Gustavo Francisco Petro Urrego (Ciénaga de Oro, Córdoba, 19 de abril de 1960) é um político e economista colombiano, ex-integrante da extinta guerrilha M-19 e atual presidente da Colômbia. Foi senador da República pelo período 2018-2022, fundador do movimento político Colombia Humana. Petro foi candidato à presidência da Colômbia em 2010 e 2018. Em 2020, a Corte Interamericana de Direitos Humanos emitiu uma decisão contra o Estado colombiano por ter removido e obstruído Petro do cargo de prefeito de Bogotá em 2013.
Desde muito jovem viveu em Zipaquirá, Cundinamarca e nesta cidade ocupou vários cargos públicos. Na juventude fez parte da organização guerrilheira rebelde colombiana Movimiento 19 de Abril, que se desmobilizou em 8 de março de 1990. Foi senador da República pelo Polo Democrático Alternativo (PDA), cargo a que acedeu nas eleições de 2006. Em 2009, renunciou para concorrer à Presidência da Colômbia nas eleições de 2010 em nome da mesma comunidade. Foi prefeito de Bogotá entre 2012 e 2015. Nas eleições de 2022, foi eleito presidente da Colômbia.
Petro nasceu em 19 de abril de 1960 no município de Ciénaga de Oro, no Departamento de Córdoba, filho de Gustavo Petro Sierra e Clara Nubia Urrego. Petro descende predominantemente de famílias colombianas mestiças estabelecidas há muito tempo, embora seu pai seja um quarto de ascendência italiana por meio de seu bisavô paterno, Francesco Petro, que migrou do Sul da Itália em 1870, e sua mãe tem metade de ascendência italiana por meio de sua avó materna, Lucia Pellegrini, natural de Conza della Campania, o que lhe garantiu dupla nacionalidade colombiana e cidadania italiana.
Petro foi criado na fé católica e afirmou ter uma visão de Deus a partir da teologia da libertação, embora também tenha questionado a existência de Deus. Buscando um futuro melhor, a família de Petro decidiu migrar para a mais próspera cidade do interior colombiano de Zipaquirá, ao norte de Bogotá, durante a década de 1970.
Convencido de que a luta guerrilheira poderia mudar o sistema político e econômico da Colômbia, por volta dos 17 anos Petro tornou-se membro do Movimento 19 de Abril (M-19), organização guerrilheira colombiana que surgiu em 1974 em oposição à coalizão da Frente Nacional após alegações de fraude nas eleições de 1970. Ele usava o pseudônimo de Aureliano, um personagem do romance Cem anos de solidão.
Durante seu período no M-19, Petro destacou-se como líder; foi eleito ombudsman de Zipaquirá em 1981 e vereador de 1984 a 1986. Em 1985, o M-19 assassinou 13 políticos colombianos no Palácio da Justiça. O grupo também esteve envolvido em sequestros e episódios de violência em povoados de todo o país. Petro liderou a tomada de terras pelo M-19 para abrigar 400 famílias pobres deslocadas à força por grupos paramilitares e depois contribuiu para a construção do que se tornaria o bairro Bolívar 83. Em seguida, entrou na clandestinidade e aliou-se a Carlos Pizarro, um dos principais comandantes do M-19, insistindo na necessidade de uma solução política negociada para o conflito armado colombiano e na transição para uma Assembleia Constituinte.
Em 1985, Petro foi preso pelo Exército por posse ilegal de armas. Foi torturado por dez dias nos estábulos da XIII Brigada, e depois condenado a 18 meses de prisão. Foi durante o encarceramento que Petro mudou sua ideologia, deixando de ver a resistência armada como estratégia viável para obter apoio público. Em 1987, o M-19 iniciou negociações de paz com o governo.
Petro formou-se em 1982 em economia pela Universidad Externado de Colombia e iniciou estudos de pós-graduação na Escuela Superior de Administración Pública (ESAP). Mais tarde, começou um mestrado em economia na Universidad Javeriana, mas não concluiu o curso. Em seguida, viajou para a Bélgica e iniciou estudos de pós-graduação em Economia e Direitos Humanos na Université catholique de Louvain. Também começou estudos para um doutorado em administração pública na Universidade de Salamanca (Espanha).
Após a desmobilização do movimento M-19, ex-membros do grupo (incluindo Petro) formaram um partido político chamado Aliança Democrática M-19, que conquistou um número significativo de cadeiras na Câmara dos Representantes em 1991, representando o departamento de Cundinamarca. Em julho de 1994, ele se encontrou com o tenente-coronel Hugo Chávez (recém-libertado da prisão após a Tentativa de golpe de Estado na Venezuela em fevereiro de 1992) durante um evento sobre pensamento bolivariano na Fundação Cultural Simón Rodríguez, em Bogotá, dirigida por José Cuesta, assessor parlamentar de Petro.
Em 2002, Petro foi eleito para a Câmara dos Representantes representando Bogotá, desta vez como membro do movimento político Vía Alterna, que ele fundou com o ex-colega Antonio Navarro Wolff e outros ex-membros do M-19. Durante esse período, Petro recebeu 25 votos de 125 representantes consultados para ser escolhido o “Melhor Congressista” de 2006, contra 24 que defenderam que nenhum representante merecia tal reconhecimento, pois o período legislativo foi marcado por absenteísmo e escassez de sessões.
Como integrante da Vía Alterna, Petro criou uma coalizão eleitoral com a Frente Social y Político para formar o Polo Democrático Independente, que se fundiu com a Alternativa Democrática em 2005, formando o Polo Democrático Alternativo, reunindo um grande número de figuras políticas de esquerda.
Em 2006, Petro foi eleito para o Senado, mobilizando o segundo maior comparecimento de eleitores do país. Naquele ano, ele também denunciou o escândalo da parapolítica, acusando membros e seguidores do governo de se misturarem com grupos paramilitares com o objetivo de “reivindicar” a Colômbia.
O senador Petro se opôs de forma veemente ao governo de Álvaro Uribe. Em 2005, quando era membro da Câmara dos Representantes, Petro denunciou a empresária de loterias Enilse López (também conhecida como “La Gata” [a gata]). Em maio de 2009, ela estava presa e sob investigação por vínculos com o grupo paramilitar (hoje dissolvido) Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Petro alegou que as AUC contribuíram financeiramente para a campanha presidencial de Álvaro Uribe em 2002. Uribe refutou essas afirmações, mas, durante sua campanha de reeleição presidencial em 2006, admitiu ter recebido apoio financeiro de Enilse López.
Durante o segundo mandato de Álvaro Uribe como presidente, Petro incentivou o debate sobre o escândalo da parapolítica. Em fevereiro de 2007, Petro iniciou uma disputa verbal pública com o presidente Uribe ao sugerir que ele deveria ter se declarado impedido de negociar o processo de desmobilização de paramilitares na Colômbia; isso ocorreu após acusações de que o irmão de Uribe, Santiago Uribe, teria sido membro do grupo paramilitar Doze Apóstolos em meados da década de 1990. O presidente Uribe respondeu acusando Petro de ser um “terrorista em roupas civis” e convocando a oposição para um debate aberto.
Em 17 de abril de 2007, Petro iniciou no Congresso um debate sobre CONVIVIR e o desenvolvimento do paramilitarismo no departamento de Antioquia. Em um discurso de duas horas, ele revelou diversos documentos que demonstravam a relação entre membros das Forças Armadas colombianas, a liderança política vigente, narcotraficantes e grupos paramilitares. Petro também criticou as ações de Álvaro Uribe como governador de Antioquia durante os anos do CONVIVIR e apresentou uma fotografia antiga do irmão de Uribe, Santiago, ao lado do narcotraficante colombiano Fabio Ochoa Vásquez.
O ministro do Interior e da Justiça, Carlos Holguín Sardi, e o ministro dos Transportes, Andrés Uriel Gallego, foram chamados a defender o presidente e seu governo. Ambos questionaram o passado de Petro como membro revolucionário e o acusaram de “não condenar a guerra de pessoas violentas”. A maioria dos argumentos de Petro foi condenada como difamação. No dia seguinte ao debate, o presidente afirmou: “Eu teria sido um grande guerrilheiro porque não teria sido um guerrilheiro de lama, mas um guerrilheiro de fuzis. Eu teria sido um sucesso militar, não um protagonista falso”.