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Imi Lichtenfeld

Criador do Krav Maga

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Emrich "Imi" Lichtenfeld (em hebraico Imi Sde-or) (Budapeste, Império Austro-Húngaro, 26 de maio de 1910 — Netânia, Israel, 9 de janeiro de 1998) foi um judeu-húngaro, mais tarde israelense, criador da arte marcial israelense para defesa pessoal, o Krav Maga.

Imi Lichtenfeld nasceu em 26 de maio de 1910 em Budapeste, centro do então Império Austro-Húngaro, porém cresceu em Bratislava, capital da atual Eslováquia.

Seu pai, Samuel Lichtenfeld, era chefe do serviço secreto local e instrutor de defesa pessoal e técnicas de imobilização da polícia secreta, condecorado e conhecido como o detetive que mais prendeu criminosos perigosos. Imi acompanhava seu pai, sugerindo movimentos e técnicas que, quando utilizadas pelos policiais, funcionavam com grande eficácia.

Seu tio era médico e isso garantia acesso aos livros e ao conhecimento sobre o corpo humano. Incentivado por seu pai, Imi começou a praticar várias modalidades de esportes e já em 1928-29 venceu vários campeonatos europeus de luta greco-romana e no mesmo ano tornou-se campeão de boxe. Na década seguinte, Imi concentrava-se na luta greco-romana como atleta e instrutor conquistando várias medalhas em competições nacionais e internacionais. Sua formação tinha como base a lei, a medicina e o esporte.

A partir de meados dos anos trinta a vida em Bratislava já não era a mesma. Pouco a pouco, grupos fascistas e anti-semitas ganhavam espaço e transformavam a vida do país. Confrontos de rua, perseguições e morte eram a nova realidade. Imi tornou-se líder de um grupo de resistência que lutava contra os grupos fascistas. Entre os anos 1936 e 40, participou de inúmeros e violentos confrontos, sozinho ou em equipe. Imi e seus companheiros enfrentaram centenas, milhares de inimigos em uma guerra cruel e desigual. Todos esses acontecimentos e vivências pessoais de Imi trouxeram como consequência o fortalecimento de seu corpo e espírito, preparando-o para os acontecimentos que ainda estavam por vir, e plantaram as sementes que germinaram, resultando na criação do Krav Maga.

Em 1940, Imi deixou sua terra natal, família e amigos e ingressou na última embarcação que conseguiu escapar dos nazistas.

Não passava de uma simples balsa, chamada “Pentcho”, que foi adaptada para conseguir transportar centenas de pessoas que deixavam a Europa rumo a Israel. As histórias desta balsa e seus passageiros ficaram famosas e descritas no livro “A Odisséia”, de John Birman.

A “odisseia” de Imi durou dois anos, onde, por várias vezes, pulou na água para salvar a vida de passageiros. Estas “aventuras” lhe causaram uma forte inflamação no ouvido que quase o levaram à morte. Após uma explosão no tanque de pressão da embarcação, que aconteceu ao lado das Ilhas Gregas, a sua ajuda foi requisitada. Nesse contexto, após quatro dias e noites de grande esforço, chegou à terra firme e então foi capturado e levado para a Alexandria em grave estado de saúde, onde se submeteu a várias cirurgias.

Recuperado, juntou-se ao exército checo que lutava ao lado do exército britânico e foi assim que Imi lutou no Oriente Médio, em combates na Líbia, Síria, Líbano e Egito. Até que em 1942, deu baixa no exército e recebeu licença para entrar em Israel, onde começaria uma nova fase de sua vida. A chegada ao Estado de Israel representou para Imi apenas mais um passo em sua trajetória, sem perceber, no entanto, que este "pequeno" passo iria ser um marco, que influenciaria e direcionaria toda a história do povo judeu no Estado de Israel.

Com a criação do Estado de Israel, Imi se alistou no Tzahal, tornando-se o instrutor chefe de preparo físico e Krav Maga; começando somente no exército e depois ampliando para a escola de preparo físico de todo IDF. Nos 20 anos seguintes, Imi aperfeiçoou sua técnica especial de defesa pessoal e combate corpo a corpo.

Treinou pessoalmente guerreiros de grupos de elite das forças armadas israelenses; pessoas que participaram de operações e guerras que ali ocorreram. Saindo da ativa como instrutor do Tzahal, adaptou e adequou a técnica do Krav Maga para o mundo civil.

Para isto, abriu dois centros de treinamento, um na cidade de Tel Aviv e outro em Natanya. Neste processo de “abertura”, selecionou um pequeno grupo entre os melhores alunos que iriam se tornar os responsáveis pelo Krav Maga no futuro.

Em 1978, fundou a Associação de Krav Maga em Israel.

Imi Lichtenfeld foi até seus últimos dias, assessor e conselheiro das forças armadas de Israel, além de treinar as faixas pretas mais graduados de Krav Maga e estar presente nos encontros e seminários de praticantes de todo o mundo que aconteciam em Israel, supervisionando e transmitindo pessoalmente suas experiências, descobertas e o significado prático de sua criação, o Krav Maga.

Em carta oficial de “Honra ao Mérito”, o chefe do Estado Maior das forças armadas escreve que desde a época da Haganah e Palmah, passando por todos os anos do Tzahal, a capacidade de guerrear e o potencial pessoal de Imi, que foram os alicerces da qualidade do guerreiro israelense, e não houve ninguém mais responsável por este resultado, por esta conquista, que Imi Lichtenfeld.

Na mesma carta é dito que a qualidade do Krav Maga é resultado do valor humanitário de Imi estruturado na simplicidade, objetividade, autocontrole, segurança máxima no treinamento e no combate, honestidade e respeito para com o adversário, mesmo ele sendo um inimigo.

Em carta escrita pelo Ministro da Educação e Cultura, Zvulum Amer, é reconhecida a importância da preparação da juventude israelense para enfrentar a violência do dia a dia e, por este motivo, o Ministério da Educação apóia o ensino efetivo de Krav Maga em todas as escolas.

O Ministro então agradece a Imi pela criação de técnica tão eficiente, qualificada com o "mérito azul e branco". "Azul e branco" é um termo usado em Israel para pessoas que honram o país. Azul e branco são as cores da bandeira de Israel.

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