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Guiné

País na África Ocidental

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Guiné (em francês: Guinée; em fula: 𞤘𞤭𞤲𞤫, Gine; em mandinga: ߖߌ߬ߣߍ߫, Gine), oficialmente República da Guiné (em francês: République de Guinée; em fula: 𞤈𞤫𞤨𞤵𞤦𞤤𞤭𞤳 𞤦𞤵 𞤘𞤭𞤲𞤫, Republik bu Gine; também chamada Guiné-Conacri para a distinguir da vizinha Guiné-Bissau e da Guiné Equatorial) é um país da África Ocidental limitado a norte pela Guiné-Bissau e pelo Senegal, a norte e leste pelo Mali, a leste pela Costa do Marfim, a sul pela Libéria e pela Serra Leoa e a oeste pelo oceano Atlântico. Com 246 000 km2 e dez milhões de habitantes, a Guiné é uma república e a capital, sede do governo e maior cidade é Conacri.

A Guiné é um país muito rico em minerais, incluindo bauxita, diamantes, ouro e alumínio. Sua economia depende da agricultura e da mineração. A Guiné é um país subdesenvolvido com uma parcela significativa de sua população (mais de 60%) vivendo abaixo da linha da pobreza. O francês é a língua oficial da Guiné e é a língua mais usada nas escolas, na administração, na mídia e nas forças de segurança. No entanto, cada uma das vinte e quatro tribos da Guiné têm sua própria língua.

A Guiné é um dos países devastados pela epidemia de Ébola de 2014, juntamente com a Libéria e a Serra Leoa, onde morreram mais de 4.500 pessoas no total.

A origem exata do nome Guiné é desconhecida. Sabe-se que a palavra "Guiné" vem do português Guiné, que surgiu em meados do século XV para se referir à região habitada pelos Guineus, um termo genérico usado para se referir aos povos africanos que viviam ao sul do rio Senegal (em oposição aos berberes sanajas que viviam ao norte, que eram chamados de mouros). Gomes Eanes de Zurara usou o nome "Guiné" extensivamente em suas crônicas de 1453, e em 1483 o rei João II de Portugal assumiu o título de Senhor da Guiné. Acredita-se que os portugueses tenham adotado o nome Guineus do berbere Ghinawen (frequentemente arabizado como Guinauha ou Genewah), que significa "o povo queimado". Da mesma forma, o termo berbere "aginaw" ou "Akal n-Iguinawen" significa "negro" ou "terra dos negros".

Na língua sousou, a língua falada pelo grupo étnico de mesmo nome (um dos mais importantes historicamente estabelecidos na costa atlântica da Guiné-Conacri e Serra Leoa), a palavra "guine" significa "mulher", outra possível origem do nome do país.[carece de fontes?]

A área ocupada hoje pela Guiné fez parte do território de diversos povos africanos, incluindo o Império Songai, no período que se compreende século X e XV, quando a região tomou contato pela primeira vez com os comerciantes europeus. A descoberta da Guiné pelos portugueses ocorreu em meados de 1460 pelos navegadores Pedro de Sintra e Alvise Cadamosto.

Origem da Civilização: Impérios Peúles e Mandinga Islamizados na Guiné

A povoação inicial da atual Guiné surgiu através de migrações de povos vindos do Sudão (atual Mali), Níger e Senegal. A primeira povoação com habitação talvez tenha sido a dos pigmeus, eles foram obrigados a fugir da região ante a invasão de povos vindos do norte. Os Bagas, um povo que ali surgiu, chegaram a se instalar na região de Conacri, mas foram expulsos para as regiões da baixa Guiné pelos Sussu de etnia mandinga. Na região florestal, os quissis tomaram esse lugar e, mais tarde, os tendas refugiaram-se na parte inferior do Futa Jalom. Os Malinqués, um povo que viria a fazer parte da história étnica da Guiné, chegaram na parte da Alta Guiné no século XVI após a expansão do Império do Mali. Os Peúles emigraram da região do Futa Toro (Senegal) para o Futa Jalom quase no mesmo tempo.

Um reino Peúle passou a surgir após os pastoreamentos feitos na localidade do Mali. Na África Ocidental, os peúles se converteram ao islamismo no século XVIII, o que marcou o modo característico daqueles habitantes e da política, pois as diretrizes islâmicas já possuíam virtudes ligadas ao conhecimento e aos valores de seguidor. Fato esse proporcionou uma organização maior dos peúles, que criaram um exército e passaram a jugar autoridade sobre os povos regionais. A data certa de ocupação dos peúles é 1725, quando eles vieram do Senegal e chegaram á Guiné para proclamar um Imamato no Futa Jalom, que foi idealizado por Alfa Ba. Este convocou uma jiade (guerra santa) para dominar a região, mas Ba morreu antes do início (1726-1727), então seu filho Karamoko Alpha teve que fazer a conquista com tal propósito. Karamoko Alfa, que morreu em 1751, passou a liderar o Imamato que durou de 1725, até a ocupação de Timbo pelos franceses em 3 de Novembro de 1896. O Imamato era divido em 9 estados. Na fase de sucessão após 1751, foi Ibrahim Sori o responsável pela administração do Imamato, o qual expandiu grande parte do Futa Jalom para a confederação peúle. Com a morte de Sori em 1784, o reino passou a ser administrado por um almami, um líder de base muçulmana. Em meio à população havia pessoas das duas famílias peúles aristocráticas: os Alfaya (de Karamoko) e os Soria (de Ibraim). Além de tudo, eram as duas famílias que elegiam o almami governante e que possuíam autoridade sobre e dominavam os agricultores dialonquês, porém a disputa por hegemonia gerou uma situação de calamidade popular, o que ocasionou na ocupação francesa de Timbo e o fim do Imamato (1896).

Em 1878 foi fundado por Samori Turé um império, o de Uassulu, logo após ter fugido do cárcere de 7 anos. Possuía um território considerável e abrangia partes dos territórios do atual Níger (norte), Mali e Libéria. Fazia fronteira com a atual Serra Leoa e Gana (na época popularmente Costa do Ouro).

Os franceses haviam vencido os ingleses no litoral da África Ocidental e conseguiram o controle da região. Um avanço francês ocorreu adentro do território do atual Mali em 1881, em vista de interesses comerciais no local. Isso proporcionou o primeiro defrontamento de Samori Turé com os franceses.

A Presença da França no Território

O período colonial da Guiné se iniciou quando tropas francesas penetraram na região em meados do século XIX. A dominação francesa foi assegurada ao derrotarem as tropas de Samori Turé (1898), guerreiro de etnia malinquê, o que deu, aos franceses, o controle do que é, hoje, a Guiné, e de regiões adjacentes.

A França definiu, em fins do século XIX e início do XX, as fronteiras da atual Guiné com os territórios britânico e português que hoje formam, respectivamente, Serra Leoa e Guiné-Bissau. Negociou, ainda, a fronteira com a Libéria. Sob domínio francês, a região passou a ser o "Território da Guiné" dentro da África Ocidental Francesa, administrada por um governador-geral residente em Dakar (atualmente, capital do Senegal). Tenentes-governadores administravam as colônias individuais, incluindo a Guiné.

Liderados por Ahmed Sékou Touré, líder do Partido Democrático da Guiné (PDG), que ganhou 56 das 60 cadeiras nas eleições territoriais de 1957, o povo da Guiné decidiu, em plebiscito, por esmagadora maioria, rejeitar a proposta de pertencer a uma Comunidade Francesa. Os franceses se retiraram rapidamente e, em 2 de outubro de 1958, a Guiné se tornou um país independente, com Sékou Touré como presidente.

Alegando tentativas de golpe oriundas do exterior e do próprio país, o regime de Touré visou a inimigos reais e imaginários, aprisionando milhares em prisões. Sob o governo de Touré, a Guiné se tornou uma ditadura de partido único, com uma economia fechada de caráter socialista, e intolerante a direitos humanos, liberdade de expressão ou oposição política, a qual foi brutalmente suprimida. Antes acreditado por sua defesa de um nacionalismo sem barreiras étnicas. Maurice Robert, chefe do sector africano do Serviço de Documentação Externa e Contra-Inteligência (SDECE) de 1958 a 1968, explica que:

"Tivemos de desestabilizar Sekou Touré, torná-lo vulnerável, impopular e facilitar a tomada de controlo pela oposição. Uma operação desta envergadura envolve várias fases: a recolha e análise de informação, a elaboração de um plano de ação baseado nesta informação, o estudo e implementação de meios logísticos e a adoção de medidas de execução do plano. Com a ajuda dos refugiados guineenses exilados no Senegal, organizamos também maquis da oposição em Fouta-Djalon. A supervisão foi assegurada por peritos franceses em operações clandestinas. Armamos e treinamos estes opositores guineenses para desenvolver um clima de insegurança na Guiné e, se possível, para derrubar Sékou Touré. Entre essas ações desestabilizadoras, posso citar a operação 'Persil', por exemplo, que consistiu em introduzir no país uma grande quantidade de notas falsificadas guineenses para desequilibrar a economia."

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