Hugo Lafayette Black (Ashland, 27 de fevereiro de 1886 – Bethesda, 25 de setembro de 1971) foi um político Americano que serviu como Senador dos Estados Unidos pelo partido Democrata, representando o estado do Alabama de 1927 a 1937. Serviu como Associado de Justiça da Suprema Corte dos Estados Unidos de 1937 a 1971. Black foi nomeado ao Supremo Tribunal de justiça pelo Presidente Franklin D. Roosevelt e confirmado pelo Senado por voto de 63 a 16 (6 Senadores democratas e 10 Republicanos votaram contra sua nomeação.) Ele foi o primeiro dos nove juízes nomeados ao tribunal por Roosevelt, durando mais tempo que todos, exceto William O. Douglas. Black é amplamente considerado um dos mais influentes juízes da Suprema Corte no século XX.
O quinto Juiz a servir mais tempo na história do supremo tribunal, Black era reconhecido por sua defesa da leitura mais textualista da Constituição dos Estados Unidos, e da posição de que as liberdades garantidas na Declaração dos Direitos Americana foram impostas aos estados pela Décima Quarta Emenda a Constituição. Durante a sua carreira política, Black foi considerado defensor das políticas liberais e das liberdades civis.
No entanto, Black relatou a opinião da maioria no caso Korematsu v. United States, que manteve o internamento de cidadãos Nipo-Americanos durante a segunda Guerra Mundial. Black também se opôs frequentemente à doutrina do devido processo substantivo (a interpretação do Supremo Tribunal federal deste conceito tornou impossível que o governo aprovasse legislação que interferisse com as liberdades dos empresários), acreditava que não havia nenhuma base na Constituição para o direito à privacidade e votou contra tal interpretação no caso Griswold v.Connecticut.
Hugo Black também foi membro da Ku Klux Klan, como revelado pelo jornalista Ray Sprigle do Pittsburgh Post-Gazette, quando descobriu uma renúncia do Klan escrita à mão por Black em 9 de julho de 1925. Quando confrontado com a evidência de que Hugo Black teria sido um membro da Klan, ele mesmo respondeu que, "antes de me tornar Senador, eu larguei o Klan. Eu não tenho nada a ver com ele desde aquela época. Eu o abandonei. Eu completamente descontinuei qualquer associação com a organização."
Um reformador no Senado e um devoto ao New Deal, Black apoiou Roosevelt, tanto nas eleições presidenciais de 1932 quanto nas de 1936.
Hugo LaFayette Black era o mais novo de oito filhos de William Lafayette Black e Martha Toland Black. Ele nasceu em 27 de fevereiro de 1886, em uma de pequena casa de madeira em uma fazenda em Ashland (Alabama), no estado do Alabama, uma cidade pobre, rural, e isolada do Condado de Clay.
Como seu irmão Orlando havia se tornado médico, Hugo decidiu seguir seus passos. Aos dezessete anos, ele deixou a escola e se matriculou na Escola de Medicina de Birmingham. No entanto, foi Orlando quem sugeriu que Hugo deveria inscrever-se na Faculdade de Direito da Universidade do Alabama. Após se formar em junho de 1906, ele voltou para Ashland (Alabama) e fundou um escritório de advocacia. Seu escritório não foi bem sucedido e Black, se mudou para Birmingham em 1907, onde se especializou em direito do trabalho e em casos de danos físicos.
Como consequência de sua defesa de um afro-Americano que havia sido forçado a uma forma de escravidão comercial após sair da prisão, Black se tornou amigo de A. O. Lane, um juiz ligado com o caso. Quando Lane foi eleito à comissão de Birmingham City, em 1911, ele convidou Black para servir como juiz do tribunal de polícia, que seria a sua única experiência como juiz antes de o Supremo Tribunal federal. Em 1912, Black renunciou o cargo para voltar a praticar direito em tempo integral. Em 1914, ele iniciou seu mandato de quatro anos como Promotor Público do Condado de Jefferson.
Três anos mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, Black renunciou para poder ingressar no Exército dos Estados Unidos, eventualmente alcançando o posto de capitão. Ele serviu na divisão 81 da Artilharia de campo, mas não foi enviado para a Europa. Ele se juntou ao Clube Birmingham Civitan durante este tempo, e se tornou presidente do grupo. Permaneceu um membro ativo ao longo de sua vida. ocasionalmente contribuindo com artigos para as publicações Civitan.
Em 23 de fevereiro de 1921, casou-se com Josephine Foster (1899-1951), com quem teve três filhos: Hugo L. Black, II (1922-2013), advogado; Sterling Foster (1924-1996), e Marta Josephine (nascida em 1933). Josephine morreu em 1951; em 1957, Black casou-se com Elizabeth Seay DeMeritte.
Em 1926, Black se candidatou ao Senado dos Estados Unidos pelo Alabama, após a aposentadoria do Senador Oscar Underwood. Como o Partido Democrático dominava a política do Alabama, ele facilmente derrotou seu adversário Republicano, E. H. Dryer com 80.9% dos votos. Ele foi reeleito em 1932, com 86.3% dos votos contra o Republicano Theodore J. Johnson.
O senador Black adquiriu uma reputação como um investigador persistente. Em 1934, ele presidiu o comitê que investigou os contratos de correios aéreos sob o Chefe dos Correios Walter Folger Brown, um inquérito que levou ao "Escândalo Air Mail". Para corrigir o que ele chamou de abusos "fraudulentos e de conluio" resultante da lei de correios aéreos de 1930 (Air Mail Act of 1930), ele introduziu a lei Black-McKellar, posteriormente a lei de correios aéreos de 1934 (Air Mail Act of 1934). No ano seguinte, participou de uma comissão de investigação do Senado de práticas lobistas. Ele denunciou publicamente o "poderosos, enganosos, lobistas visitantes de Washington", e defendeu que lei lhes exigisse, publicamente, a divulgarem seus nomes e salários.
Em 1935, Black tornou-se presidente do Comitê do Senado de Educação e Trabalho, uma posição que ele manteve pelo resto de sua carreira no Senado. Em 1937, patrocinou o projeto de lei Black-Connery, que procurou estabelecer salário mínimo nacional e um limite de trabalho semanal de trinta horas. Embora o projeto de lei tenha sido inicialmente rejeitado na câmara dos deputados (House of Representatives), uma versão editada, que aumentou a proposta original de Black ao limite de horas de trabalho para quarenta e quatro horas, foi aprovada em 1938 (depois que Black deixou o Senado), tornando-se o Fair Labor Standards Act (Lei de padrões justos de trabalho).
Black apoiava fervorosamente o Presidente Franklin D. Roosevelt e o New Deal. Especificamente, ele foi um defensor do Projeto de lei de Reorganização da Magistratura de 1937, popularmente conhecido como o projeto de lei de inchamento dos tribunais, um plano fracassado de Roosevelt de expansão do Supremo Tribunal para fortalecimento político.
Ao longo de sua carreira como senador, Hugo L Black daria discursos com base em sua crença no poder supremo da Constituição. Ele via as decisões dos casos anti-New Deal do Supremo Tribunal como excessos jurídicos. Em sua opinião, o Tribunal indevidamente derrubava leis que haviam sido aprovadas por grande maioria no Congresso.
Durante sua carreira no senado, Black consistentemente se opôs a leis anti-linchamento. Em 1935, Black liderou uma obstrução ao projeto de lei anti-linchamento Wagner-Costigan. O Pittsburgh Post Gazette relatou que, quando uma moção para acabar com a obstrução foi derrotada, "os sulistas—liderados por Tom Connally do Texas e Hugo Black do Alabama—sorriram e se cumprimentaram."
Logo após o fracasso do plano de inchamento dos tribunais, o Presidente Roosevelt obteve a sua primeira oportunidade de nomear um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, quando o conservador Willis Van Devanter se aposentou. Roosevelt queria que o subistituto fosse um "apoiador evangélico do New Deal", razoavelmente jovem, confirmável pelo Senado, e natural de uma região do país não representada no Tribunal. Os três candidatos finais foram o Promotor-Geral da união Stanley Reed, Sherman Minton, e Hugo Black. Roosevelt disse que Reed "não tinha fogo," e Minton não desejava a nomeação, no momento. A posição iria para Black, um candidato do Sul, que como senador, votou a favor de todos os 24 principais projetos do New Deal de Roosevelt. Roosevelt admirava a forma como Black se utilizava do papel investigativo do Senado para moldar a opinião dos americanos a favor das reformas, e seu histórico de votos que o favorecia desde 1933. Tanto Reed quanto Minton, posteriormente, foram nomeados ao Supremo Tribunal; Reed foi o Juiz seguinte a ser nomeado por Roosevelt, enquanto Minton foi nomeado por Harry Truman, em 1949.