O HMS Dreadnought foi um couraçado operado pela Marinha Real Britânica que revolucionou a construção naval mundial e criou a classificação de dreadnought. Sua construção começou em outubro de 1905 no Estaleiro Real de Portsmouth e foi lançado ao mar em fevereiro de 1906, sendo comissionado na frota britânica em dezembro do mesmo ano. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 305 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de 21 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós.
O desenvolvimento do seu projeto começou em 1904 e foi liderado pelo almirante sir John Fisher, na época o Primeiro Lorde do Mar do Almirantado Britânico, com o auxílio de um comitê especial. O Dreadnought foi o primeiro couraçado do mundo armado com uma bateria principal uniforme e o primeiro navio capital do mundo equipado com um sistema de propulsão composto por turbinas a vapor. Seu lançamento causou o início de uma corrida armamentista naval mundial por embarcações semelhantes, especialmente entre a própria Marinha Real e a Marinha Imperial Alemã.
O Dreadnought teve um início de carreira tranquilo e sem grandes incidentes, servindo como parte da Frota Doméstica e como sua capitânia entre 1907 e 1911. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o navio passou todo o conflito realizando patrulhas e exercícios. Ele nunca chegou a entrar em batalha, tendo perdido a Batalha da Jutlândia em 1916 porque estava em manutenção, com a única ação de sua carreira tendo sido abalroar e afundar o submarino alemão SM U-29 em março de 1915. O Dreadnought foi descomissionado em agosto de 1918 e desmontado em 1923.
Desenvolvimentos na artilharia naval nas décadas de 1890 e 1900 aumentaram as esperadas distâncias de batalha para inéditos 5,5 quilômetros, uma distância grande o bastante que forçavam os artilheiros a esperarem os projéteis caírem antes de realizarem correções para o disparo seguinte. Um problema vindo disto era que as colunas de água causadas pelas várias armas menores dos navios tendiam a obscurecer as colunas maiores dos canhões principais. As armas menores teriam que esperar pelas maiores e mais lentas, desta forma perdendo a vantagem de sua cadência de tiro maior, ou suas miras seriam imprecisas devido à incerteza sobre de quem eram as colunas. Outro problema era que torpedos de longo alcance entrariam em serviço em breve e estes desencorajariam embarcações de se aproximarem dos inimigos, onde os canhões com cadência de tiro maior teriam prevalência. Manter a distância grande geralmente acabava com a ameaça de torpedos, reforçando ainda mais a necessidade de armas grandes de tamanho uniforme.
O arquiteto naval italiano Vittorio Cuniberti propôs pela primeira vez em 1903 o conceito de um couraçado armado apenas com canhões grandes. Entretanto, a Marinha Real Italiana decidiu não adotar suas ideias, assim ele resolveu escrever um artigo para a Jane's Fighting Ships defendendo seus conceitos. Sua proposta de um "couraçado ideal" seria de um navio com dezessete mil toneladas, armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 305 milímetros em oito torres de artilharia, protegido por um cinturão principal de blindagem com 305 milímetros de espessura e com uma velocidade máxima de 24 nós (44 quilômetros por hora).
Tanto a Marinha Real Britânica, quanto a Marinha Imperial Japonesa e a Marinha dos Estados Unidos reconheceram esses vários problemas antes de 1905. A Marinha Real modificou o projeto dos couraçados da Classe Lord Nelson para incluir um armamento secundário de mais poderosos canhões de 234 milímetros que tinham um alcance maior do que as armas de 152 milímetros de navios anteriores, porém uma proposta de arma-los apenas com canhões de 305 milímetros foi rejeitada. O couraçado japonês Satsuma teve suas obras iniciadas como um couraçado apenas com armas grandes, porém escassez de canhões fez com que fosse equipado com apenas quatro dos doze canhões de 305 milímetros originalmente planejados. Os norte-americanos começaram os projetos de couraçados com apenas armas grandes por volta da mesma época em meados de 1904, porém seu progresso foi mais lento e os resultantes couraçados da Classe South Carolina só foram encomendados em março de 1906.
O engenheiro Charles Algernon Parsons inventou a turbina a vapor em 1884 e isto levou a um aumento significativo da velocidade máxima de navios, algo demonstrado de forma não-autorizada em 1897 por seu iate Turbinia durante a revista naval de celebração do jubileu de diamante da rainha Vitória, quando a embarcação alcançou 34 nós (63 quilômetros por hora). Mais testes com turbinas a vapor foram realizados nos contratorpedeiros HMS Cobra e HMS Viper, além de experiências positivas em vários navios de passageiros menores, levando à decisão da Marinha Real de adotar a turbina a vapor como o sistema de propulsão padrão para todos os seus navios.
A Batalha do Mar Amarelo de 1904 e a Batalha de Tsushima de 1905 na Guerra Russo-Japonesa foram analisadas, com um relatório afirmando que "artilharia de [305 milímetros]" de ambos os lados demonstrou poder de fogo e precisão, diferentemente de projéteis de 254 milímetros. O almirante sir John Fisher, o Primeiro Lorde do Mar do Almirantado Britânico, queria que suas ideias para um navio de guerra com armas de 305 milímetros e velocidade de 21 nós (39 quilômetros por hora) fossem confirmadas, refinadas e implementadas, destacando que a frota japonesa na Batalha de Tsushima foi capaz de cruzar o "T" dos russos devido sua velocidade superior. A Batalha do Mar Amarelo foi travada a uma distância de treze quilômetros, algo inédito para qualquer marinha no mundo até então, confirmando ainda mais o que a Marinha Real já acreditava.
Fisher propôs no início da década de 1900 vários projetos diferentes para couraçados com armamento uniforme, reunindo no início de 1904 um grupo extraoficial de conselheiros para ajudá-lo a decidir nas características ideais desse navio. Ele foi nomeado Primeiro Lorde do Mar em 20 de outubro de 1904 e pressionou para que o Conselho do Almirantado aprovasse que o próximo couraçado da Marinha Real fosse armado com canhões de 305 milímetros e que tivesse uma velocidade máxima de pelo menos 21 nós. Ele reuniu em janeiro de 1905 um "Comitê sobre Projetos", incluindo muitos membros de seu grupo informal, com o objetivo de avaliar as várias propostas de projeto e ajudar no detalhado processo de projeto. Apesar de nominalmente independente, ele também tinha como propósito desviar críticas contra Fisher, com o Conselho não podendo considerar opções fora aquelas já decididas pelo comitê. Fisher nomeou todos os seus membros e era também seu presidente.
O comitê decidiu sobre o arranjo da bateria principal, rejeitando quaisquer torres de artilharia sobrepostas por preocupações sobre os efeitos das ondas de choque da torre superior sobre as observações de mira da torre inferior, escolhendo também em 18 de janeiro as turbinas a vapor sobre motores de tripla-expansão porque isto economizaria mais de mil toneladas. O comitê também tomou decisões sobre vários outros elementos, incluindo o número de eixos, o tamanho do armamento contra barcos torpedeiros e, mais importante, a adição de anteparas longitudinais para proteger os depósitos de munição de explosões subaquáticas. Isto foi considerado necessário depois de se acreditar que o couraçado russo Tsesarevich tinha sobrevivido a um torpedo japonês na Guerra Russo-Japonesa por causa de sua pesada antepara interna. Em compensação, a espessura do cinturão principal foi reduzida em 25 milímetros a fim de impedir um aumento no deslocamento da embarcação.
O comitê finalizou suas deliberações em 22 de fevereiro e relatou suas conclusões em março. Foi decidido que, pela natureza experimental do navio, quaisquer encomendas para mais couraçados semelhantes deveriam esperar até o fim de seus testes marítimos. A forma do casco foi projetada depois do projeto do resto do couraçado ter sido finalizado, sendo testado em um tanque do Almirantado em Gosport. Sete versões foram necessárias antes da forma final ser selecionada. Assim que o projeto geral foi terminado, três engenheiros assistentes e treze desenhistas produziram plantas detalhadas. A estrutura interna do casco foi simplificada o máximo possível para tentar acelerar a construção, também tendo sido feita uma tentativa de padronização em um número limitado de placas padrão que variavam apenas na espessura.