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Iúçufe I de Granada

Sultão de Granada

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Iúçufe I ou Yusuf I (29 de julho de 1318 - 19 de outubro de 1354), nascido Abu Alhajaje Iúçufe ibne Ismail (em árabe: أبو الحجاج يوسف بن إسماعيل; romaniz.: Abu al-Hajjaj Iusuf ibn Ismail) e chamado pelo nome real de Almuaiade Bilá (em árabe: المؤيد بالله; romaniz.: al-Muayyad billah, lit. "Aquele que é ajudado por Deus"), foi o sétimo sultão do Reino Nacérida de Granada, na Península Ibérica. Terceiro filho de Ismail I (r. 1314–1322), foi governou entre 1333 e 1354, depois que seu irmão Maomé IV (r. 1325–1333) foi assassinado por dois oficiais revoltosos do exército, seja por vingança ao destino de seu pai, ou pela política amigável do sultão para com os cristãos.

Chegando ao trono aos quinze anos, foi inicialmente tratado como menor e recebeu apenas poderes limitados de seus ministros e de sua avó Fátima. Em fevereiro de 1334, seus representantes conseguiram um tratado de paz de quatro anos com os vizinhos de Granada, Castela e o Império Merínida e ao qual Aragão se juntou em maio. Depois de ganhar mais controle do governo, em 1338 ou 1340 expulsou a família Banu Abi Alulá, que planejou o assassinato de seu irmão e era a líder dos Voluntários da Fé - soldados norte-africanos que lutaram por Granada. Depois que o tratado expirou, se aliou ao merínida Alboácem Ali ibne Otomão (r. 1331–1348) contra Afonso XI (r. 1312–1350). Depois de obter uma importante vitória naval em abril de 1340, a aliança merínido-granadina foi derrotada de forma decisiva em 30 de outubro, na desastrosa Batalha do Salado. Em suas consequências, Iúçufe foi incapaz de impedir Castela de tomar vários castelos e cidades de seu país, incluindo Alcalá de Benzaide, Locubín, Priego e Benamejí. Em 1342–1344, Afonso XI sitiou o porto estratégico de Algeciras. Iúçufe liderou suas tropas em ataques alternativos ao território castelhano e, mais tarde, enfrentou o exército sitiante, mas a cidade caiu em março de 1344. Seguiu-se um tratado de paz de dez anos com Castela.

Em 1349, Afonso XI quebrou o tratado e invadiu novamente, sitiando Gibraltar. Iúçufe foi responsável pelo abastecimento do porto sitiado e liderou contra-ataques a Castela. O cerco foi levantado quando Afonso XI morreu de Peste Negra em março de 1350. Por respeito, Iúçufe ordenou que seus comandantes não atacassem o exército castelhano enquanto se retiravam dos territórios granadinos carregando o corpo de seu rei. Assinou um tratado com o filho de Afonso e sucessor Pedro I (r. 1350–1366), até mesmo enviando suas tropas para reprimir uma rebelião doméstica contra o rei castelhano, conforme exigido pelo tratado. Sua relação com os merínida se deteriorou quando forneceu refúgio aos irmãos rebeldes do sultão Abu Inane Faris (r. 1348–1358). Foi assassinado por um louco enquanto orava na Grande Mesquita de Granada, no dia de Eid al-Fitr, 19 de outubro de 1354.

Em contraste com as perdas militares e territoriais sofridas durante seu reinado, o reino floresceu nos campos da literatura, arquitetura, medicina e direito. Entre outras novas construções, construiu a Madraça Iuçúfia dentro da cidade de Granada, bem como a Torre da Justiça e vários acréscimos ao Palácio de Comares de Alhambra. Grandes figuras culturais serviram em sua corte, incluindo o hájibe Abu Nuaim Riduão, bem como o poeta Ibne Aljaiabe e o polímata ibne Alcátibe, que consecutivamente serviram como seus vizires. Os historiadores modernos consideram seu reinado, e o de seu filho Maomé V (r. 1354–1359, 1362–1391), como a era de ouro do reino.

Fundado por Maomé I na década de 1230, o Reino de Granada foi o último Estado muçulmano na Península Ibérica. Por meio de uma combinação de manobras diplomáticas e militares, conseguiu manter sua independência, apesar de estar localizado entre dois vizinhos maiores: a cristã Coroa de Castela ao norte e o muçulmano Império Merínida do outro lado do mar no atual Marrocos. Granada intermitentemente entrou em aliança ou entrou em guerra com esses dois poderes, ou os encorajou a lutar um contra o outro, a fim de evitar ser dominado por qualquer um deles. De vez em quando, os sultões de Granada juravam fidelidade e prestavam homenagem aos reis de Castela, uma importante fonte de renda para Castela. Do ponto de vista de Castela, Granada era um vassalo real, enquanto fontes muçulmanas nunca descreveram o relacionamento como tal. Maomé I, por exemplo, ocasionalmente declarou sua fidelidade a outros soberanos muçulmanos.

O predecessor de Iúçufe, Maomé IV, procurou a ajuda do Império Merínida para conter uma ameaça de uma aliança de Castela e o poderoso comandante granadino Otomão ibne Abi Alulá, que apoiou um pretendente ao trono numa guerra civil. Em troca da aliança, teve que ceder Ronda, Marbelha e Algeciras. Posteriormente, as forças merínido-granadinas capturaram Gibraltar e se defenderam de uma tentativa castelhana de retomá-la, antes de assinar um tratado de paz com Afonso XI e Alboácem Ali ibne Otomão um dia antes de seu assassinato. Enquanto o assassinato real de Maomé IV foi executado por um escravo chamado Zaiane, os instigadores foram os próprios comandantes de Maomé, Abu Tabite ibne Otomão e Ibraim ibne Otomão. Eram os filhos de Otomão ibne Abi Alulá, que morreu em 1330, e seus sucessores como líderes dos Voluntários da Fé, o corpo de norte-africanos que lutava na Península Ibérica por Granada. De acordo com ibne Caldune, os dois irmãos decidiram matar Iúçufe devido à sua proximidade com o sultão merínida Alboácem - seu inimigo político - enquanto, de acordo com as crônicas castelhanas, foi por causa da maneira amigável como tratou Afonso XI na conclusão do cerco.

Como resultado das cessões de Maomé aos merínidas e da tomada de Gibraltar, os merínidas tinham guarnições e territórios consideráveis em terras tradicionalmente granadinas no Alandalus (a parte controlada por muçulmanos da Península Ibérica). Seu controle de Algeciras e Gibraltar - dois portos do estreito de Gibraltar - deu-lhes a capacidade de mover tropas facilmente entre o Norte da África e a Península Ibérica. O controle desses portos e das águas ao seu redor também era um objetivo importante para Afonso XI, que queria deter a intervenção do Norte da África na península.

Abu Alhaje Iúçufe ibne Ismail nasceu em 29 de junho de 1318 (28 Rabi Altani 718 AH) em Alhambra, o complexo palaciano fortificado da dinastia nacérida do Reino de Granada. Era o terceiro filho do sultão reinante, Ismail I (r. 1314–1322), e um irmão mais novo do futuro Maomé IV. Ismail teve quatro filhos e duas filhas, mas Iúçufe era o único filho de sua mãe, Baar. Era uma ume ualade (concubina libertada) originalmente das terras cristãs, descrita como "nobre em boas ações, castidade e equanimidade" pelo vizir de Iúçufe, o historiador ibne Alcátibe. Quando Ismail foi assassinado em 1325, foi sucedido por Maomé, de dez anos, que governou até ser assassinado em 25 de agosto de 1333, quando voltava para Granada depois de repelir um cerco castelhano a Gibraltar, juntamente com os merínidas. Ibne Alcátibe descreveu o jovem Iúçufe como "de pele branca, naturalmente forte, tinha uma figura fina e um caráter ainda mais fino", com olhos grandes, cabelo escuro e liso e uma barba espessa. Ainda escreveu que gostava de "se vestir com elegância", estava interessado em arte, arquitetura, um "colecionador de armas" e "tinha alguma habilidade mecânica". Antes de sua ascensão, morava na casa de sua mãe.

A dinastia nacérida não tinha uma regra específica de sucessão, e as fontes não explicam por que foi escolhido em vez do segundo filho de Ismail, Faraje, que era um ano mais velho. Existem diferentes relatos sobre onde foi proclamado e quem o escolheu. De acordo com os historiadores L. P. Harvey e Brian Catlos, que seguem o relato das crônicas castelhanas, o hájibe (camareiro) Abu Nuaim Riduão, que esteve presente no assassinato de Maomé IV, cavalgou rapidamente à capital, chegando no mesmo dia, e após consulta com Fátima binte Alamar (mãe de Ismail e avó de Maomé e Iúçufe) providenciou a declaração de Iúçufe como o novo sultão. A proclamação ocorreu no dia seguinte, 26 de agosto (14 Du Alhija 733 AH). Outro historiador moderno, Francisco Vidal Castro, escreve que a declaração e o juramento de fidelidade ocorreram no acampamento muçulmano perto de Gibraltar, em vez de na capital, e que os responsáveis ​​pelo assassinato, os irmãos Banu Abi Alulá, foram os únicos que o proclamaram.

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