Hélio Jaguaribe Gomes de Mattos (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1923 – Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2018) foi um advogado, sociólogo, cientista político e escritor brasileiro.
Hélio é filho do cartógrafo e geógrafo general Francisco Jaguaribe Gomes de Mattos e de Francelina Santos Jaguaribe de Matos, oriunda de uma família portuguesa, conhecida pela produção e comercialização de vinho do Porto, sua família possuía a Companhia Ferro e Aço de Vitória. Hélio foi o responsável pela direção da empresa até 1964. Ao longo de sua gestão, através de um projeto, desenvolveu consideravelmente o empreendimento, inaugurando uma nova usina de ferro e aço.
Em 1946, graduou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Em 1983 recebeu o grau de doutor honoris causa da Universidade de Mainz, Alemanha. Nove anos depois, em 1992, foi a Universidade Federal da Paraíba que lhe deu o mesmo título. Recebeu também o grau pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Tendo em mente os inúmeros problemas vividos pela sociedade brasileira, Jaguaribe começou a se reunir com um grupo de intelectuais que dividiam os mesmos interesses. Essas pessoas, paulistas e cariocas em sua maioria, se reuniam no Parque Nacional de Itatiaia em 1952.
Em 1953 os representantes cariocas resolvem, então, fundar o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp). Jaguaribe se tornaria secretário-geral e diretor, auxiliando consideravelmente em uma publicação do instituto: a revista Cadernos do Nosso Tempo, que tinha como foco ensaios nas áreas de sociologia e economia. A revista foi publicada entre 1953 e 1956.
Em 1955, foi criado pelos membros do Ibesp e decretado pelo presidente Café Filho o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb). Este tinha como intuito influenciar nas decisões no que se referia à orientação do desenvolvimento.
Nos meses finais de 1958 o Iseb é atingido por uma grande crise interna. O estopim foi a publicação do livro O nacionalismo na atualidade brasileira, de autoria de Hélio e no qual havia uma forte crítica ao nacionalismo exagerado que espantava investimentos de outros países no Brasil, atrasando o desenvolvimento do país.
O Conselho Curador e Consultivo foi convocado por Clóvis Salgado, ministro da cultura, para ser discutida a real necessidade do Iseb. Como as alegações de Clóvis foram desconsideradas pelo Conselho, Roland Corbisier, solicitou ao presidente da república, Juscelino Kubitschek, e ao ministro da educação que fosse reformulada a estrutura interna do instituto. Juscelino aprovou as mudanças.
Com a reformulação, o diretor do instituto ficou submetido à autoridade do Conselho Curador. Discordando destas mudanças, Jaguaribe se exonera de suas funções. Passaria então a colaborar com outras instituições, nacionais e internacionais, sem, no entanto, estabelecer um vínculo permanente.
Em 1964 Jaguaribe criticou publicamente o golpe militar que derrubou o governo do então presidente João Goulart. Por isso, foi morar nos Estados Unidos. Lá, lecionou em três instituições:
Universidade de Harvard (de 1964 a 1966);
Universidade de Stanford (de 1966 a 1967);
Massachusetts Institute of Technology (MIT) (de 1968 a 1969).
Jaguaribe retornaria ao Brasil em meados de 1969. Novamente no país, se tornou diretor de assuntos internacionais do Conjunto Universitário Cândido Mendes. Em 1979 foi nomeado decano do recém criado Instituto de Estudos Políticos e Sociais, permanecendo na função até 2003. Neste ano, solicitou sua substituição pelo professor Francisco Weffort. No entanto, mesmo com a substituição, Jaguaribe foi nomeado decano emérito.
Em 1985, durante o governo José Sarney, Jaguaribe foi o coordenador do Projeto Brasil 2000, cujos resultados foram publicados em 1986 na obra Brasil 2000: para um novo pacto social. Dois anos depois, em 1988, foi publicado o segundo volume do projeto: Brasil: reforma ou caos.
Ainda em 1988, Jaguaribe auxiliaria na fundação do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB.
Em 1992 abriu mão de suas funções partidárias e aceitou o cargo de secretário da Ciência e Tecnologia do governo do então presidente Fernando Collor. Com a destituição deste, voltou a atuar no ramo acadêmico.