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Guerra de Independência Argelina

A Guerra de Independência Argelina, também conhecida como Revolução Argelina ou Guerra da Argélia (em árabe: الثورة الجز

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A Guerra de Independência Argelina, também conhecida como Revolução Argelina ou Guerra da Argélia (em árabe: الثورة الجزائرية‎ – Ath-Thawra Al-Jazā’iriyya; em francês: Guerre d'Algérie), foi um movimento de libertação nacional da Argélia do domínio francês, que tomou curso entre 1954 e 1962. Como uma guerra de independência e de descolonização, opôs os nacionalistas argelinos - principalmente unidos sob a bandeira da Frente de Libertação Nacional (FLN) - à França e seus colonos (chamados de pieds-noirs, “pés negros” em francês). Ocorre principalmente no território argelino - com repercussões também na França metropolitana - e está inserida no movimento de descolonização do continente africano.

A Argélia era caracterizada pela separação entre as comunidades, atormentada por uma desigualdade generalizada - haja vista que a França recorreu a todas as formas possíveis de domínio para se impor - que oprimia a população desde o início da conquista e vivendo em um ambiente marcado por contradição e incerteza. Desta forma, o percurso que conduziria a uma ruptura com a França já começava a se delinear, aos poucos as tendências federativas e assimilacionistas moderadas davam lugar a uma radicalização anticolonial. Neste contexto, ao passo que a frustração crescia, o nacionalismo argelino se mostrava cada vez mais convencido de que a via legal de emancipação estava esgotada, ou melhor, nunca tivera espaço para se desenvolver por causa da violenta repressão francesa.

O islamismo de vertente sunita, religião professada pela quase totalidade da população argelina desempenharia um papel tão importante quanto o dos partidos políticos conservadores e o avanço da consciência nacionalista. Como ocorria em vários países do Oriente Médio desde fins do Século XIX, o islamismo seria uma força de oposição ao imperialismo ocidental.

Na década de 1950, as tensões anticoloniais se acumulavam por todo o continente africano. As dificuldades vividas pela França na Indochina e na Argélia contribuíram para a independência negociada em 1956 no Marrocos e na Tunísia, que, posteriormente, apoiaram o nacionalismo argelino.

O principal rival argelino da Frente de Libertação Nacional (FLN) — partido que deu o início oficial à revolução — era o Movimento Nacional Argelino (MNA), criado mais tarde, cujos apoiantes principais eram trabalhadores argelinos em França. A FLN e o MNA lutaram entre si durante quase toda a duração do conflito, pelo menos até pouco após a independência, onde a FLN consolidou-se como partido único.

A Revolução Argelina comprovaria a eficiência de uma ampla luta popular desencadeada por um partido revolucionário solidamente ligado às camadas populares. O processo, apresentou um alto preço, e os métodos usados ​​durante a guerra por ambos os lados (tortura, repressão da população civil), que por alguns são considerados controversos, são justificados, em defesa dos argelinos, como uma resposta à repressão e ocupação francesa, que alteraram o a organização comunitária da sociedade argelina, baseada nas tradições islâmicas. O fim da luta armada marcaria o início do processo de descolonização, o que implicaria transformações fundamentais no relacionamento entre Argélia e França, uma vez que esta deixasse aquela em situação econômica e social caótica.

O conflito levou, após os acordos de Évian de 18 de março de 1962, à independência total da Argélia 4 meses depois, e precipitou o êxodo de habitantes de origem europeia - milhares de europeus-argelinos fugiram para a França em poucos meses com medo da vingança da FLN. Desses, muitos, ao deixarem a Argélia, destruíram ou prejudicavam o que não podiam levar, o que incluía desde infraestruturas básicas e serviços públicos até móveis e automóveis.

Durante o processo, a Argélia destacou-se pelos importantes resultados obtidos no processo de socialização da economia, trabalhando questões como: a reforma agrária, a autogestão, a nacionalização progressiva de bancos e grandes indústrias, bem como as conquistas sociais e culturais alcançadas e reconhecidas internacionalmente.Após terem lutado quase 10 anos - movidos pela forte onda nacionalista que percorreria o continente - ao menos 300 000 argelinos morreram durante o processo -, os argelinos, ao conquistar a independência, passaram a enfrentar o desafio de reorganizar um país com inúmeras feridas coloniais. No geral, a Argélia representou uma alternativa de desenvolvimento voltada para a exploração de seus recursos nacionais, priorizando o mecanismo de autogestão da vida econômica, mantendo ainda sua independência política e influenciando movimentos anticoloniais e anti-imperialistas em todas as partes do mundo.

Cabe reforçar que intelectuais da Teoria Pós-Colonial, como Aimé Césaire tensionaram a violência da colonização francesa a comparando com as ações nazistas na Europa. Isso é reforçado por alguns franceses, como o advogado e ex-guerrilheiro antinazista Jacques Vergès, que comparou a resistência francesa frente a ocupação nazista com a resistência argelina frente a ocupação francesa. Aimé Césaire também fala de Adolf Hitler, pensando suas ações como um crime contra o homem branco e responsável por aplicar à Europa processos colonialistas que até então só os árabes da Argélia, os coolies da Índia e os negros da África estavam subordinados.

Soldados coloniais na Primeira e Segunda Guerra Mundial

A participação de soldados argelinos nas Primeira e Segunda Guerra Mundial, conta com dezenas de milhares de combatentes enviados para os conflitos da Primeira Guerra Mundial. Estima-se cerca de 173 000 argelinos com aproximadamente 71 000 mortes entre eles. Durante a Segunda Guerra Mundial, é importante ressaltar que a participação argelina teve influência sobretudo pelas promessas feitas e que podem ser encontradas na Declaração do Comitê Francês de Libertação Nacional, em 8 de dezembro de 1943 e no Discurso de De Gaulle em Constantina, em 12 de dezembro de 1943, no qual fez os soldados argelinos acreditarem que a França iria descolonizar a Argélia, chegando a convencer até mesmo revolucionários ultranacionalistas como Ahmed Ben Bella e Ferhat Abbas, contudo, a França não cumpriu com sua palavra.

O massacre de Setife e Guelma foi uma série de ataques de autoridades coloniais francesas e milícias de colonos franceses (pied-noir) em civis argelinos em 1945 em torno da cidade mercantil de Setife, a oeste de Constantina, na Argélia. O início ocorreu na manhã de 8 de maio de 1945, no mesmo dia em que a Alemanha nazista se rendeu na Segunda Guerra Mundial, nesse dia cerca de 5 000 muçulmanos argelinos desfilaram em Setife para comemorar a vitória contra a Alemanha nazista, até que a polícia francesa disparou tiros nos manifestantes para apreender as bandeiras Argelinas que a população carregava, visto que a bandeira era considerada, para os pied-noirs, como um símbolo de ataque ao domínio colonial francês.

Embora o movimento anticolonialista tenha começado a se formalizar e se organizar antes da Segunda Guerra Mundial, sob a liderança de Messali Hadj e Ferhat Abbas. No entanto, a participação da Argélia na guerra teve um grande impacto na ascensão do nacionalismo argelino. Argel serviu como capital da França Livre de 1943, que criou esperança de liberdade para muitos nacionalistas argelinos.

Em vista disso, as notícias dos ataques franceses aos manifestantes muçulmanos em Setife criaram um sentimento de revolta entre a população rural, pobre e nacionalista, que contra-atacaram nas zonas rurais da cidade (Kherrata, Chevreul) os colonos franceses (pieds-noirs) que viviam ali, o conflito resultou na morte de 102 colonos europeus (12 em Guelma), além de outros cem feridos.

Em decorrência disso, os militares e policiais coloniais franceses reprimiram a rebelião e, em seguida, por instruções de Paris, realizaram uma série de retaliações contra civis pelos ataques aos colonizadores franceses, matando entre 6 000 e 30 000 muçulmanos na região. O exército, que incluía a Legião Estrangeira, marroquina e tropas senegalesas, realizaram execuções sumárias no decurso de uma ratificação de Comunidades rurais muçulmanas suspeitas de envolvimento. Além disso, mesquitas menos acessíveis (aldeias muçulmanas) foram bombardeadas por aviões franceses, e o cruzador Duguay-Trouin, na costa do Golfo de Bougie, bombardeou Kherrata.

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