China (PCCh), se declarar independente do Partido Nacionalista da China (KMT) e romper a Primeira Frente Unida, a causa disso é de que Chiang Kai-shek havia expurgado o Governo Nacional de Wuhan no chamado Golpe de Wuhan em Abril de 1927. Wuhan era um governo rival de Chiang controlado pela ala esquerda do KMT, na qual o PCCh pertencia. A Guerra civil foi finalizada, de jure, em 1º de Outubro de 1949 com a Proclamação da República Popular da China, o que é relativo já que o governo nacionalista apenas se moveu para Taiwan e deixou batalhões inteiros lutando guerrilhas na China Continental até 1960.

Na primeira fase da Guerra Civil (1927 a 1937), o Partido Nacionalista da China, também denominado Kuomintang, havia organizado em 1917 um governo revolucionário no sul da China para se opor aos senhores da guerra, com apoio do Partido Comunista da China, fundado em 1921 e que era integrado ao partido nacionalista. Em Março de 1925, o líder nacionalista, Sun Yat-sen, faleceu e se irrompeu uma rivalidade entre as facções do Partido Nacionalista da China, entre a esquerda, apoiada pelo Partido Comunista e a direita que estava sendo liderada pelo recém eleito líder, Chiang Kai-Shek. Após o Massacre de Xangai de 1927, a esquerda criou um governo paralelo sediado em Wuhan, o Governo Nacional de Wuhan, que foi dissolvido após o Golpe de Wuhan que resultou em um segundo expurgo contra os comunistas. Os comunistas então se separaram do partido nacionalista e a partir da Revolta de Nanchang, vários levantes foram feitos e organizados pelos comunistas: O poder comunista foi então melhor estabelecido na área rural, utilizando táticas de guerrilha para neutralizar a força nacionalista, que era superior. Após uma campanha de três anos, Chiang finalmente conseguiu destruir os sovietes de Jiangxi (bases rurais comunistas no sul da China) criados por Mao Tsé-Tung, mas após a Grande Marcha (1934-1935), os comunistas conseguiram reinstalar-se em Yan'an, no norte do país.

Os confrontos entre os dois lados reduziram-se com a invasão japonesa de 1937, focando na resistência contra o Japão e na campanha para dissolver o Regime de Wang Jingwei, e até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, uma difícil trégua foi mantida através da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, enquanto se lutava contra um inimigo comum. A violência interna irrompeu logo após o final da guerra, ressurgindo em uma base muito maior em abril de 1946 — depois de o general norte-americano George Marshall ter fracassado em conseguir um acordo estável. Durante o primeiro ano do conflito, as tropas nacionalistas obtiveram ganhos territoriais, incluindo a capital comunista de Yan'an. Em Novembro de 1945 os conflitos apareceram novamente, mas foi em Abril de 1946 que a guerra civil, oficialmente, se reiniciou. Com apoio da ocupação soviética na Manchúria após a Operação Tempestade de Agosto e a entrega de armas japonesas ao PCCh, além de erros estratégicos cometidos pelo KMT entre 1945 e 1947, vitórias passaram a ser acumuladas rapidamente, diminuindo a confiança das forças nacionalistas, não só no exército mas também em sua administração, e no final de 1947 uma vitoriosa contra-ofensiva comunista estava a caminho. A República Popular da China foi proclamada no dia 1º de outubro de 1949 e a vitória comunista completou-se quando o Kuomintang bateu em uma retirada estratégica de Chongqing para Taiwan, em dezembro daquele ano.

Até 1924, quando as forças nacionalistas e comunistas se uniram de fato. A China passava por um intenso conflito interno entre as forças revolucionárias do médico Sun Yat-sen, líder do Partido Nacionalista da China e fundador da República da China, que criava um governo paralelo ao sul e os senhores da guerra do Governo de Beiyang, que tinham tomado o controle do governo da República da China, após a morte do então imperador chinês - e anteriormente presidente - Yuan Shikai e a divisão do Exército de Beiyang. As potências ocidentais ignoraram os esforços do líder nacionalista para atrair ajuda, que obteve apenas um pequeno e fraco apoio do Império Alemão enquanto o mesmo ainda existia até o fim da Primeira guerra Mundial; As potências ocidentais procuravam manter suas concessões e ocupações na China como Xangai. Fazendo com que em 1921, Sun Yat-sen volta-se para a União Soviética, que ofereceu apoio em troca de uma Frente Unida com o recém fundado Partido Comunista da China. O Partido Comunista da China era integrado ao Partido Nacionalista da China, e cooperava com as atividades nacionalistas tanto antes quanto durante a Primeira Frente Unida;

A Relação entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista

Durante os anos em que Sun Yat-sen esteve vivo e os primeiros anos da liderança de Chiang Kai-Shek, a ideologia socialista era presente tanto no Kuomintang, de forma não alinhada a URSS ou ao Marxismo, quanto no Partido Comunista Chinês. Além de que, o Partido Comunista Chinês compartilhava dos Três Princípios do Povo de forma muito mais presente em sua ideologia do que o Marxismo-Leninismo no ínicio de existência dele, onde vários filiados do Partido Comunista possuíam uma forte influencia do Partido Nacionalista, como por exemplo, Mao Zedong e Zhou Enlai.

Em 1924, durante o 1º Congresso do Kuomintang, em uma declaração conjunta em Xangai de Sun e um representante soviético a União Soviética se comprometeu a ajudar na unificação nacional da China. Conselheiros soviéticos — o mais importante dos quais, Mikhail Borodin, um agente da Komintern — começaram a chegar para dar apoio ao Partido Nacionalista. O Partido Comunista recebeu as instruções da Komintern para cooperar com o Partido Nacionalista e os seus membros foram encorajados a se juntar a eles, desde que as partes mantivessem suas identidades, formando assim a Primeira Frente Unida entre as duas partes. O Partido Comunista era um agrupamento pequeno na época: tinha 300 membros em 1922 e em 1925 possuía apenas 1 500 militantes. O Partido Nacionalista possuía 150 000 soldados em 1922 e desde 1912 era um dos maiores grupos de cunho politico na China. Conselheiros soviéticos ajudaram os nacionalistas a criar um instituto de políticas para a formação de propagandistas em técnicas de mobilização de massas e em 1923 Chiang Kai-shek é enviado a Moscou para a realização de estudos políticos e militares durante vários meses. Chiang havia sido um dos tenentes de Sun Yat-sen, desde os tempos da Sociedade da Aliança, o movimento político precursor do Partido Nacionalista. Ao retornar no final de 1923, Chiang Kai-shek, apoiado por Stalin que dizia que ele era o melhor general para derrotar as forças imperialistas, participou da criação da Academia Militar de Whampoa fora de Cantão, cidade sede do governo durante a aliança KMT-PCC. Em 1924, Chiang Kai-shek passa a liderar a academia e começa sua ascensão ao cargo de sucessor de Sun Yat-sen como líder do partido nacionalista e unificador de toda a China sob o governo nacionalista.

A Morte de Sun Yat-sen e o Cisma do Kuomintang

Apenas alguns meses depois da morte repentina de Sun por câncer, Chiang Kai-shek, apontado como Presidente da República da China e Líder do partido nacionalista durante as 4.ª e 5.ª sessões do 2.º Congresso Nacional do Kuomintang, já na sua autoridade como o comandante-em-chefe do Exército Revolucionário, iniciou a Expedição do Norte, que há muito era adiada devido a falta de recursos e dinheiros do Kuomintang posterior a o apoio da União Soviética, que foi uma ação contra os senhores da guerra e pretendia a unificação da China de uma vez. Em 1926, o Partido Nacionalista foi se dividido entre facções de esquerda e direita, a principal figura de direta do partido era o Chiang Kai-Shek que, a esta altura, havia deixado seu pensamento socialista, por outro lado, a ala esquerda do partido havia figuras politica relevantes como Wang Jingwei, Lin Sen e a própria viuva de Sun Yat-sen, Soong Ching-ling, que detinham o apoio reciproco do partido comunista. Em março de 1926, após abortar uma tentativa de rapto, Chiang Kai-shek despediu seus consultores soviéticos, impôs restrições à participação dos membros do partido comunista na liderança, e ascendeu como líder proeminente do Partido Nacionalista. A União Soviética, ainda querendo evitar uma cisão entre Chiang e o Partido Comunista, ordenou que os comunistas facilitassem a Expedição do Norte, através de atividades clandestinas. A expedição foi finalmente iniciada por Chiang em Guangzhou, em Julho de 1926. A princípios de 1927, a rivalidade entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista levou a uma ruptura nas fileiras revolucionárias a medida que o Partido Comunista e a facção esquerdista do Partido Nacionalista decidiram-se transferir a sede do governo nacionalista de Guangzhou a Wuhan sobre a liderança de Wang Jingwei, favoravel a união com o Partido Comunista, Mas Chiang, cuja Expedição do Norte estava resultando em êxito, ordenou às suas tropas destruir o aparato do Partido Comunista em Xangai. Chiang, com a ajuda do submundo de Xangai, alegando que as atividades comunistas eram socialmente e economicamente destrutivas, pegou de surpresa os comunistas e sindicalistas, em Xangai, prendendo e executando centenas deles em 12 de abril de 1927. O expurgo aprofundou o abismo entre Chiang e o governo de Wuhan de Wang Jingwei e destruindo também a base urbana do Partido Comunista. Chiang, expulso do Partido Nacionalista por estes eventos, estabeleceu um governo rival em Nanquim. Naquela época a China teve três capitais: o regime dos senhores da guerra reconhecido internacionalmente e com sede em Pequim, os comunistas e esquerdistas do Partido Nacionalista em Wuhan, e o regime civil-militar de direita em Nanquim, que continuaria sendo a capital nacionalista durante a próxima década.

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