Havaí (português brasileiro) ou Havai (português europeu) (em inglês: Hawaii; em havaiano: Hawai'i ou Havai'i) é um dos 50 estados dos Estados Unidos. Localiza-se em um arquipélago no meio do Oceano Pacífico, podendo ser considerado o estado norte-americano mais isolado em relação ao resto do país. Sua capital e maior cidade, Honolulu, localiza-se a mais de 3 100 km de qualquer outro estado norte-americano. É considerado parte dos Estados do Pacífico. Sua economia está baseada primariamente no turismo. Barack Obama foi o único presidente dos Estados Unidos nascido no estado do Havaí.
O arquipélago que forma o Havaí é conhecido historicamente pelo nome de 'Ilhas Sanduíche' ("Sandwich Islands"). O arquipélago havaiano era povoado por polinésios, sendo que a região era governada por vários chefes polinésios locais, até 1810, quando Kamehameha I centralizou o governo do arquipélago, e instituiu uma monarquia. O Havaí é o único Estado dos Estados Unidos cujos nativos utilizaram-se da monarquia como forma de governo. Em 1894, o arquipélago tornou-se uma república, e quatro anos depois, em 1898, foi invadido militarmente e anexado pelos Estados Unidos, tornando-se um território americano em 1900. Desde então, grande número de pessoas com ascendentes europeus, vindos de outras partes do país, bem como imigrantes asiáticos, instalaram-se no Havaí, dando à população local um aspecto altamente multicultural.
A base naval norte-americana de Pearl Harbor foi atacada por aeronaves da Marinha Imperial Japonesa, em 7 de dezembro de 1941. O ataque fez com que os Estados Unidos entrassem oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Mais de 2 400 pessoas morreram no ataque. Em 21 de agosto de 1959, o Havaí tornou-se o 50.º e último Estado a entrar à União.
Nativos polinésios viviam no arquipélago havaiano muito tempo antes da chegada dos primeiros europeus. Os atuais nativos havaianos são descendentes de polinésios que chegaram à região há alguns milhares de anos, vindos de outros arquipélagos do sul. Segundo registros, tais arquipélagos eram chamados de Hiva.
Um outro grupo polinésio, vindo do Taiti, desembarcou no arquipélago havaiano cerca 700 d.C. Este grupo trouxe uma cultura diferente, tambores, plantas, uma outra religião e outros chefes.
Antes da chegada dos primeiros europeus, em 1778, os nativos do Havai viviam numa sociedade altamente organizada e autossuficiente, baseada no arrendamento de terras comunais, possuindo um sofisticado idioma, cultura e religião.
Um dos primeiros exploradores europeus a desembarcar em terras havaianas foi o explorador britânico James Cook, em 18 de janeiro de 1778. De acordo com a página do Governo Regional dos Açores, já no século XVI as ilhas do Havaí foram avistadas por um navegador português ao serviço de Castela.[carece de fontes?]
Está documentada uma viagem no Pacífico por Juan Gaetan em 1542, que baptizou as Ilhas de Mesa, tendo La Pérouse identificado essas ilhas ao Havai.
O descobrimento por Juan Gaetan também foi reconhecido pelo geógrafo português J. Casado Giraldes em 1825:
«SANDWICH — (ilhas e arquipélago de), compõem-se de 11 ilhas no oceano Pacífico, que foram descobertas em 1542, por Gaetan, espanhol, e terão 40 000 almas. O clima é assaz temperado, o terreno é fértil e fazem algum comércio.»
E antes disso, a viagem de Juan Gaetan (e Bernard della Torre) é descrita num capítulo do volume 16 da grande compilação de Pieter de Hondt "História Geral das Viagens", publicado em 1758, vinte anos antes da viagem de Cook.
Não obstante, Cook é que é creditado com a descoberta do arquipélago por ter sido o primeiro a registrar oficialmente a descoberta, bem como o primeiro a fornecer as suas coordenadas geográficas. Cook nomeou o arquipélago de Ilhas Sanduíche, em homenagem ao Duque de Sandwich, um lorde britânico, nome este que é ainda utilizado em alguns atlas.
Graças à descoberta e à posição geográfica do arquipélago do Havaí, este tornou-se um ponto de escala frequente de navios europeus fazendo longas viagens transpacíficas. Doenças infecciosas, causadas por microorganismos transportados pelos marinheiros europeus e com as quais os nativos locais nunca tinham tido contato, mataram dezenas de milhares de nativos polinésios na região ao longo do século XIX.
Antes da chegada dos europeus o arquipélago havaiano estava fragmentado em uma série de tribos governadas por um chefe indígena. Algumas ilhas eram governadas por uma única tribo, enquanto que outras eram ocupadas por tribos diferentes. Tais tribos polinésias batalhavam entre si normalmente depois da morte de um chefe. Em 1782, um líder indígena, Kamehameha, iniciou uma longa guerra, que duraria 13 anos, contra outros chefes da região e outras ilhas. Auxiliado por armas modernas, comercializadas com os navegadores e comerciantes europeus e americanos que utilizavam a ilha como escala em suas viagens, Kamehameha uniu todo o arquipélago, com exceção das ilhas de Kaua‘i e de Ni‘ihau, em 1795. Kamehameha comandou duas invasões contra estas ilhas, em 1796 e em 1803, que fracassaram devido a uma rebelião e a uma epidemia, respectivamente. Enquanto isto, Kamehameha instituiu um sistema de administração política baseada em padrões de governo do Ocidente. Kamehameha instituiu uma monarquia no Havaí, e apropriou-se de todas as terras do arquipélago, cedendo lotes de terra para famílias rurais.
Cerca de quinze anos depois, em 1810, Kaua‘i e Ni‘ihau concordaram em unir-se pacificamente ao Reino de Kamehameha. A dinastia Kamehameha governaria o arquipélago até 1872. Ao longo do século XIX, a economia do Havaí prosperaria, com a venda de madeira de alta qualidade para a China até a década de 1830, com a venda de água potável e suprimentos para navios fazendo viagens no Oceano Pacífico desde a década de 1820, com a venda de cana de açúcar desde 1830, e de abacaxis da década de 1880 em diante.
O filho de Kamehameha, Kamehameha II, tornou-se o monarca do arquipélago havaiano em 1819, após a morte de seu pai. Kamehameha II aboliu a prática da religião havaiana em lugares públicos, embora permitisse esta prática em lugares privados. Em 1820, o governo americano enviou um grupo de missionários e professores protestantes brancos, que eventualmente converteriam a maior parte da população do Havaí para o protestantismo. Criaram também uma forma escrita para o idioma havaiano e fundaram as primeiras escolas no Havaí.
Missionários católicos romanos espanhóis e franceses desembarcariam pela primeira vez em 1827. Porém, os católicos não foram inicialmente bem-recebidos pelos nativos havaianos, que então já eram em sua maioria protestantes. Em 1831, os havaianos forçaram a pequena população católica de descendência europeia a sair do arquipélago, enquanto católicos de origem havaiana foram em sua maioria presos. Cinco anos depois, em 1836, uma fragata francesa bloqueou o porto de Honolulu, e obrigou Kamehameha II a liberar os católicos aprisionados e a permitir a liberdade de expressão religiosa. Um outro filho de Kamehameha, o Rei Kamehameha (Kauikeaouli) III criou a primeira constituição do Havaí em 1840 (ver Constituição Havaiana de 1840), e um sólido governo central composto pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. O governo americano reconheceu o Havaí como um país independente. O mesmo monarca criaria também a Constituição Havaiana de 1852, mais liberal que sua anterior.
Desde a década de 1850 em diante, o Havaí começou a receber centenas de imigrantes asiáticos por ano. Inicialmente, os chineses foram os principais imigrantes. A imigração chinesa ao arquipélago data de 1789, embora esta imigração tenha sido mais forte de 1850 até o início do século XX. Posteriormente, na década de 1860, grandes números de polinésios instalaram-se no Havaí. Em meados da década de 1880 até a década de 1930, grandes números de japoneses instalaram-se no Havaí.