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Guerra Russo-Ucraniana

Guerra em curso na Europa Oriental desde 2014

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Guerra Russo-Ucraniana (em ucraniano: російсько-українська війна, transl. rosiisko-ukrainska viina) é um conflito contínuo e prolongado que começou em fevereiro de 2014, envolvendo principalmente a Rússia, forças pró-russas e a Ucrânia; concentrada na península da Crimeia e partes do território de Donbas, que são internacionalmente reconhecidas como parte do território ucraniano. As tensões entre a Rússia e a Ucrânia explodiram especialmente de 2021 a 2022, quando ficou claro que a Rússia estava considerando lançar uma invasão militar da Ucrânia. Em fevereiro de 2022, a crise se aprofundou e as negociações diplomáticas para subjugar a Rússia falharam; isso aumentou quando a Rússia moveu forças para as regiões controladas pelos separatistas em 22 de fevereiro de 2022.

Após os protestos do Euromaidan e a subsequente remoção do presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Ianukovytch em 22 de fevereiro de 2014, e em meio a agitação pró-Rússia na Ucrânia, soldados russos sem insígnias assumiram o controle de posições estratégicas dentro do território ucraniano da Crimeia. Em 1 de março de 2014, o Conselho da Federação da Federação da Rússia adotou por unanimidade uma resolução para fazer uma petição ao presidente russo Vladimir Putin para usar a força militar na Ucrânia. A resolução foi adotada vários dias depois, após o início da operação militar russa no "Retorno da Crimeia". A Rússia então anexou a Crimeia após um referendo local amplamente criticado que foi organizado pela Rússia após a captura do Parlamento da Crimeia, cujo resultado foi a adesão da República Autônoma da Crimeia à Federação da Rússia. Em abril, manifestações de grupos pró-Rússia na área de Donbas, na Ucrânia, se transformaram em uma guerra entre o governo ucraniano e as forças separatistas apoiadas pela Rússia das autodeclaradas "repúblicas populares" de Donetsk e Lugansk. Em agosto, veículos militares russos cruzaram a fronteira em vários locais do oblast de Donetsk. A incursão dos militares russos foi vista como responsável pela derrota das forças ucranianas no início de setembro.

A maioria dos membros da comunidade internacional e organizações como a Anistia Internacional condenaram a Rússia por suas ações na Ucrânia pós-revolucionária, acusando-a de violar o direito internacional e violar a soberania ucraniana. Muitos países implementaram sanções econômicas contra a Rússia, indivíduos ou empresas russas. Em fevereiro de 2019, 7% do território da Ucrânia foi classificado pelo governo ucraniano como territórios ocupados temporariamente pelos russos.

Em junho de 2025, o presidente russo Vladimir Putin afirmou publicamente que "os russos e ucranianos são um só povo" e declarou que, "nesse sentido, toda a Ucrânia é nossa".

Ucrânia Independente e a Revolução Laranja

Após a dissolução da União Soviética (URSS) em 1991, a Ucrânia e a Rússia mantiveram laços estreitos. Em 1994, a Ucrânia assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e concordou em renunciar às armas nucleares na Ucrânia herdadas da União Soviética. Em contrapartida, a Rússia, o Reino Unido e os Estados Unidos concordaram em respeitar a integridade territorial e a independência política da Ucrânia por meio do Memorando de Budapeste sobre Garantias de Segurança.

Em 1999, a Rússia foi uma das signatárias da Carta para a Segurança Europeia, que garante o direito de cada Estado “de escolher ou alterar seus arranjos de segurança” e de ingressar em alianças, se assim desejarem. Nos anos seguintes à dissolução da URSS, vários países do antigo Bloco do Leste aderiram à OTAN, em parte em resposta a ameaças à segurança regional envolvendo a Rússia, tais como a Crise Constitucional Russa de 1993, a Guerra na Abecásia (1992–1993) e a Primeira Guerra Chechena (1994–1996). Putin afirmou que as potências ocidentais quebraram promessas de não permitir a adesão de nenhum país da Europa Oriental.

A eleição presidencial ucraniana de 2004 foi controversa. Durante a campanha eleitoral, o candidato da oposição Viktor Iushtchenko foi envenenado por dioxina TCDD. Ele posteriormente acusou a Rússia de envolvimento.

Viktor Ianukovytch foi declarado o vencedor, apesar das alegações de fraude eleitoral por observadores. Durante um período de dois meses, que ficou conhecido como a Revolução Laranja, grandes protestos pacíficos desafiaram com sucesso o resultado, e o Supremo Tribunal da Ucrânia anulou o resultado devido à ampla fraude eleitoral. Uma nova eleição foi vencida por Iushtchenko, deixando Ianukovytch na oposição.

A Revolução Laranja é frequentemente agrupada com outros movimentos de protesto do início do século XXI dentro da ex-URSS, conhecidos como revoluções coloridas. De acordo com Anthony Cordesman, oficiais militares russos viam essas revoluções coloridas como tentativas dos Estados Unidos e dos países europeus de minar a Rússia.

Na cúpula de Bucareste de 2008, a Ucrânia e a Geórgia buscaram ingressar na OTAN, mas os membros da aliança ficaram divididos. Países da Europa Ocidental se opuseram à oferta de Planos de Ação para Adesão (MAP) para a Ucrânia e a Geórgia, temendo que isso desestabilizasse a Rússia. A OTAN recusou-se a oferecer os MAPs para a Ucrânia e a Geórgia, mas também emitiu uma declaração concordando que “esses países se tornarão membros da OTAN” em algum momento. Em janeiro de 2022, a possibilidade de a Ucrânia ingressar na OTAN permanecia remota.

Ianukovytch venceu a eleição presidencial ucraniana de 2010.

Euromaidan e Revolução da Dignidade

No início de 2013, o parlamento ucraniano aprovou por ampla maioria a finalização de um acordo de livre comércio e associação com a União Europeia (UE). O Kremlin pressionou a Ucrânia a rejeitar esse acordo; a Rússia impôs embargo aos produtos ucranianos e ameaçou com sanções adicionais. O assessor do Kremlin, Serguei Glaziev, alertou que a Rússia poderia deixar de reconhecer as fronteiras da Ucrânia se o acordo fosse assinado.

Isso desencadeou uma onda de protestos maciços, conhecidos como o "Euromaidan". Os manifestantes se opuseram à interferência russa, à corrupção governamental, ao abuso de poder e às violações dos direitos humanos, incluindo as novas leis anti-protesto.

Os protestos levaram à Revolução da Dignidade. Em 18–20 de fevereiro de 2014, mais de 100 manifestantes foram mortos em confrontos com a polícia especial Berkut; a maioria foi abatida por atiradores de elite. Em 21 de fevereiro, Ianukovytch e os líderes da oposição assinaram um acordo para estabelecer um governo de unidade interina, implementar mudanças constitucionais urgentes (que precisavam ser assinadas pelo presidente) e realizar eleições antecipadas. No entanto, naquela noite, Ianukovytch fugiu da capital e não informou ao parlamento sobre seu paradeiro. No dia seguinte, o parlamento ucraniano votou por unanimidade para destituir Ianukovytch do cargo (cerca de 73% dos 450 membros do parlamento votaram).

Em 27 de fevereiro, foi estabelecido um governo interino e agendadas eleições presidenciais antecipadas. No dia seguinte, Ianukovytch reapareceu na Rússia e declarou que continuava sendo o presidente da Ucrânia. Alguns líderes políticos das regiões predominantemente de língua russa do leste declararam lealdade contínua a Ianukovytch.

Desde o final de fevereiro de 2014, manifestações de grupos pró-russos, separatistas e contrarrevolucionários ocorreram em várias cidades do leste e do sul da Ucrânia. Os primeiros protestos foram, em grande parte, expressões nativas de descontentamento com o novo governo ucraniano.

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