Hans Albert (Colônia, 8 de Fevereiro de 1921 – 24 de outubro de 2023) foi professor de ciências sociais na Universidade de Mannheim a partir de 1963, e permaneceu na universidade até 1989. Seus campos de pesquisa eram ciências sociais e estudos gerais de métodos. Ele era um racionalista crítico, prestando especial atenção às heurísticas racionais. Albert foi um forte crítico da tradição hermenêutica continental vinda de Heidegger e Gadamer.
Albert nasceu em Colônia, Alemanha, em 8 de fevereiro de 1921, filho de um professor de latim e história. Em 1950, ele obteve um diploma em administração de empresas na Universidade de Colônia, seguido por um doutorado em política social em 1952. De 1952 a 1958, ele trabalhou como assistente no instituto de pesquisa para ciências sociais e administrativas da universidade, onde também obteve um Dr. habil. em política social em 1957. Como conferencista, falou sobre lógica, teoria da ciência e economia do Estado de bem-estar social. A partir de 1958 participou na Alpbacher Hochschulwochen (uma conferência de verão na aldeia alpina austríaca de Alpbach), onde conheceu Karl Popper depois de ter estudado e abraçado principalmente a sua filosofia. Depois de 1955, ele teve discussões com Paul Feyerabend, que naqueles tempos era um racionalista crítico e um admirador de Karl Popper. Suas cartas foram posteriormente publicadas. Em 1963, Albert recebeu a cadeira de Ciências Sociais e Estudos Gerais de Métodos (mais tarde chamada de Sociologia e Estudos de Economia) na Wirtschaftshochschule Mannheim (mais tarde Universidade de Mannheim).
1961-1969 foi a época do chamado Positivismusstreit (disputa positivista), o debate entre Karl Popper e Theodor W. Adorno sobre o positivismo dentro da sociologia alemã durante a década de 1960. Albert participou desta famosa Tagung der deutschen Gesellschaft für Soziologie (Conferência da Sociedade Alemã de Sociologia) em 1961 em Tübingen. No início, não havia disputa sobre o positivismo, porque tanto Adorno quanto Popper eram contrários ao positivismo. O debate foi mais sobre as diferenças entre ciências sociais e ciências naturais e o status dos valores nas ciências sociais. Em 1963, o debate foi continuado por Jürgen Habermas no Festschrift für Adorno. Em 1964, na Soziologentag (Conferência de Sociologia) de Heidelberg, o debate transformou-se em uma discussão empolgada entre Habermas e Albert. A disputa culminou em uma coletânea de ensaios, publicados em 1969 e traduzidos para vários idiomas. Essa disputa ganhou um público amplo.
Em 1989, Albert se aposentou do serviço ativo como professor emérito, mas continuou escrevendo livros e dando palestras em muitas universidades, como as palestras de 1990 na Universidade de Graz sobre Racionalismo Crítico, as Palestras Walter Adolf de 1995 na Hochschule St. Gallen, e as Wittgenstein Lectures de 1998 na Universidade de Bayreuth (com Rainer Hegselmann) sobre racionalismo crítico.
Foi um forte crítico da hermenêutica continental inaugurada por Heidegger e seguida por Gadamer. Criticou e rejeitou o relativismo e o dogmatismo por se apoiarem em estratégias de imunização tendo em vista evitar a crítica legítima. Formulou o “trilema de Münchausen” como argumento contra o Fundacionalismo. Todas as pretensões de conhecimento são falíveis, e por conseguinte susceptíveis de revisão. Na controvérsia do positivismo alemão que alcançou o seu apogeu no início da década de 1960, Hans Albert e Karl Popper foram os principais adversários de Adorno e Habermas.
1967 Marktsoziologie und Entscheidungslogik. Ökonomische Probleme in soziologischer Perspektive.
1968 Traktat über kritische Vernunft (engl.Treatise on Critical Reason, Princeton University Press, Princeton 1985).
1971 Plädoyer für kritischen Rationalismus, Piper Verlag, Munique 1971.
1972 Konstruktion und Kritik. Aufsätze zur Philosophie des kritischen Rationalismus, Verlag Hoffmann e Campe, Hamburgo 1972.
1973 Theologische Holzwege. Gerhard Ebeling und der rechte Gebrauch der Vernunft, Verlag Mohr (Siebeck), Tübingen 1973.
1975 Transzendentale Träumereien. Karl-Otto Apels Sprachspiele und sein hermeneutischer Gott, Verlag Hoffmann e Campe, Hamburg 1975.
1976 com Adorno, Dahrendorf, Habermas, Pilot e Popper: The Positivist Dispute in German Sociology, Heinemann Londres 1976 e Harper Torchbook 1976. No mesmo ano: Aufklärung und Steuerung. Aufsätze zur Sozialphilosophie und zur Wissenschaftslehre der Sozialwissenschaften, Verlag Hoffmann e Campe, Hamburgo 1976.
1977 Kritische Vernunft und menschliche Praxis com notas autobiográficas.
1978 Traktat über rationale Praxis.
1982 Die Wissenschaft und die Fehlbarkeit der Vernunft.
1987 Kritik der reinen Erkenntnislehre. Das Erkenntnisproblem in realistischer Perspektive.
1993 Lectures about Rechtswissenschaft als Realwissenschaft. Das Recht als soziale Tatsache und die Aufgabe der Jurisprudenz at the University of Würzburg. - Kritik der reinen Hermeneutik - Der Antirealismus und das Problem des Verstehens, Tübingen (Mohr-Siebeck) 1994.
1997 Paul Feyerabend, Hans Albert, Briefwechsel (ed. Wilhelm Baum), Frankfurt/M. (Fischer) 1997.