Neste Dia

Guerras romano-persas

Guerras entre Roma e Pérsia

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As guerras romano-persas foram uma série de conflitos militares entre o Estado romano e os sucessivos impérios iranianos: a Pártia e a Sassânia. A Pérsia, como um grande desenvolvimento cultural e militar, tornou-se um inimigo de Roma e manteve-se como tal por vários séculos. Os romanos viram nos persas uma potência semelhante a si, e os grandes reis de Ctesifonte viam-nos da mesma forma. Os persas já há muito tempo denominam seus soberanos como "grande rei", o que lhes atribui uma grandeza similar à de augusto no Império Romano.

As hostilidades entre estas potências iniciaram-se em 92 a.C. e prolongaram-se por séculos até serem concluídas com as invasões árabes muçulmanas, que atingiram os impérios Sassânida e Bizantino com efeito devastador logo após o fim do último conflito entre eles. Embora a guerra entre os romanos e partas/sassânidas tenha durado sete séculos, a fronteira permaneceu aproximadamente estável. Um jogo de cabo de guerra se seguiu: cidades, fortificações e províncias foram continuamente saqueadas, capturadas, destruídas e trocadas. Nenhum dos lados tinha força logística ou mão de obra para manter longas campanhas longe de suas fronteiras e, portando, nem poderiam avançar muito longe sem arriscar esticá-las muito tenuemente. Ambos os lados fizeram conquistas além da fronteira, mas com o tempo o equilíbrio foi quase sempre restaurado. A linha do impasse deslocou-se no século II: originalmente percorrendo a norte do Eufrates, neste período foi deslocada para leste e mais tarde para nordeste através da Mesopotâmia para o norte do Tigre. Houve também várias mudanças substanciais mais a norte, na Armênia e Cáucaso.

A despesa de recursos durante as guerras romano-persas provaram-se catastróficas para ambos os impérios. A prolongada e ascendente guerra dos séculos VI e VII deixou-os exaustos e vulneráveis à súbita emergência e expansão do Califado Ortodoxo, cujas forças invadiram ambos os impérios poucos anos após o fim da última guerra romano-persa. Beneficiados pela condição enfraquecida deles, os exércitos árabes muçulmanos rapidamente conquistaram o Império Sassânida e privaram o Império Bizantino de seus territórios no Levante, Cáucaso, Egito e Magrebe. Ao longo dos séculos seguintes, a maior parte do antigo território do Império Bizantino permaneceu sob domínio muçulmano.

De acordo com James Howard-Johnston "do século III a.C. ao começo do século VII d.C., os competidores rivais [no Oriente] foram estados com pretensões imperiais, que eram capazes de estabelecer e assegurar territórios estáveis que transcendem divisões regionais". Os romanos e os partas vieram a ter contado através de suas respectivas conquistas de partes do Império Selêucida. Durante o século III a.C. os partas migraram das estepes da Ásia Central para o nordeste do Irã. Embora subjugados por um tempo pelos selêucidas, no século II se libertaram e estabeleceram um Estado independente que constantemente expandiu-se as custas de seus antigos governantes, conquistando a Pérsia e Mesopotâmia. Governados pela dinastia arsácida, os partas rechaçaram diversas tentativas selêucidas de reaver seus territórios perdidos e estenderam seu domínio fundo dentro da Índia (ver Reino Indo-Parta). Enquanto isso os romanos expulsaram os selêucidas de seus territórios na Anatólia no começo do século II a.C., após derrotarem Antíoco III Magno em Termópilas e Magnésia. Finalmente, em 64 a.C. Pompeu conquistou o restante dos territórios selêucidas na Síria, extinguindo seu Estado e avançando a fronteira oriental romana para o Eufrates, onde encontrou o território dos partas.

República Romana contra o Império Parta

O empreendimento parta no Ocidente começou no tempo de Mitrídates I (r. 171–138 a.C.) e foi revivido por Mitrídates II (r. 122–88 a.C.), que negociou sem sucesso com Lúcio Cornélio Sula para uma aliança romano-parta (c. 105 a.C.). Quando Lúcio Licínio Lúculo invadiu o sul da Armênia e liderou um ataque contra Tigranes, o Grande (r. 95–55 a.C.) em 69 a.C., ele correspondeu-se com Fraates III (r. 70–57 a.C.) para convencê-lo a intervir. Embora os partas tenham permanecido neutros, Lúculo considerou a possibilidade de atacá-los. Em 66−65 a.C., Pompeu chegou a um acordo com Fraates, e tropas romano-partas invadiram a Armênia, mas uma disputa logo surgiu sobre a fronteira do Eufrates. Finalmente, Fraates firmou seu controle sobre a Mesopotâmia, exceto pelo distrito ocidental do Reino de Osroena, que tornou-se uma dependência romana. O general romano Marco Licínio Crasso liderou uma invasão na Mesopotâmia em 53 a.C. com resultados catastróficos; ele e seu filho Públio foram mortos na batalha de Carras pelos partas sob o general Surena; esta foi a pior derrota romana desde a batalha de Canas. Os partas realizaram uma ofensiva à província romana da Síria, no ano seguinte, e montaram uma grande invasão, em 51 a.C., mas o exército deles caiu em uma emboscada romana, perto de Antigônia, e foi rechaçado.

Os partas mantiveram-se, em grande parte, neutros durante Guerra Civil Cesariana, travada entre as forças apoiantes de Júlio César e as de Pompeu. Estas, com apoio da facção tradicional do senado romano. Contudo, eles mantiveram relações com Pompeu e, após sua derrota e morte, uma força sob Pácoro I ajudou o general pompeano Quinto Cecílio Basso, que foi sitiado no vale de Apameia, pelas forças cesarianas. Com o fim da guerra civil, Júlio César preparou uma campanha contra a Pártia, mas seu assassinato evitou a guerra. Os partas apoiaram Bruto e Cássio durante a Guerra Civil dos Liberadores, enviando um contingente para lutar ao lado deles na batalha de Filipos, em 42 a.C.. Após a derrota dos liberadores, os partas invadiram o território romano, em 40 a.C., em conjunção com o romano Quinto Labieno, um antigo apoiante de Bruto e Cássio. Eles rapidamente invadiram a província romana da Síria e avançaram para a Judeia, derrubando o cliente romano Hircano II e instalaram seu sobrinho Antígono. Por um momento, o Oriente romano inteiro parecia perdido para os partas ou prestes a cair em suas mãos. Contudo, a conclusão da segunda guerra civil logo reviveu a força romana na Ásia. Marco António tinha enviado Ventídio para se opor a Labieno, que havia invadido a Anatólia. Logo Labieno foi rechaçado para a Síria pelas forças romanas e, embora reforçado pelos partas, foi derrotado, tomado como prisioneiro e morto. Após sofrerem outra derrota próximo dos Portões Sírios, os partas se retiraram para a Síria. Eles retornaram em 38 a.C. mas foram decisivamente derrotados por Ventídio, e Pácoro foi morto. Na Judeia, Antígono foi deposto com ajuda de Herodes, o Grande (r. 37–4 a.C.) em 37 a.C. Com a restauração do controle romano na Síria e Judeia, Marco António liderou um enorme exército no reino de Atropatene, mas seu comboio e escolta foram isolados e eliminados, enquanto seus aliados armênios desertaram. Falhando em fazer progresso contra as posições partas, os romanos se retiraram com pesadas baixas. Antônio foi novamente para a Armênia, em 33 a.C., para juntar-se com o rei medo, contra Otaviano e os partas. Outras precauções obrigaram- no a se retirar, e a região inteira caiu sob controle parta.

Império Romano contra Império Parta

Como as tensões entre as duas potências ameaçavam renovar a guerra, Caio César e Fraates V (r. 2 a.C.–4 d.C.) prepararam um compromisso em 1 d.C.. De acordo com o pacto, a Pártia comprometeu-se a retirar suas forças da Armênia e reconhecer de facto um protetorado romano lá. No entanto, a rivalidade romano-persa pelo controle e influência na Armênia continuou inabalável nas décadas seguintes. A decisão do xá Artabano II (r. 10-35; 36-38) de colocar seu filho no trono armênio vago desencadeou uma guerra com Roma, em 36, que terminou quando Artabano II abandonou a reivindicação de uma esfera de influência na Armênia. A guerra eclodiu em 58, após o xá Vologases I (r. 51–78) forçosamente instalar seu irmão Tiridates I no trono armênio. As forças romanas lideradas pelo general Cneu Domício Córbulo derrubaram Tiridates e o substituíram com um príncipe capadócio, desencadeando uma segunda rodada de combates. O conflito chegou ao fim em 63, após os romanos concordarem em permitir Tiridates e seus descendentes de governarem a Armênia na condição de que eles fossem investidos no trono pelo imperador romano.

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