Henry Every (Newton Ferrers, 20 de agosto de 1659 – 1699), também conhecido como Henry Avery, foi um pirata inglês. Conhecido na história por ser um dos poucos piratas que se aposentou com seus saques; Every fez o maior roubo pirata de todos os tempos, quando saqueou o navio Ganj-i-sawai, mesmo atuando apenas dois anos como pirata. Possuiu vários pseudônimos, como John Avery, Long Ben e Benjamin Bridgeman.
Henry Every tornou-se marinheiro ainda muito jovem, trabalhando inicialmente em navios mercantes. Alguns documentos afirmam a sua presença a bordo de um navio inglês em 1671, tendo assim cerca de 12 anos somente; por conta das guerras contra os franceses, Every ingressa na Marinha Real Britânica por volta de 1688, onde serviu como suboficial a bordo do HMS Rupert e do HMS Albemarle e participado de batalhas em ambas embarcações.
Ele estava insatisfeito com o tratamento que os marinheiros da Marinha Real Britânica recebiam, pois eram espancados e humilhados por seus superiores, comiam comida estragada e não recebiam seus pagamentos como deviam. Além de ver que seus companheiros quando adoeciam, se acidentavam no serviço ou em batalhas, acabavam se tornando inválidos e passavam a viver como mendigos, já que a marinha não lhes dava nenhum apoio.
Em 1693 surgiu a grande oportunidade de Avery mudar de vida. Comerciantes estavam montando uma esquadra de quatro navios em Londres, com o objetivo de saquear plantações e navios franceses na América, além de negociar com os colonos espanhóis, os comerciantes pagariam bem e com mais garantias que a Marinha Real. Avery tinha esperança também de comer e beber melhor que nela - o salário do primeiro mês sairia antes dos navios saírem do porto. Com seu currículo de primeira linha, Avery foi contratado para ser primeiro oficial da capitânia Charles II, que possuía 46 canhões e ficaria sob o comando do capitão Charles Gibson. Os outros três navios da esquadra seriam James, Dove e Seventh Son.
Em agosto de 1693 os homens partiram de Londres rumo a Corunha, onde receberiam mapas e documentos para navegar no Caribe. Eles receberam um mês de salário adiantado como prometido. O titular da esquadra era sir James Houblon, um rico comerciante que fundou e foi diretor do Banco da Inglaterra. Mais tarde se tornaria o prefeito de Londres - ele prometeu um salário semestral que seria entregue aos tripulantes ou às suas famílias.
A viagem até La Corunha deveria demorar duas semanas, mas durou cinco meses. Após sua chegada descobriram que a documentação ainda estava em Madrid, e passado um mês esperando na Espanha a tripulação começou a questionar o salário prometido. Eles enviaram uma petição a Houblon pelo pagamento de seus salários a eles ou para suas esposas. Em resposta, o titular da esquadra mandou seu agente prender os homens que fizeram as petições nas prisões dos navios. Alguns marinheiros então mandaram escondidas algumas cartas em navios ingleses que passavam pelo porto de La Corunha, nelas pediam a suas esposas para pressionar Houblon. A resposta dele a isso foi que seus navios e seus homens estavam agora a mando do rei da Espanha e ele poderia "paga-los ou enforcá-los, se quisesse".
O controle do Fancy e o Capitão Avery
Com a chegada da resposta de Houblon os tripulantes entraram em desespero, a notícia que ele os havia "vendido" para a coroa da Espanha criou pânico entre os homens. Eis que Avery teve uma solução, em maio de 1694 ele e alguns homens remaram até a cidade e se encontraram com marinheiros dos outros navios, ele tinha um plano para conquistar suas liberdades.
Na noite do dia seguinte recrutas do Charles II foram até o James, um dos recrutas então saudou o marinheiro que estava no convés com a senha, que não entendeu, eles então foram mais claros e revelaram que estavam ali pra leva-los para tomar o controle do Charles II, porém o homem não fazia parte da conspiração e foi correndo para alertar seu capitão, antes deste soar o alarme geral vinte e cinco conspiradores do James lançaram a pinaça, maior de seus barcos, ao mar e seguiram seus colegas em direção ao Charles II.
Do Charles II Avery ouviu o som do alarme do James, ele então sabia que tinha que ser naquele momento, eles se amotinaram, capturaram o vigia, tomaram o convés e o leme do navio, quando o restante dos conspiradores subiram a bordo do Charles II, os tripulantes do James abriram fogo contra o navio rebelde, os espanhóis da fortaleza de La Corunha vendo isso abriram fogo contra o Charles II também. Avery dava as ordens, os homens cortaram a âncora do navio, soltaram as velas e o vento a favor tirou os amotinados do porto de Corunha rumo ao alto-mar.
Alguns quilômetros de La Corunha, Avery foi falar com o Charles Gibson, que estava muito doente e de cama, ele ofereceu a Gibson o posto de capitão, que este não aceitou, Avery então prometeu a ele que o deixaria ir para terra firme junto dos homens que desejassem ir embora, Gibson e outros dezesseis homens pegaram um bote remaram até o continente na manhã seguinte.
Mais tarde naquele mesmo dia Avery reuniu a tripulação, ele propôs que aos homens uma forma de manterem a si e suas famílias, eles iriam saquear navios e assentamentos como previsto, porém por conta própria e não mais no Caribe, eles navegariam para o Oceano Índico, os tripulantes então fizeram de Henry Avery seu capitão.
Avery e sua tripulação então estabeleceram um sistema muito "democrático" para a época e que seria copiado pelos piratas no auge da Era de Ouro da Pirataria alguns anos depois no Caribe, enquanto capitães de corso sob as ordens da Inglaterra ganhavam até quatorze partes a mais que marinheiros comuns, seu capitão receberia apenas uma parte a mais e seu imediato meia parte a mais dos demais marujos. Todas as decisões seriam tomadas mediante a uma votação, exceto em combate onde as ordens do capitão deveriam ser absolutas. Eles votaram pela troca do nome do navio Charles II, que passou a ser chamado de Fancy.
Foi nas ilhas de Cabo Verde que Henry Avery "pirateou" pela primeira vez ao roubar três comerciantes ingleses, ele aproveitou que eles pararam na Ilha do Maio para retirar sal das salinas da ilha, na época o sal era o principal conservante dos alimentos. Com os quarenta e seis canhões do monstro Fancy, os comerciantes não mostraram resistência, Avery roubou alguns mantimentos e a âncora de um dos navios já que o Fancy havia perdido a sua na fuga do porto de La Corunha, ele também fez com que nove homens desses navios se tornassem membros de sua tripulação.
Após o ataque aos três navios ingleses, Avery parece ter se arrependido de ter atacado companheiros britânicos em meio a guerra, ele escreveu uma carta aberta onde dizia que nenhuma embarcação de bandeira britânica ou holandesa deveria temer o Fancy, assinando com um "amigo inglês".
Nas Ilhas Comores, ele fez algumas transformações em seu navio, tornando-o num dos mais rápidos a navegar no Oceano Índico. Para mostrar esta velocidade capturou um navio corsário francês, tendo parte da tripulação deste navio se juntado a Avery, um grupo de quatorze marujos de um navio mercante dinamarquês também se juntou a tripulação do capitão Henry Avery.
Com alguns prisioneiros de um saque, Avery ficou sabendo que uma frota com muitas riquezas sairia de Mocha, no atual Iêmen, em direção ao Império Mongol, atual Índia, saindo de Madagáscar o Fancy foi em direção a saída do Mar Vermelho esperar o grande ataque de sua história, na frota estavam milhares de muçulmanos voltando de sua peregrinação a Meca e comerciantes com os frutos das negociações entre Arábia e Índia. Entre a frota estavam os navios de tesouro do Grão-Mongol da Índia, esses navios possuíam o que tinha de mais valioso no Oceano Índico. No caminho eles descobriram que não foram os únicos a terem essa ideia, encontraram com dois navios corsários ingleses e três navios piratas americanos, todos com seis canhões cada, com o mesmo objetivo do Fancy, entre eles estava o famoso capitão pirata Thomas Tew de Nova Iorque, eles decidiram se unir e dividir o saque.