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Guerra Imjin

A Guerra Imjin foi um conflito armado travado entre 1592 e 1598 na qual se envolveram três países asiáticos: Japão, Chin

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A Guerra Imjin foi um conflito armado travado entre 1592 e 1598 na qual se envolveram três países asiáticos: Japão, China e Coreia. O regente japonês Toyotomi Hideyoshi, um dos "grandes pacificadores do Japão", decidiu conquistar a China, e solicitou a assistência da dinastia Joseon, assim como livre trânsito através da Península Coreana. Uma vez que a Coreia era um país vassalo da dinastia Ming, tal pedido foi rejeitado. Hideyoshi, então, começou a preparar as tropas e convocou daimyō (senhores feudais) distintos para a invasão do país, que foi iniciada em 1592.

Depois de um rápido e eficaz avanço das tropas japonesas pelo território coreano, a campanha naval do Almirante Yi cortou o fornecimento de recursos para os invasores, obrigando-os a parar seu avanço. A milícia coreana, junto com a intervenção do exército chinês, obrigou o governo japonês a iniciar relações de paz com a China em 1593. Após os pedidos de Hideyoshi terem sido negados, a guerra entrou em uma nova fase em 1597, quando se retomaram as hostilidades. O confronto terminou em 1598 com a retirada total das tropas invasoras seguinte a morte de Hideyoshi.

Ainda que geralmente sejam consideradas como duas invasões isoladas, na verdade houve presença japonesa durante o período entre as invasões, fazendo com que alguns historiadores considerem o conflito como uma só guerra.

Este acontecimento foi o primeiro na Ásia a utilizar exércitos com números elevados de soldados portando armas modernas e representou um dano severo para a Coreia. Este país sofreu a perda de 66% de suas terras cultiváveis e a extração forçada de artesões e acadêmicos ao Japão, levando ao desenvolvimento da ciência naquele país. Outra perda importante aconteceu no aspecto histórico e cultural, uma vez que muitos registros foram queimados junto com vários palácios imperiais em Seul. China viu exauridas as suas finanças e, como consequência, a dinastia Ming ficou significativamente debilitada. Isto facilitaria a ascensão ao poder da dinastia Qing.

Este conflito é conhecido por vários nomes, entre eles: "Invasões de Hideyoshi à Coreia", "Guerra dos Sete Anos", "Invasões Japonesas na Coreia" ou "Guerra Renchen para defender a Nação". O enfrentamento recebe este último título, assim como Guerra Imjin, por ter acontecido durante o ano conhecido como "Renchen" ou "Imjin" do ciclo sexagenário na China e na Coreia, respectivamente.

Em coreano, a primeira invasão foi conhecida como Rebelião dos piratas japoneses de Imjin (Imjin Waeran) — uma vez que 1592 foi o ano Imjin (임진), segundo o ciclo sexagenário. A invasão nunca foi chamada pelos historiadores coreanos da época como "guerra", pois consideravam seu país como um povo superior ao Japão. A segunda invasão ficou conhecida como Segunda guerra de Jeong-yu.

No lado japonês, a primeira invasão ficou conhecida como Guerra de Bunroku (文禄の役, Bunroku no eki), pois aconteceu precisamente durante a era japonesa de Bunroku (1592 - 1596). A segunda invasão foi conhecida como Guerra de Keichō (慶長の役, Keichō no eki).

Em chinês, a guerra é conhecida como Guerra Renchen para defender a Nação (pelo mesmo motivo que na Coreia; o nome do ano correspondente a 1592 no ciclo sexagenário é conhecido naquele país como Renchen) ou como Campanha de Wanli na Coreia, em homenagem ao imperador reinante.

Coreia e China antes da guerra

Em 1392, o general coreano Yi Seong-gye liderou um golpe de estado para derrubar o Rei U da dinastia Goryeo, estabelecendo assim a Dinastia Joseon. Esta dinastia recebeu o reconhecimento da China e se integrou ao seu sistema tributário sob o preceito conhecido como Mandato do céu, uma filosofia através da qual justificavam a legitimidade ou ilegitimidade de um governo.

Tanto a dinastia coreana de Joseon como a Ming da China compartilhavam muitos aspectos: ambas emergiram durante o século XIV com a queda do governo mongol, ambas estabeleceram os princípios do confucionismo como ideais de sociedade e governo, além de lutarem contra ameaças estrangeiras similares (como os piratas jurchen ou os piratas japoneses wakō). Internamente, tanto China como Coreia sofriam com disputas entre as diversas facções políticas. Este fator teve uma influência considerável nas decisões tomadas pelo governo coreano antes da guerra e pelo governo chinês durante a guerra. A dependência econômica mútua, assim como os inimigos em comum, resultou em uma relação amistosa e próspera entre os países.

No final do século XVI, Toyotomi Hideyoshi, seguindo os passos de seu antigo senhor, Oda Nobunaga, havia conseguido unificar o Japão momentaneamente, o que significou um breve período de paz. Uma vez que Hideyoshi não possuía uma ascendência real nem era procedente de nenhum dos clãs japoneses históricos, nunca lhe foi atribuído o título de shōgun (将軍); ao invés disso, recebeu um título menor: o de kanpaku (関白, regente). Por esta razão, buscou legitimar seu governo através do poder militar e ao mesmo tempo reduzir a dependência quanto ao Imperador do Japão. Algumas fontes afirmam que Hideyoshi planejou a invasão à China para cumprir a missão de Nobunaga, assim como para diminuir o risco de uma possível rebelião interna devido ao excesso de samurais e soldados no país. Outra possível motivação de Hideyoshi era a de subjugar os estados vizinhos menores (por exemplo Ryūkyū, Luzon, Taiwan e Coreia).

A derrota do clã Hōjō tardio em 1590 finalmente levou o país a uma segunda etapa de "pacificação", e assim Hideyoshi começou os preparativos para a batalha seguinte. No início de março de 1591, o daimyō de Kyūshū construiu o Castelo de Nagoya, o qual foi planejado para ser o centro de mobilização das tropas invasoras. Em 1592, Hideyoshi enviou uma carta às Filipinas demandando tributo e afirmando que o Japão já o recebia da Coreia e do Reino de Ryukyu.

Como preparativo para a guerra, desde o início de 1586 havia começado a construção de 2 000 barcos. Para ter uma ideia da força militar coreana, Hideyoshi enviou uma força de ataque de 26 barcos à costa do sul da Coreia em 1587. A partir deste ataque concluiu que a armada coreana era incompetente. No campo diplomático, Hideyoshi tratou de favorecer relações amistosas com a China e ajudou a vigiar as rotas de comércio contra os piratas wakō.

Relações diplomáticas entre Japão e Coreia

Em 1587, durante o reinado do Rei Seonjo, Hideyoshi enviou Tachibana Yasuhiro à Coreia com o objetivo de restabelecer as relações diplomáticas rompidas desde 1555 devido a um grande ataque pirata japonês. Com o restabelecimento destas, Hideyoshi esperava poder induzir a Corte Yi a se unir ao Japão em uma guerra contra a China. Yasuhiro — um samurai com uma atitude desafiante quanto aos oficiais coreanos e seus costumes, que os considerava bárbaros — não logrou êxito em receber a promessa de futuras missões diplomáticas por parte da Coreia. Em cerca de 1589, uma segunda embaixada de Hideyoshi encabeçada por Sō Yoshitoshi (ou Yoshitomo) chegou à Coreia e obteve garantias para serem recebidos em troca de rebeldes coreanos que haviam se refugiado no Japão.

Em abril de 1590, os embaixadores coreanos Hwang Yun-gil e Kim Saung-il, entre outros, partiram rumo à Kioto, onde tiveram que esperar por cerca de dois meses enquanto Hideyoshi concluía a campanha de Odawara contra os Hōjō. Em seu regresso, trocaram presentes cerimoniais e lhe entregaram uma carta do Rei Seonjo. Hideyoshi tinha presumido que os embaixadores haviam chegado para pagar vassalagem, porque não os recebeu com o tratamento oficial requerido em assuntos diplomáticos. Por fim, os embaixadores coreanos solicitaram uma resposta de Hideyoshi a carta do Rei da Coreia, uma vez que tiveram que esperar 20 dias na porta de Sakai. Na carta, Hideyoshi comunicou formalmente sua intenção de que a Coreia se submetesse ao Japão e o apoiasse em sua guerra contra a China.

Com o regresso dos embaixadores, a corte Yi promoveu uma série de discussões relacionadas ao convite japonês. Enquanto que Hwang Yun-gil entregou a Corte seus cálculos quanto à força militar que o Japão possuía, Kim Saung-il afirmou que a ameaça de Hideyoshi não era real. Além disso, muitos consideraram que o Japão não possuía uma força suficiente para iniciar uma guerra. Ainda que o Rei Seonjo tenha considerado inicialmente que os Ming deviam ser informados das intenções japonesas, para evitar suspeitas que poderiam comprometer o país como aliado do Japão, por fim decidiu esperar o decorrer dos acontecimentos.

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