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Gustavo Franco

Gustavo Henrique de Barroso Franco (Rio de Janeiro, 10 de abril de 1956) é um economista brasileiro e ex-presidente do B

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Gustavo Henrique de Barroso Franco (Rio de Janeiro, 10 de abril de 1956) é um economista brasileiro e ex-presidente do Banco Central do Brasil. É professor do Departamento de Economia da PUC-Rio desde 1986. É sócio fundador e conselheiro da Rio Bravo Investimentos. Publicou diversos livros e escreve regularmente para jornais de grande circulação. Foi filiado ao PSDB por 28 anos, de 1989 a 2017, quando filiou-se ao Partido Novo.

Gustavo Franco é o filho único de Maria Isabel Barbosa de Barroso Franco com Guilherme Arinos Franco, um dos assessores mais próximos de Getúlio Vargas. Seu pai ocupou posição de assessor direto de duas autoridades distintas da pasta da Fazenda – Gastão Vidigal em 1946 e Horácio Lafer entre 1951-1953, e participou da criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) durante o ano de 1952, contribuindo para a elaboração de seus documentos constitutivos e fazendo parte do quadro diretivo inicial da entidade. Seu pai foi também um dos acionistas do Banco Garantia.

Entre 1975 e 1979, Gustavo Franco cursou economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Entre 1981 e 1982 lecionou como docente visitante no Centro de Pesquisa em Assuntos Monetários e Economia Internacional, instância da Fundação Getúlio Vargas localizada na capital fluminense. Em 1982 entregou sua dissertação Reforma monetária e instabilidade durante a transição republicana na qual analisou a crise do encilhamento nos primeiros anos da Proclamação da República para obter o título de Mestre pela PUC-Rio. Essa mesma dissertação foi vencedora do 7º Prêmio BNDES de Economia.

Durante o processo de seleção para programas de doutorado em renomadas universidades americanas, Franco recebeu admissão em Harvard, Chicago e Yale. A Universidade de Yale ofereceu bolsa associada a carta do James Tobin, Prêmio Nobel de Economia. Optou por Harvard considerando localização e qualidade acadêmica, onde esperava trabalhar com o historiador econômico Carlos Diaz Alejandro, especialista em história econômica; no entanto, Diaz Alejandro faleceu previamente, levando Franco a reformular sua pesquisa.

Franco cursou o doutorado entre 1982 e 1986 contando com bolsa integral do governo brasileiro. Em 1985 obteve o grau de Master of Arts. Tendo os economistas Jeffrey Sachs, Barry Eichengren e Lance Taylor como supervisores apresentou a tese Aspects of the economics of hyperinflations : theoretical issues and historical studies of four European hyperinflations of the 1920s para obtenção do título de PhD em 1986. Esta tese venceu a categoria Livros e Teses do Prêmio Haralambos Simionides em 1987.

Adicionalmente, Franco publicou textos defendendo ideias como a dolarização da economia e análises críticas sobre os planos heterodoxos de estabilização em variados contextos.

Eleição de 1989 e agenda de liberalização da economia

Na eleição presidencial de 1989 diversos professores do departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro se prontificaram a auxiliar na elaboração dos programas econômicos dos candidatos à presidência da República. O professor Eduardo Modiano auxiliou na elaboração do programa de Fernando Collor e o professor José Márcio Camargo se somou aos economistas que auxiliavam no programa econômico do Luiz Inácio Lula da Silva. Gustavo Franco e Winston Fritsch entre outros ajudaram a elaborar o programa econômico da candidatura presidencial do Mário Covas. Passado o primeiro turno da eleição presidencial, Eduardo Modiano entrou em contato com Gustavo Franco e Winston Fritsch e os convidou para auxiliarem na elaboração nas medidas de liberalização e abertura da economia que o candidato e depois Presidente eleito Fernando Collor prometera durante a campanha. Com a posse de Fernando Collor na Presidência, Eduardo Modiano foi indicado à presidência do BNDES pela Ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello e o também professor de economia na PUC-Rio Marcelo de Paiva Abreu foi indicado Secretário Nacional de Economia do Ministério da Economia, mas por discordâncias com Zélia deixou o cargo após duas semanas. A saída de Paiva Abreu do governo levou Gustavo Franco a cessar a colaboração com a equipe econômica de Collor e Zélia Cardoso de Mello.

Comércio exterior, empresas multinacionais e política industrial

A colaboração com Winston Fritsch em torno de temas relacionados ao comércio exterior teve início com um projeto de pesquisa iniciado em 1987 pelo Departamento de Estudos do BNDES, do qual resultaram dois textos para discussão do Departamento de Economia da PUC-Rio e dois outros textos apresentados em diferentes edições do Forum Nacional organizado pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Veloso.

Franco teve sua primeira polêmica pelos jornais, em companhia de Winston Fritsch, ao confrontar João Paulo de Almeida Magalhaes, em artigos trocados entre 12 de setembro de 1988 e 7 de novembro de 1988 sobre o papel das empresas multinacionais no comércio e no desenvolvimento brasileiro. Magalhães alegava que as empresas estrangeiras teriam papel menor no desenvolvimento brasileiro e propunha subsídios para empresas nacionais. Outra polêmica veio em seguida, com Aloisio Teixeira que propôs um “equacionamento” da dívida interna (3 de julho de 1989).

Em seguida Fritsch e Franco trabalharam em dois projetos de pesquisa apoiados pelo OECD Development Centre. O primeiro, a propósito do papel do investimento direto estrangeiro no desenvolvimento brasileiro, resultou no livro Foreign direct investment and industrial restructuring: issues and trends, Development Centre Studies, OECD Development Centre, OECD, Paris, 1991. E o segundo, sobre políticas industriais e impactos sobre a concorrência foi publicado como Efficient Industrialization in a Technologically Dependent Economy: The Current Brazilian Debate Em Competition and Economic Development Committee of Competition Law and Policy, OECD, 1991.

A seguir Fritsch e Franco trabalharam sob a direção do professor Gerry Helleiner em dois projetos apoiados pela WIDER (World Institute for Development Economics Research) vinculado a Universidade das Nações Unidas (UNU) durante 1990 e 1991. O primeiro voltado para a influência do comércio exterior e da abertura sobre os padrões de desenvolvimento foi publicado com o título Foreign Direct investment and patterns of trade and industrialization in developing countries: notes with reference to the Brazilian experience". Em G. K. Helleiner (ed.) Trade Policy, Industrialization and Development: a reconsideration. Oxford: Clarendon Press for UNU-Wider, 1992 ISBN 0-19-828359-8. O Segundo tratando da mesma temática e com foco em políticas industriais e de comércio exterior foi publicado com o título Import repression, productivity slowdown, and manufactured export dynamism: Brazil, 1975-1990. Em Gerry Helleiner (ed.) Trade policy and industrialization in turbulent times London: Routlege for UNU-Wider, 1993, ISBN 0-415-10711-3.

Nesses temas, Fritsch e Franco também produziram pesquisas para a UNCTAD, CEPAL, e publicaram em revistas acadêmicas.

Franco retornaria a esses temas muitos anos depois em artigos tratando do investimento direto estrangeiro no Brasil conforme reportado pelos Censos do Capital Estrangeiro no Brasil que passam a ser publicados em bases quinquenais a partir de 1995 e artigos recentes a propósito do debate sobre a abertura.

Nesta época, se deu ainda uma polêmica com Delfim Netto em torno do propósito de sua sugestão de utilizar as reservas internacionais para reparos nas estradas brasileiras.

Outra polêmica foi em torno da eficácia das câmaras setoriais, foro recriado para ajudar a implementar as medidas do Plano Collor II, como ferramenta de controle da inflação. O então deputado federal Aloisio Mercadante foi o responsável por apresentar no Congresso a emenda de lei que tornou as câmaras setoriais tripartites, que além da presença dos empresários e dos representantes do Estado passou a ter representação do trabalhadores nas câmaras. Segundo Mercadante e outros o papel das câmaras setoriais no acordo automotivo, pelo qual uma espécie de “pacto social setorial” serviu para coordenar trabalhadores, sindicatos e governo na direção de melhores preços para o consumidor, segundo argumentava Miguel Jorge, então diretor da Autolatina. Franco confrontou os termos do acordo alegando tratar-se de cartelização oficializada e estimava as renúncias fiscais concedidas em cerca de US$ 1,4 bilhão. A polêmica se estendeu adiante, continuando até o início do mandato do recém-eleito presidente Fernando Henrique Cardoso na Fazenda e envolveria a Ministra Dorothea Werneck, além de Paul Singer, Alencar Burti, Guido Mantega, Francisco de Oliveira, Lucia Helena Salgado, Patricia Anderson, Glauco Arbix, Vicentinho, Heguiberto de la Navarra (Guiba) e Antonio Maciel.

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