Neste Dia

Hélio Gracie

Lutador de jiu-jitsu brasileiro

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Hélio Gracie (Belém do Pará, 1 de outubro de 1913 – Petrópolis, 29 de janeiro de 2009) foi o patriarca da família Gracie. Foi responsável pela difusão do Jiu-Jitsu no Brasil e idealizador do estilo de arte marcial brasileira conhecido como Jiu-jitsu brasileiro. Hélio Gracie foi grão-mestre em jiu-jitsu brasileiro, faixa vermelha 10º grau.

Considerado o "Padrinho do Jiu-Jitsu Brasileiro", segundo seu filho Rorion, Gracie é um dos primeiros heróis esportivos da história do Brasil; ele foi nomeado Homem do Ano em 1997 pela revista americana de artes marciais Black Belt. Patriarca da família Gracie, vários membros de sua família seguiram carreiras de sucesso em competições de esportes de combate, incluindo artes marciais mistas (MMA).

Gracie nasceu em 1º de outubro de 1913, em Belém, Brasil. Ao contrário do que se acredita, ele era um atleta talentoso e treinava e competia em remo e natação desde a infância. Ele teve seu primeiro contato com artes marciais aos 16 anos, quando começou a treinar judô (na época comumente chamado de "Kano jiu-jitsu" ou simplesmente "jiu-jitsu"), com seus irmãos Carlos e George. Ele também aprendeu catch wrestling com o renomado Orlando Americo "Dudú" da Silva, que por um tempo ensinou seus irmãos.

Observador, Hélio passou a acompanhar, dos seus treze aos dezesseis anos, as aulas ministradas por Carlos. Aprendeu todas as técnicas e ensinamentos de seu irmão, mas, percebeu, que mesmo sabendo a teoria, seria difícil executá-las devido à sua fraqueza. Consequentemente ele passou a adaptar a arte marcial para seus atributos físicos, e aprendeu a maximizar a alavanca, assim minimizando a força que seria necessária para executar as técnicas. Com esses experimentos, Jiu-Jitsu Gracie, mais tarde conhecido como Jiu-jitsu brasileiro (ou Brazilian Jiu-Jitsu em inglês) foi criado.

Quando completou 16 anos de idade, Hélio Gracie encontrou a oportunidade de ensinar o jiu-jitsu tradicional. Um diretor do Banco do Brasil, Mario Brandt, chegou para uma aula privada na original Academia Gracie no Rio de Janeiro, como estava marcado. Carlos Gracie, que era quem dava as aulas chegaria tarde e não estaria presente. Hélio então ofereceu-se para dar aula ao rapaz. Mais tarde quando Carlos chegou pedindo desculpas pela demora, o estudante afirmou que não havia problema, mas que gostaria de agora em diante receber aulas de Hélio. Carlos concordou com o pedido e então Hélio se tornou um instrutor na academia.

Utilizando essas adaptações técnicas, praticantes fisicamente menores ou com menor força passaram a dispor de recursos que lhes permitiam defender-se com maior eficiência e, em determinadas circunstâncias, superar adversários fisicamente mais fortes.Carlos e Hélio Gracie desempenharam papel fundamental no desenvolvimento e na difusão dessa abordagem do jiu-jítsu, introduzindo métodos e conceitos que contribuíram para sua consolidação no Brasil e para sua posterior projeção internacional.

Além de treinar com seus irmãos, Gracie aprendeu mais judô com Sumiyuki Kotani e o pioneiro do judô argentino Chugo Sato. Ele também pode ter recebido treinamento de um praticante chamado Hiraichi Tada.

Nos anos 1930, Hélio Gracie frequentou o núcleo de Ipanema da Ação Integralista Brasileira, sendo um membro ativo e considerado uma referência para o grupo.

Gracie começou sua carreira de lutador profissional aos 18 anos contra o boxeador Antonio Portugal. A luta ocorreu na preliminar de um evento de "jiu-jitsu vs. boxe" em 16 de janeiro de 1932, a qual o judoca Geo Omori derrotou o boxeador Tavares Crespo. Gracie venceu sua luta por finalização em pouco tempo, provavelmente com um armlock em 40 segundos. Portugal às vezes é incorretamente apresentado como um campeão de boxe. Sua segunda luta foi em uma exibição de jiu-jitsu contra Takashi Namiki, em setembro. Como Namiki tinha uma vantagem de peso de 7 kg e era natural do Japão, assim como a arte do jiu-jitsu, esperava-se que ele derrotasse Gracie. Namiki dominou a luta, mas Gracie não foi derrotado, resultando em um empate após várias rodadas.

Em 1934, Hélio Gracie enfrentou o veterano polonês Wladek Zbyszko em uma luta legítima no Estádio Brasil, no Rio de Janeiro. Enquanto a luta livre profissional no país era dominada por exibições combinadas, Hélio se destacava por aceitar apenas combates autênticos. Com 20 anos e 63,5kg, enfrentou Zbyszko, que tinha 41 anos e pesava 99,8kg, em uma luta sem barreiras composta por dois rounds de 20 minutos, onde apenas finalizações contavam. Hélio puxou para a guarda e neutralizou as investidas do adversário durante todo o combate, que terminou sem vencedor. Embora vaiada pelo público acostumado a lutas coreografadas, a performance de Hélio foi significativa, demonstrando a eficácia do jiu-jitsu contra um oponente muito mais experiente e fisicamente superior.

Também em 1932, Gracie enfrentou o catch wrestler Fred Ebert em 6 de novembro. Foi seu maior desafio até aquele momento, pois Ebert era 29 kg mais pesado e um renomado lutador de luta livre, e a luta não teria limite de tempo. Gracie estava confiante, afirmando que finalizaria Ebert rapidamente. No entanto, a luta durou quase duas horas e foi interrompida pela polícia, a critério dos promotores, pois nenhum dos lutadores estava progredindo ou avançando de posição. Essa luta é às vezes registrada como um combate de vale-tudo, mas foi realizada sob regras apenas de grappling.

Em 1932 Hélio Gracie lutou contra o judoca Namiki. A luta terminou empatada, mas segundo a família Gracie o sinal do fim da luta tocou segundos antes que Namiki batesse o braço. Hélio enfrentou duas vezes o judoca japonês Yasuichi Ono, depois que o japonês estrangulou o irmão George Gracie em outra luta. Ambas as lutas terminaram empatadas. Hélio Gracie também lutou contra o judoca japonês Kato duas vezes. A primeira luta, no estádio do Maracanã terminou empatada. Hélio pediu então uma segunda luta, realizada no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Hélio ganhou a segunda luta estrangulando Kato.

Em 1951, Hélio Gracie lutou contra o judoca Masahiko Kimura no Maracanã. Kimura ganhou usando uma chave de braço chamada ude-garami - que mais tarde seria chamada de kimura pelos gracies. Em 1994, durante uma entrevista, Hélio Gracie admitiu que ficou inconsciente ao ser estrangulado por Kimura, mas que reviveu e continuou lutando. A luta terminou com Kimura aplicando a chave no braço esquerdo de Hélio, que se recusava a "bater" (desistir da luta). Seus técnicos então jogaram a toalha, terminando a luta. Outras fontes mencionam que o braço de Hélio foi quebrado, mas segundo fotos tiradas no vestiário, após a luta, e por depoimento do próprio, ficou com o braço dolorido, mas não quebrado.

Um texto escrito por Kimura relata o fato:

"Hélio me agarrou pelas duas lapelas, e me atacou com um O-soto-gari e Kouchi-gari. Mas ele não me moveu nem um pouco. Agora era minha vez. Eu o joguei no ar por O-uchi-gari, Harai goshi, Uchi-mata, Ippon-seoi. Por volta de 10 minutos de luta, eu o lancei por O-soto-gari. Eu planejava causar uma concussão. Mas já que o tatame era muito macio não teve muito efeito nele. Enquanto continuava a lançá-lo, estava pensando em um modo de finalizar. Eu o arremessei por O-soto-gari novamente. Assim que Hélio caiu, eu o imobilizei por Kuzure-kami-shiho-gatame. Eu mantive por dois ou três minutos, e então tentei sufocá-lo pela barriga. Hélio balançava sua cabeça tentando respirar. Ele não aguentava mais, e tentou empurrar meu corpo esticando seu braço esquerdo. Nesse instante, eu agarrei seu pulso esquerdo com minha mão direita, e torci seu braço. Apliquei Udegarami. Eu pensei que ele iria desistir imediatamente. Mas Hélio não bateu no tatame. Não tive escolha a não ser continuar a torcer o seu braço. O estádio silenciou. O osso de seu braço estava se aproximando do ponto de quebrar. Finalmente, o som do osso quebrando ecoou no estádio. Ainda assim Hélio não desistiu. Seu braço esquerdo já estava inutilizado. Sob essa regra, eu não tinha outra escolha a não ser torcer o seu braço novamente. Tinha muito tempo ainda sobrando. Eu torci o seu braço esquerdo novamente. Outro osso quebrou. Hélio ainda não bateu. Quando tentei torcer o braço novamente, uma toalha branca foi jogada. Venci por TKO (nocaute técnico). Minha mão foi erguida. Japoneses brasileiros correram para a arena e me ergueram. Por outro lado, Hélio deixava seu braço esquerdo pendendo e parecia muito triste, resistindo a dor."

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