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Guerra das Rosas

Guerras dinásticas ocorridas na Inglaterra de 1455 a 1485

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As Guerras das Rosas (em inglês: Wars of the Roses) conhecidas na época e nos séculos seguintes como "as Guerras Civis", foram uma série de guerras civis travadas pelo controle do trono inglês de 1455 a 1487. As guerras ocorreram entre os apoiadores da Casa de Lencastre e da Casa de Iorque, dois ramos rivais da Casa Real dos Plantagenetas. O conflito resultou no fim da linhagem masculina dos Lencastre em 1471, deixando a família Tudor herdar sua reivindicação ao trono através da linhagem feminina. O conflito foi amplamente encerrado com a união das duas casas por meio de um casamento, criando a dinastia Tudor que governaria a Inglaterra posteriormente.

As Guerras das Rosas estavam enraizadas nos problemas socioeconômicos da Inglaterra causados pela Guerra dos Cem Anos (1337–1453) contra a França, bem como pelo feudalismo bastardo quase militar resultante dos poderosos ducados criados pelo rei Eduardo III. A instabilidade mental do rei Henrique VI, da Casa de Lencastre, reacendeu o interesse de seu primo Ricardo, Duque de Iorque, em reivindicar o trono. A guerra começou em 1455, quando Iorque capturou Henrique na Primeira Batalha de St. Albans, após a qual Iorque foi nomeado Lorde Protetor pelo Parlamento. Os combates recomeçaram quatro anos depois, quando os iorquistas, liderados por Ricardo Neville, Conde de Warwick, capturaram Henrique novamente na Batalha de Northampton. Após tentar tomar o trono, Iorque foi morto na Batalha de Wakefield e seu filho Eduardo herdou sua reivindicação com base no controverso Ato de Acordo. Os iorquistas perderam a custódia de Henrique em 1461 após a Segunda Batalha de St. Albans, mas derrotaram os lancastrianos na Batalha de Towton. Eduardo, o iorquista, foi formalmente coroado em junho de 1461.

Em 1464, Eduardo se casou com Isabel Woodville contra o conselho de Warwick e reverteu a política de Warwick de buscar laços mais estreitos com a França. Warwick se rebelou contra Eduardo em 1469, levando à prisão de Eduardo após os apoiadores de Warwick derrotarem um exército iorquista na Batalha de Edgcote. Eduardo foi autorizado a retomar seu governo depois que Warwick falhou em substituí-lo por seu irmão, Jorge, Duque de Clarence. Em menos de um ano, Warwick lançou uma invasão à Inglaterra ao lado de Margarida de Anjou, esposa de Henrique VI. Eduardo fugiu para Flandres e Henrique VI foi restaurado como rei em 1470. Eduardo montou uma contra-invasão com ajuda da Borgonha alguns meses depois e matou Warwick na Batalha de Barnet. Henrique foi devolvido à prisão, e seu único herdeiro foi posteriormente morto por Eduardo na Batalha de Tewkesbury, seguido pela própria morte de Henrique na Torre de Londres, possivelmente por ordem de Eduardo. Eduardo governou sem oposição pelos doze anos seguintes, durante os quais a Inglaterra desfrutou de um período de relativa paz. Com sua morte em abril de 1483, foi sucedido por Eduardo V, de 12 anos, que reinou por 78 dias até ser deposto por seu tio Ricardo III.

Ricardo assumiu o trono em meio a controvérsias sobre o desaparecimento dos dois filhos de Eduardo IV. Ele enfrentou uma revolta breve, mas significativa, e uma onda de deserções iorquistas. Em meio ao caos, Henrique Tudor, um descendente de Eduardo III por meio de Lady Margarida Beaufort e um veterano lancastriano, retornou do exílio com um exército e derrotou e matou Ricardo na Batalha de Bosworth Field em 1485. Tudor então assumiu o trono inglês como Henrique VII e uniu as casas rivais por meio do casamento com Isabel de Iorque, a filha mais velha e herdeira de Eduardo IV. As guerras foram concluídas em 1487, com a derrota da oposição iorquista restante por Henrique VII na Batalha de Stoke Field. A Casa de Tudor governaria a Inglaterra até 1603, um período que marcou o fortalecimento da monarquia e o fim da era medieval inglesa.

A designação "Guerras das Rosas" é retrospectiva e pode simplificar uma realidade política mais fluida do que a imagem de dois campos permanentes sugere. O nome associa o conflito à rosa branca, emblema relacionado à Casa de Iorque, e à rosa vermelha, posteriormente associada à Casa de Lencastre. Essas imagens tornaram-se uma representação popular da disputa dinástica, mas não devem ser entendidas como se todos os participantes tivessem usado, durante todo o período, apenas um símbolo fixo que os identificasse de modo uniforme. Nobres medievais podiam adotar diversos emblemas pessoais e familiares, além de insígnias relacionadas aos senhores a quem serviam.

A associação entre rosas e facções foi reforçada por relatos e representações posteriores. A rosa Tudor, que combina os elementos vermelho e branco, tornou-se um símbolo da nova dinastia depois da vitória de Henrique VII e de seu casamento com Isabel de Iorque. A imagem comunicava a pretensão de reunir as duas linhas dinásticas, embora não significasse que as rivalidades políticas tivessem desaparecido imediatamente.

Antecedentes dinásticos e políticos

A origem genealógica das reivindicações remonta a Eduardo III, rei entre 1327 e 1377. Entre seus filhos adultos estavam Lionel de Antuérpia, duque de Clarence; João de Gante, duque de Lencastre; e Edmundo de Langley, duque de Iorque. As casas envolvidas nas guerras descendiam de diferentes ramos dessa família, mas a ordem de nascimento, a legitimidade das linhas de descendência, os precedentes políticos e as decisões tomadas por reis e parlamentos tornavam a sucessão uma questão contestada, e não um simples cálculo genealógico.

A Casa de Lencastre chegou ao trono quando Henrique de Bolingbroke, filho de João de Gante, depôs seu primo Ricardo II em 1399. Henrique justificou a tomada do poder por uma combinação de argumentos dinásticos e políticos, mas a deposição de um rei hereditário deixou um precedente controverso. Seus descendentes conservaram a Coroa durante o reinado de Henrique V, conhecido pelas campanhas na França, e nos primeiros anos do reinado de seu filho, Henrique VI.

A Casa de Iorque descendia de Edmundo de Langley por linha masculina e também possuía uma ligação genealógica, por linha feminina, com Lionel de Antuérpia, irmão mais velho de João de Gante. Essa segunda conexão serviu de base para uma reivindicação ao trono que, em determinados critérios de sucessão, podia parecer superior à linhagem lancastriana. No século XV, porém, não existia um procedimento sucessório que eliminasse toda a disputa: a legitimidade também dependia de reconhecimento político, apoio aristocrático, decisões parlamentares e capacidade de manter o governo.

A crise do reinado de Henrique VI

Henrique VI ascendeu ao trono em 1422, ainda bebê, após a morte de Henrique V. Durante sua menoridade, o reino foi governado por conselhos e magnatas. As conquistas inglesas na França feitas no reinado de seu pai foram progressivamente perdidas, e as derrotas inglesas finais na Guerra dos Cem Anos, em 1453, deixaram a Inglaterra sem a maior parte de seus territórios continentais, com exceção de Calais. A derrota militar prejudicou o prestígio da monarquia e alimentou disputas sobre os responsáveis pelas decisões do governo.

Em 1453, Henrique VI sofreu um grave episódio de incapacidade mental e deixou de exercer efetivamente o governo por um período. Ricardo, duque de Iorque, foi nomeado protetor do reino em 1454. A situação mudou quando o rei recuperou parte de suas funções e os partidários da rainha Margarida de Anjou tentaram afastar Ricardo da influência política. As disputas em torno do conselho régio, do acesso ao monarca e da política militar converteram tensões aristocráticas em confrontos armados.

Os historiadores não atribuem as guerras a uma causa única. A disputa dinástica forneceu uma linguagem para reivindicar a Coroa, mas a eclosão e a duração dos conflitos também dependeram do funcionamento do governo, das relações entre o rei e os grandes senhores, das rivalidades locais, dos resultados da guerra na França e da capacidade de cada facção de reunir recursos militares. A importância relativa desses fatores continua sendo objeto de debate historiográfico.

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