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História do Iraque

A história do Iraque inicia-se nos primórdios das civilizações; foi nesta região, maioritariamente equivalente à Mesopot

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A história do Iraque inicia-se nos primórdios das civilizações; foi nesta região, maioritariamente equivalente à Mesopotâmia, que foram feitos os primeiros registros históricos, com o surgimento da escrita. Foi lá também, que surgiu a primeira civilização do mundo, a Suméria. Com efeito, tais registros remontam a mais de cinco mil anos, época em que nem mesmo existia boa parte do território do atual vizinho do Sul, o Cuaite, formando com sedimentos trazidos pelos rios Tigre e Eufrates.

Sinteticamente, a história inicia-se com o estabelecimento dos Caldeus no sul da Mesopotâmia, sobre população já aculturada de sumérios e Acádios, e subsequente invasão pelos Assírios vindos do noroeste, que lhes cooptaram a adiantada civilização, em especial a escrita a partir da qual nos legaram registros.

Boa parte do período antigo é coberto pelas cidades-estado, muitas das quais enlaçadas em alianças temporárias e ocasionais. Mais adiante, a demorada hegemonia de algumas destas cidades, o acúmulo de poder bélicos de alguns reinos, resultaram na ampliação de territórios organizados sob impérios dinásticos.

Assim sucedeu com a Babilônia, que a certa altura, em expedição de guerra ao Egito, acabou por submeter os judeus, naquilo que ficou conhecido como Cativeiro da Babilônia de que fala a Bíblia.

É no período mais brilhante da civilização mesopotâmica que se fizeram as leis escritas mais antigas, tratando-se do Código de Hamurabi no qual, em três escritas diferentes, estão gravadas leis então vigentes, mas de origem muito mais antigas.

É aí que está escrita a lei de talião, cujo conhecido preceito olho por olho, dente por dente era realidade jurídica e legal. Foi também neste documento lítico que se iniciou a decifração do alfabeto cuneiforme, já que continha versões em outras escritas já conhecidas. Mais adiante, o último e poderoso império babilônico acabou derrotado pelo Império Aquemênida das povos pérsicos.

Durante o reinado de Ciro, o Grande, a Mesopotâmia foi transformada numa satrapia da Pérsia. Ciro permitiu que alguns judeus exilados na Babilônia voltassem à Palestina, mas muitos hebreus preferem ficar na Babilônia, onde se estabelece o segundo grande centro hebraico, sendo superado apenas por Jerusalém. No período, registrou-se um florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumérias e babilônicas eram preservadas nas escolas dos templos.

A região saiu do domínio persa com a derrota do rei persa Dario III pelo rei macedônico Alexandre, o Grande, em 331 a.C. Esse fato marcou o início da colonização macedônica na região. A Babilônia tornou-se importante centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e oriental. Depois da morte de Alexandre, a dinastia selêucida, da Grécia, reinou na Mesopotâmia por, aproximadamente, duzentos anos. Nos anos em que a Mesopotâmia estava incorporada ao Império Selêucida, a religião mesopotâmica sofreu influencias da cultura helenística. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi incorporada ao Império Parta.

Os romanos fracassaram na primeira tentativa de conquistar o país, entre 54 e 53 a.C., mas de 114 a 117 da era cristã o imperador Trajano submeteu a região até Singara, tornando-a uma província de Roma. Depois de abandonado mais uma vez aos partos em 165, o Iraque voltou a ter sua região nordeste ocupada pelos romanos.

A partir do século III, a luta de Roma dirigiu-se contra as pretensões sassânidas (dinastia que reinou na Pérsia de 224 a 651) na Mesopotâmia. Em meio à desordem política generalizada, a Mesopotâmia converteu-se, por 10 anos, em parte do Reino de Palmira (Síria), até à derrota de Zenóbia, rainha da cidade, pelo imperador Aureliano. A luta contra os persas prosseguiu até o ano de 298, quando o imperador Diocleciano submeteu a Mesopotâmia ao poder de Roma. A luta, todavia, continuou e, em 363, os romanos conseguiram uma trégua, mas tiveram que ceder a região de Singara e Nísibis.

Depois da queda de Roma, os habitantes da Mesopotâmia ficaram repartidos entre o Império Bizantino e o Império Sassânida, situação esta que se traduziu numa divisão religiosa. Sob o domínio de Roma, foi gradativa a difusão do cristianismo, por intermédio dos cristãos da Síria, que fundaram o bispado de Edessa. Esse bispado converteu-se depois à heresia nestorianista, cujos integrantes se congregaram em Nísibis, em meio a uma complicada situação religiosa, na qual as decisões contra o monofisismo do Concílio de Calcedônia (451) acabaram por provocar a cisão dos cristãos em três grupos: nestorianos, jacobitas e melquitas. Os jacobitas e melquitas estavam na esfera de Constantinopla e os nestorianos e zoroastrianos orbitavam em torno dos vizinhos do leste.

Depois de recuperar suas antigas fronteiras, perdidas durante o avanço do xá sassânida Cosroes I, por volta de 530 a Mesopotâmia bizantina foi obrigada a enfrentar o agravamento do conflito com os persas, com a perda de diversas cidades e o exílio de um grande número de cristãos. No século VII, os árabes conquistaram a Mesopotâmia e daí até o século VIII a história da região se caracterizou não só por uma série de transformações culturais e sociais e pela fundação de grandes cidades, mas também por intrigas, violência e desordens. Nos séculos seguintes, as cidades iraquianas tornaram-se importantes centros culturais do Islã, e o país se viu envolvido nos choques entre as três grandes famílias étnicas do mundo muçulmano: árabes, persas e turcos.

A conquista da Mesopotâmia começou em 633 e culminou em 636, na Batalha de Cadésia, uma vila no Eufrates a sul de Bagdá. Nessa batalha, um exército árabe-muçulmano, liderado pelo califa (chefe dos crentes, título de soberano muçulmano) Omar, derrotou decisivamente um exército persa seis vezes maior. O exército árabe moveu-se rapidamente até Ctesifonte, a capital do Império Sassânida, onde, em 637, venceu os sassânidas e capturou um grande tesouro deles. A maioria dos habitantes logo se tornou muçulmana, inclusive os curdos, embora pequenas comunidades de cristãos e judeus (considerados pelos muçulmanos Povos do Livro) tenham permanecido na região mediante o pagamento de uma taxa. Instala-se, assim, a dinastia dos omíadas. Esta dinastia, no auge do seu poder, governaria o maior império muçulmano de sempre – da Península Ibérica às portas da China. O Iraque, islamizado, foi palco de lutas entre a dinastia reinante dos omíadas e os álidas (morte de Hussein em Karbala, em 680).

Durante o predomínio muçulmano, teve início um período de tolerância religiosa e o idioma árabe passou a predominar sobre o siríaco. Em 750, disputas entre as facções muçulmanas dos abássidas e dos omíadas ameaçavam a estabilidade da região. Os omíadas abandonaram Damasco e instalaram-se em Harrã, enquanto os abássidas fixaram-se no atual Iraque e passaram a governar o Islã.

Por volta do anos 762, o califa Almançor (o segundo governante da recém implantada dinastia dos abássidas) chamou dois renomados astrônomos, um persa e outro judeu, para que projetassem uma nova cidade do seu império na mesma latitude da cidade de Damasco 33, 33º entre as margens do Tigre e Eufrates. Em pouco tempo, eles apresentaram ao califa o projeto urbanístico. Tratava-se de uma urbanização circular semelhante a uma grande mandala vista do cosmo e cujas portas voltavam-se para os quatro cantos do mundo. O nome a ser dado era Medina Salam (Cidade da Paz), e seria construída onde outrora ficava a aldeia de Bagdá. Esta cidade foi construída as margens do Tigre, num local onde esse rio se aproxima do Eufrates. A sua posição geográfica era exemplar, pois permitia o controle das férteis terras ribeirinhas, o domínio da desembocadura de ambos os rios (o Xatalárabe), bem como o porto de Baçorá, situada quatrocentos quilômetros mais abaixo. Em 762 a capital foi transferida de Damasco para Bagdá, dando início ao Califado de Bagdá. De 762 a 1258, Bagdá foi a capital do califado dos abássidas. Durante esse período, idade de ouro da cultura e do poder islâmico, Bagdá se tornou a segunda maior cidade do mundo conhecido, atrás apenas de Constantinopla, e o mais importante centro de ciência e cultura. Por um tempo, o reino dos abássidas foi uma poderosa potência militar. Suas fronteiras alcançaram o sul da França, à oeste, e as fronteiras da China, à leste.

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