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Guilherme I dos Países Baixos

Ex-rei dos Países Baixos

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Guilherme I (Haia, 24 de agosto de 1772 – Berlim, 12 de dezembro de 1843) foi o Rei dos Países Baixos e Grão-Duque de Luxemburgo de 1815 até sua abdicação em 1840, tendo anteriormente servido como Príncipe Soberano dos Países Baixos de 1813 até sua proclamação como rei. Era filho de Guilherme V, Príncipe de Orange, e sua esposa a princesa Guilhermina da Prússia.

Os pais de Guilherme I foram Guilherme V, Príncipe de Orange e Guilhermina da Prússia. Até 1813, Guilherme era conhecido por Guilherme VI, Príncipe de Orange. Em 1791, Guilherme desposou sua prima-irmã Guilhermina, em Potsdam. Ela era a filha do rei Frederico Guilherme II da Prússia. Depois da morte de Guilhermina em 1837, Guilherme casou-se com a sua segunda esposa, a condessa Henriette d'Oultremont de Wegimont em 1841, em Berlim.

Juventude e primeiros anos de carreira militar

Como filho mais velho do príncipe de Orange (e uma vez que só podia haver uma pessoa com esse título na altura), Guilherme era tratado de forma informal como Erfprins (príncipe-hereditário) pelos seus contemporâneos e historiadores da época no período entre 1790, o ano em que se tornou maior de idade, a morte do pai em 1806, para ser distinguido do seu pai, o príncipe Guilherme V.

Tal como o seu irmão mais novo, o príncipe Frederico de Orange-Nassau, recebeu a sua formação do matemático suíço Leonhard Euler e do historiador holandês Herman Tollius. Ambos os irmão receberam formação nas artes militares da parte do príncipe Frederick Stamford. Depois da supressão da Revolta Patriota em 1787, Guilherme e o irmão frequentou a academia militar em Brunswick, que era considerada uma escola militar de excelência entre 1788 e 1789. Em 1790, visitou várias cortes estrangeiras, incluindo as de Nassau e a da Prússia, em Berlim, onde conheceu a sua futura esposa.

Posteriormente, Guilherme estudou durante um breve período de tempo na Universidade de Leiden. Em 1790, foi nomeado general da infantaria no Exército dos Estados Holandeses, no qual o seu pai era capitão-general, e foi nomeado membro do Conselho de Estado dos Países Baixos. Em Novembro de 1791, levou a sua nova noiva para Haia.

Depois de a Convenção Nacional da Primeira República Francesa declarar guerra ao estatuder da República Holandesa em Fevereiro de 1793, Guilherme foi nomeado comandante-em-chefe do veldleger (exército móvel) dos Estados dos Países Baixos (o seu pai continuou a ser o chefe honorário das forças armadas). Nesta posição, comandou as tropas que participaram na Campanha de Flandres de 1793-95. Participou nas batalhas de Veurne, Menin e Wervik (na qual o seu irmão ficou ferido) em 1793, e nas batalhas de Landrecies, na qual uma fortaleza se rendeu a ele, e na Batalha de Fleurus, em 1794, sendo que estas foram apenas as mais importantes. Em Maio de 1794, mandou substituir o general Kaunitz como comandante das forças combinadas da Áustria e dos Países Baixos, instigado pelo sacro-imperador Francisco II, que, aparentemente, o tinha em grande conta. No entanto, os exércitos franceses foram demasiado fortes, e a liderança da aliança não tinha experiência suficiente, o que levou à derrota dos aliados. Os franceses entraram nos Países Baixos através de Brabant, que passaram a ocupar após a Batalha de Boxtel. Quando, no inverno de 1794-95, os rios do delta do Reno congelaram, os franceses penetraram a linha de água holandesa a sul e a situação tornou-se insustentável a nível militar. Em muitos locais, os revolucionários holandeses ocuparam o governo local. Após rebentar a Revolução Batava em Amesterdão a 18 de Janeiro de 1795, o estatuder decidiu fugir para a Grã-Bretanha, na companhia dos seus filhos. No seu último dia nos Países Baixos, o pai de Guilherme libertou-o dos seus comandos. No dia seguinte, foi proclamada a República Batava.

Pouco depois da sua partida para a Grã-Bretanha, o príncipe-herdeiro regressou ao continente, onde o seu irmão estava a juntar antigos membros do Exército dos Estados em Osnabrück para um ataque planeado à República no verão de 1795. No entanto, o governo neutral da Prússia proibiu-o.

Em 1799, Guilherme desembarcou na actual Holanda do Norte como parte da Invasão Anglo-Russa da Holanda. O príncipe-herdeiro foi essencial para fomentar um motim no esquadrão naval Batavo durante o Incidente de Vlieter, que resultou na rendição dos navios sem a necessidade de combates contra a Marinha Real, que aceitou a rendição em nome do stadtholder. No entanto, a população holandesa local não ficou satisfeita com a chegada do príncipe. Um apoiante dos Orange local chegou até a ser executado. A revolta popular esperada não se concretizou. Após algumas batalhas insignificantes, o príncipe-herdeiro foi obrigado a abandonar novamente o país após a Convenção de Alkmaar. Com ele, partiram também os marinheiros revoltosos da esquadra Batava, juntamente com os seus navios e vários desertores do exército Batavo que acompanharam a retirada do exército britânico para a Inglaterra. De regresso ao seu país de exílio, Guilherme criou a Brigada Holandesa do Rei com as tropas que se tinham juntado a ele. Este grupo tornou-se uma unidade militar ao serviço britânico e jurou lealdade ao rei da Grã-Bretanha, mas também aos Estados Gerais, extintos em 1795, "a partir do momento em que estes forem reconstituídos". Esta brigada treinava na Ilha de Wight e, em 1800, acabaria por lutar ao lado da Grã-Bretanha contra a Irlanda.

Quando foi alcançado um tratado de paz entre a Grã-Bretanha e a República Francesa graças à intervenção do primeiro-cônsul Napoleão Bonaparte, os exilados apoiantes dos Orange perderam todo o apoio. A Brigada Holandesa foi dissolvida a 12 de Julho de 1802 e muitos dos seus membros regressaram à República Batava graças a um acordo de amnistia. Os navios da marinha Batava que tinham sido entregues não foram devolvidos, graças a um acordo entre o stadtholder e o governo britânico assinado a 11 de Março de 1800, o que permitiu a Guilherme vendê-los à Marinha Britânica por um valor considerável.

Sentindo-se traído pelos britânicos, o stadtholder decidiu partir para a Alemanha. No entanto, o seu filho, o príncipe-herdeiro, era mais flexível e decidiu visitar Napoleão em St. Cloud em 1802. O primeiro-cônsul terá ficado impressionado com o jovem e disse-lhe que tinha capacidades para conseguir um cargo relevante na nova e reformada República Batava. Entretanto, o cunhado de Guilherme, o rei Frederico Guilherme III da Prússia, que na altura adoptava um postura neutra, promoveu a convenção Franco-Prussiana de 23 de Maio de 1802, além do Tratado de Amiens, que atribuiu alguns territórios que tinham sido retirados a ordens religiosas na Alemanha à Casa de Orange. Juntos, estes territórios deram origem ao Principado de Orange-Nassau-Fulda que serviu para compensar a família pelas perdas sofridas na República Batava. O stadtholder entregou imediatamente este principado ao seu filho.

Quando Napoleão invadiu a Alemanha em 1806, dando início à guerra entre o Império Francês e a Prússia, Guilherme apoiou os seus parentes prussianos, apesar de ser, em nome, um vassalo francês. Recebeu o comando de uma divisão prussiana e participou na Batalha de Jena. Os prussianos perderam essa batalha e Guilherme viu-se forçado a render-se com as suas tropas de forma pouco honrosa em Erfurt, no dia a seguir à batalha. Guilherme foi capturado e tornou-se prisioneiro de guerra, mas acabaria por ser libertado pouco tempo depois. No entanto, Napoleão castigou-o pela sua traição e retirou-lhe o seu principado. Como prisioneiro perdoado, Guilherme não pôde voltar a participar nas hostilidades. Após a assinatura do Tratado de Paz de Tilsit, passou a receber uma pensão do governo francês como compensação.

Nesse mesmo ano, em 1806, o seu pai, o príncipe de Orange, morreu e Guilherme herdou tanto o seu título como os direitos do pai às terras dos Nassau. Esta herança iria ganhar importância alguns anos mais tarde, quando a situação política na Alemanha evoluiu e Guilherme recebeu o título de príncipe de um conjunto de terras de Nassau que tinham pertencido a outros ramos da Casa de Nassau.

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