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Ida B. Wells

Ida Bell Wells-Barnett (Holly Springs, 16 de julho de 1862 — Chicago, 25 de março de 1931), mais conhecida como Ida B. W

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Ida Bell Wells-Barnett (Holly Springs, 16 de julho de 1862 — Chicago, 25 de março de 1931), mais conhecida como Ida B. Wells, foi uma jornalista, editora de jornal, sufragista, feminista e socióloga norte-americana. Ida tornou-se, sem sombra de dúvida, a mulher negra mais famosa dos Estados Unidos, em uma época de profundo preconceito e violência generalizada contra negros.

Uma das precursoras do movimento dos direitos civis, Ida foi uma das fundadoras da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP) em 1909 com a ajuda do Partido Republicano o qual a pertenceu.

Ida nasceu na escravidão em Holly Springs. Ganhou a liberdade com a Proclamação de Emancipação durante a Guerra de Secessão, mas perdeu os pais para a epidemia de febre amarela aos 16 anos, em 1878. Assim, Ida precisou trabalhar para manter a família, com a ajuda da avó. Mudou-se com os irmãos para Memphis, onde poderia encontrar um emprego como professora que pagasse melhor. Logo ela se tornaria uma das donas de um jornal, o Memphis Free Speech and Headlight.

Em 1880, Ida documentou uma série de linchamentos pelo país. Mostrou como o linchamento era usado com frequência no sul dos Estados Unidos para manter negros em constante estado de controle e punição generalizada pelos brancos. Por seus textos sobre a cobertura dos linchamentos, que foram lidos por todo o país, as prensas de seu jornal foram destruídas por uma turba de homens brancos.

Sob constantes ameaças, Ida precisou sair de Memphis, mudando-se para Chicago. Lá ela se casou e constituiu família, enquanto continuava escrevendo, palestrando e organizando passeatas pelos direitos civis pelo resto da vida. Ida foi franca sobre suas crenças como ativista negra e enfrentou a desaprovação pública regularmente, que incluía líderes com pontos de vista divergentes tanto do movimento dos direitos civis quanto do movimento de sufrágio feminino. Foi muito ativa no movimento feminista e do sufrágio, estabelecendo várias organizações de mulheres. Era excelente na oratória e na retórica, tendo viajado para o exterior para dar palestras.

Ida Bell Wells nasceu em Holly Springs, Mississippi, em 16 de julho de 1862, meses antes do presidente norte-americano Abraham Lincoln emitir a Proclamação de Emancipação, que libertou os escravos nos territórios confederados. Seus pais, James Wells e Elizabeth (Lizzie) Wells, nasceram escravos e ambos pertenciam ao arquiteto Spires Bolling. Ida tinha sete irmãos e morava com sua família na casa do arquiteto, que hoje abriga o museu Ida B. Wells-Barnett.

Sua mãe era cozinheira e seu pai um carpinteiro que, depois da Guerra de Secessão ficou conhecido como um "homem de raça" que trabalhou para o avanço dos negros na conquista de direitos. Bastante interessado em política, James frequentou a Universidade Shaw, em Holly Springs (agora chamada Rust College), mas logo largou os estudos para cuidar da família. Ele também participou de discursos e manifestações políticas a favor de candidatos negros, embora ele mesmo nunca tendo concorrido. Lizzy era muito religiosa e rigorosa com os filhos e junto do marido era bastante ativa no Partido Republicano.

Ida também frequentou a Universidade Shaw, mas ela foi expulsa por comportamento subversivo depois de confrontar o presidente da faculdade. Aos 16 anos, Ida soube que Holly Springs estava sofrendo uma epidemia de febre amarela enquanto ela visitava sua avó no Mississippi. Tanto sua mãe, como seu pai e seu irmão mais novo (Stanley) morreram durante a epidemia, deixando ela e cinco irmãos órfãos.

Após os funerais dos pais e do irmão, amigos e parentes decidiram que os seis filhos remanescentes deveriam ser separados e mandados para várias casas. Ida foi contra. Para manter a si mesma e os irmãos, ela conseguiu trabalho como professora em uma escola infantil para crianças negras. Sua avó paterna, Peggy Wells, junto de outros parentes e alguns amigos, se revezavam cuidando das crianças enquanto ela trabalhava. Sem essa ajuda, Ida não teria conseguido manter a família unida. Ida se revoltava com o fato de professores brancos recebiam 80 dólares por mês, enquanto ela e os colegas negros recebiam apenas 30 dólares. Essa discriminação a fez se interessar ainda mais por política de raça e a fez lutar por melhorias no sistema educacional, especialmente para os jovens negros.

Em 1883, Ida levou três de seus irmãos para morar com ela em Memphis, para morar uma tia e estar mais próxima de outros parentes. Logo ela percebeu que podia ganhar mais ali como professora do que no Mississippi. Pouco depois de se mudar, ela foi contratada em Woodstock, no condado de Shelby. Nas férias de verão, ela fazia cursos de extensão na Universidade Fisk, apenas para negros, em Nashville. Estudou também em outras instituições, onde desenvolveu ainda mais sua visão política provocou muita gente devido às suas opiniões a respeito dos direitos das mulheres.

Em 4 de maio de 1884, um condutor de trem mandou que Ida cedesse seu lugar na primeira classe do vagão feminino e fosse para o vagão de fumantes, que já estava lotado de passageiros. Apenas um ano antes, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou contra a Ata pelos Direitos Civis de 1875, que baniu a segregação racial em transportes públicos. O veredito dava permissão para que ferrovias e seus funcionários pudesse segregar racialmente seus passageiros. Quando Ida se recusou a dar seu lugar, o condutor e outros dois homens a arrastaram dali. Ida tornou-se figura pública em Memphis depois disso, ao escrever um artigo para o The Living Way, um semanário da igreja, sobre o tratamento que recebeu no trem.

Em Memphis, ela contratou um advogado negro para processar a empresa dona da ferrovia. Quando o advogado foi comprado pela empresa, ela contratou um advogado branco e ganhou a causa em dezembro de 1884, quando a corte local lhe garantiu uma indenização de 500 dólares. A companhia apelou à corte do estado, que reverteu a decisão da corte local e ainda a obrigou a pagar os custos do caso ao tribunal.

Enquanto professora da escola infantil, Ida recebeu uma oferta de emprego no jornal Washington Evening Star, em Washington, D.C.. Ela também escrevia artigos para o jornal semanal The Living Way sob o pseudônimo de "Iola", que lhe rendeu grande reputação por escrever sobre questões raciais. Em 1889, tornou-se sócia e editora do jornal anti-segregação Free Speech and Headlight que foi criado pelo Reverendo Taylor Nightingale, onde publicava artigos sobre a segregação racial.

Em 1891 ela foi despedida da escola pelo Conselho de Educação de Memphis, depois de escrever vários artigos criticando as condições das escolas segregadas da região. Ida ficou profundamente triste com isso, mas concentrou todas as suas energias em escrever seus artigos. Em 1889, Thomas Moss, amigo da família de Ida, abriu uma doceria em um bairro apenas para negros na periferia de Memphis. Ida era madrinha de um dos filhos de Thomas e muito amiga da família. Como a doceria de Thomas faturava muito mais que a doceria dos brancos do outro lado da rua, uma turba furiosa de brancos destruiu o lugar enquanto Ida estava no Mississippi, em 1892. Na confusão, três homens brancos foram baleados e Thomas e mais dois amigos foram presos sob fiança. Uma imensa turba de brancos acabou invadindo a cadeia pública e matou os três homens lá detidos. Sobre isso, Ida escreveu:

Ida enfatizou em seus vários textos o espetáculo público proporcionado pelos linchamentos. Mais de 6 mil negros atenderam a seu apelo e deixaram Memphis. Outros organizaram boicotes aos estabelecimentos dos brancos. Após ser ameaçada, Ida acabou comprando uma arma de fogo.

A obra A Red Record (1895) de Ida B. Wells retrata a recorrente prática de linchamentos de pessoas negras nas principais cidades sulistas dos Estados Unidos no séc. XIX. Trata-se de um trabalho jornalístico que utiliza de estatísticas publicadas em diversos jornais da época com o objetivo de descrever e denunciar o que Wells chama de “Lei do Linchamento” (Lynch Law).

Carta de Frederick Douglass à Ida B. Wells:

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