Neste Dia

Império Almorávida

Um império Islâmico no norte da África

Anúncio

O Império Almorávida (em árabe: المرابطون; romaniz.: Al-Murābiṭūn) foi um império islâmico fundado por uma dinastia berbere do norte da África e que se centrou no território atual de Marrocos. O império foi estabelecido no século XI no Magrebe ocidental e Alandalus, englobando territórios atualmente pertencentes à Mauritânia, Saara Ocidental (donde provinham), Marrocos e a metade sul da Península Ibérica. A capital do império foi a cidade de Marraquexe, fundada pelo líder almorávida Abu Becre ibne Omar por volta de 1070. A dinastia emergiu de uma aliança entre as tribos nómadas berberes lantunas, judalas e massufas, habitantes das atuais Mauritânia e Saara Ocidental, atravessando o território entre os rios Drá, Níger e Senegal.

Os Almorávidas foram cruciais na prevenção da conquista dos territórios muçulmanos pelos reinos cristãos da Península Ibérica, quando decisivamente venceram a aliança entre os exércitos de Castela e Aragão na Batalha de Zalaca em 1086. Isso concedeu-lhes controle sobre um império que se estendia por um milhão de quilômetros quadrados de norte a sul. Os líderes do império nunca reivindicaram o título de califa, adotando no lugar o título de miramolim (lit. "Príncipe dos Muçulmanos") ao mesmo tempo que reconheciam o domínio simbólico do Califado Abássida de Baguedade. No entanto, o reinado da dinastia teve uma duração relativamente curta. Os almorávidas caíram no seu ápice ao falharem em deter a rebelião masmuda iniciada por Ibne Tumarte. Como resultado, seu último emir, Isaque ibne Ali (r. 1146–1147), foi morto em Marraquexe em 24 de março de 1147 pelo Califado Almóada, que substituiu o Império Almorávida como poder dominante no Magrebe e Alandalus.

Almorávida é uma adaptação europeia do termo al-murābiṭūn. Uma das primeiras atestações de almorávida decorre de uma canção anônima de um trovador do século XII, chamada Chevalier, mult estes guariz, na qual se afirma o seguinte: "Cavaleiros, vossa salvação está assegurada, pois Deus vos convocou a tomar Seu partido contra os turcos e os almorávidas". Em português, foi registrado a primeira vez em 1594 como almorauides. O termo al-murābiṭūn, de modo geral, derivou dos monges guerreiros (os marabutos) que habitavam as arrábitas, os conventos fortificados situados nas fronteiras do mundo islâmico. No entanto, entre os almorávidas do deserto, parece ter sido empregado metaforicamente, com um sentido de disciplina espiritual, e não como uma designação toponímica ou geográfica literal ligada a um convento ou retiro específico. Eles podem ter se considerado, desde o início, afiliados à Casa dos Marabutos (Dār al-Murābiṭīn), estabelecido pelo sábio de Suz Uagague em Malcus.

O Magrebe Ocidental — interior, exterior e montanhoso — estava povoado por tribos que levavam uma vida rudimentar, agrícola ou pastoril. No século XI, no seio das tribos montanhosas do Grande Atlas, surgiriam o movimento almorávida que, pela primeira vez, unificou toda a região política, militar e religiosamente, num esforço de renovação. Portanto, ao tratar do surgimento dos almorávidas, três fatores contextuais se sobressaem, ou seja, a configuração tribal local, alinhada com as particularidades geográficas da região, a falta de unidade política e a divergência religiosa decorrente da histórica disputa xiita-sunita em paralelo à permanência de práticas pagãs autóctones.

Segundo as teorias dos genealogistas berberes e árabes, as tribos berberes dividem-se em dois grandes grupos principais: os baranitas, oriundos de Bunus ibne Bar, que praticavam o nomadismo nas planícies baixas e altas, e os botritas, descendentes de Madeguis Alabetar ibne Bar, que habitavam as zonas montanhosas e eram transumantes ou sedentários. Dentro dessa classificação, distinguiram-se três grandes confederações tribais, que foram centrais à história do Magrebe, a saber, os masmudas, os zenetas e os sanajas. A divisão feita por Ibne Caldune das tribos berberes, na qual distingue os berberes propriamente ditos dos zenetas, pode ser conciliada com a classificação tradicional nesses três grandes grupos históricos e linguísticos. Os zenetas constituem o grupo mais importante dos botritas. Por sua vez, entre os baracinitas, entre outras, estavam os masmudas, os sanajas (de Banus ibne Bar, através de Zague) e os cotamas. O norte, junto ao estreito de Gibraltar, entre Ceuta e Tânger e até o rio Cebu, era povoado por tribos masmudas, leuatas, hauaras e cotamas. Além desses, grupos dispersos de aurabas estavam estabelecidos no Habete, entre o Cebu e o Uarga e os árabes hassanitas povoavam o sul do Algarbe, na margem direita do Cebu.

Das grandes confederações, os masmudas eram os mais numerosos. Eram senhores de quase toda a zona montanhosa e das planícies atlânticas, ocupando, desde os primeiros tempos históricos, o Marrocos essencial, que mais tarde seria disputado pelos zenetas. Os gomaras estendiam-se pelo Jebala e pelo Rife, até as proximidades do Necor, e os berguatas ocupava a Tamasna, do Atlântico ao Atlas. À margem do Morbeia e na zona costeira, entre os vales dos rios Tenerife e Suz, encontravam-se os ragragas, mascalas, metugas, hahas e maçaguinas; descendo para a planície de Marraquexe, dominavam as encostas do Grande Atlas (Dara) os gademiuas e os ganfiças; mais a leste, os hintatas, ao sul de Marraquexe, entre os saquetanas e os uricas, estes ao sul de Agmate; os hazerajas, no país de Demnate; os igaluanitas e as duas grandes confederações dos uauasguititas e hascuras, nas vertentes meridionais do Grande Atlas, entre o alto Dara e o Suz. Ao sul desse rio, e margeando o Antiatlas, quase na zona pré-saariana e de oeste a leste, estavam os isnaganitas, saquetanas, hargas e hastucas. Os masmudas e as tribos aparentadas com eles ocupavam, portanto, o Alto Atlas, as encostas ocidentais do Médio Atlas e as setentrionais do Antiatlas, compartilhando algumas zonas de seu domínio — os montes do Rife e do Jebala até Tânger — com tribos zanatas e sanajas que, pelo aberto corredor de Taza, se haviam infiltrado em sucessivas migrações. Diz-se que eram bons guerreiros e, ao surgir o movimento almorávida, constituíam, juntamente com os zenetas, o maior grupo étnico e o mais poderoso de todo Marrocos.

Os zenetas, oriundos do Magrebe Central, do sul da Tunísia ou da Tripolitânia, chegaram a Marrocos com a conquista árabe do século VII, ou talvez antes, estabelecendo-se na zona norte, onde entraram em choque com grupos masmudas e sanajas. Muitos deles — como os leuatas, maguilas e madiunas, primeiro, e depois os mequinaças, magrauas e ifranitas — povoaram as encostas orientais do Médio Atlas, o vale médio do Mulucha, o norte de Fez, o sul de Arzila e a região do Fazaz e de Tédula. Os zenetas constituíram, com outras tribos sanajas primitivas estabelecidas no Atlas Central, a base da população do norte de Marrocos. Grandes nômades montadores de camelos, tendiam, ao penetrar na Argélia e em Marrocos, a afastar-se do deserto, a sedentarizar-se, fixando-se ao território, onde se dedicavam ao cultivo da terra e à criação de animais. Apesar dessa tendência geral, as tribos estabelecidas no pré-Saara e na região dos oásis, ao sul de Marrocos, continuavam sendo dependentes das cáfilas até a chegada dos almorávidas. As grandes confederações zanatas — magrauas, fatanitas e ifranitas — eram os grupos mais numerosos e aqueles que desempenharam um papel primordial na história do Marrocos anterior aos almorávidas.

No Marrocos da zona norte e nordeste, de Tânger a Tremecém, havia numerosos grupos zanatas, entre os quais os matematas e marniças, no baixo vale do Mulucha, entre Ujda e Melilha; os gosnaias, uriagalitas, islitanitas, mequinaças e humaiditas povoavam os altos vales do Necor, do Guis e do Lau. A região dos mequinaças compreendia sobretudo o vale médio do Mulucha e o do Inauene, com o corredor de Taza. Dreses situa um grupo de matematas na Tamasna, junto aos berguatas e a outras tribos zanatas. Havia grupos mategaras perto de Fez, na Tamasna, no Tafilete e em Figuigue. Os mequinaças, também estabeleceram-se também no Tafilete e fundaram Segelmeça. Tribos magrauas encontravam-se distribuídas pelo norte de Marrocos; no século XI, os magrauas foram os primeiros a entrar em contato com os almorávidas, sendo aqueles do Tafilete e de Audagoste, mesclados com grupos leuatas, nafuças e nefezauas. No século X e em meados do XI, os ifranitas disputaram a hegemonia com os magrauas. Viviam dispersos pelo Magrebe, da Ifríquia a Marrocos, em choque com os sanajas. Aqueles que viviam centrados em Tremecém–Ujda foram empurrados do Magrebe Central para Marrocos, sobretudo após as expedições do emir zírida Bologuine ibne Ziri (r. 972–984). No Marrocos, encontram-se nas encostas ocidentais do Médio Atlas lutando contra os berguatas, na região de Fez, na foz do Bu Regregue, onde fundaram o reino de Salé (região de Salé–Rabate), e em parte de Tédula, onde, ao que parece, resistiram aos almorávidas. Considerados em geral como nômades, assim como os sanajas, entraram em choque com estes por motivos políticos e econômicos no norte do Magrebe e no pré-Saara, onde dirigiam o tráfego das caravanas, controlavam as grandes rotas e dominavam os mercados.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Império Almorávida | World in Stories