O Imperador Romano (em latim: Imperator Romanorum, Imperator Romanus o Imperator Caesar Augustus, Princeps et Dominus) era o governante monárquico e chefe de Estado do Império Romano, começando com a concessão do título de augustus a Otaviano em 27 a.C. O termo "imperador" é uma convenção moderna e não existia como tal durante o Império. Muitas vezes, quando um romano é descrito como se tornando imperador, isso reflete sua adoção do título de augustus e, posteriormente, de basileus. Outro título usado era imperator, originalmente uma honraria militar, e caesar, originalmente um sobrenome. Os primeiros imperadores também usavam o título de princeps ("primeiro") juntamente com outros títulos republicanos, notavelmente cônsul e pontifex maximus.
A legitimidade do governo de um imperador dependia de seu controle sobre o exército romano e do reconhecimento pelo Senado; um imperador normalmente seria proclamado por suas tropas, ou pelos senadores em Roma, ou por ambos. Os primeiros imperadores reinavam sozinhos; mais tarde, às vezes, governavam com co-imperadores para assegurar a sucessão ou dividir a administração do império entre eles. O cargo de imperador era considerado distinto do de rex ("rei"). Augusto, o primeiro imperador, recusou resolutamente o reconhecimento como monarca. Nos primeiros trezentos anos de imperadores romanos, esforços foram feitos para retratar os imperadores como líderes da República, temendo qualquer associação com os reis que governaram Roma antes da República.
A partir de Diocleciano, cujas reformas tetrárquicas dividiram a posição em um imperador no Ocidente e um no Oriente, os imperadores governaram de maneira abertamente monárquica. Embora a sucessão fosse geralmente hereditária, era apenas hereditária se houvesse um candidato adequado aceitável para o exército e a burocracia, então o princípio de herança automática não foi adotado, o que muitas vezes levou a vários pretendentes ao trono. Apesar disso, elementos da estrutura institucional republicana (senado, cônsules e magistrados) foram preservados mesmo após o fim do Império Ocidental.
Constantino, o Grande, o primeiro imperador cristão, moveu a capital de Roma para Constantinopla, anteriormente conhecida como Bizâncio, em 330 d.C. Os imperadores romanos sempre ocuparam altos cargos religiosos; sob Constantino, surgiu a ideia especificamente cristã de que o imperador era o governante escolhido por Deus na terra, um protetor especial e líder da Igreja Cristã, uma posição posteriormente denominada Cesaropapismo. Na prática, a autoridade de um imperador em questões da Igreja era frequentemente desafiada. O Império Romano Ocidental colapsou no final do século V após múltiplas invasões por tribos bárbaras germânicas, sem nenhum pretendente reconhecido ao título de Imperador do Ocidente após a morte de Júlio Nepos em 480. Em vez disso, o imperador oriental Zenão proclamou-se o único imperador de um Império Romano teoricamente indivisível (embora na prática ele não tivesse autoridade no Ocidente). Os subsequentes imperadores orientais governando de Constantinopla se autodenominavam "Basileus dos Romanos" (βασιλεύς Ῥωμαίων, Basileus Romaíon, em grego), mas são frequentemente referidos na erudição moderna como imperadores bizantinos.
O papado e os reinos germânicos do Ocidente reconheciam os imperadores orientais até a ascensão da imperatriz Irene em 797. Depois disso, o papado criou uma linhagem rival de imperadores romanos na Europa Ocidental, os Imperadores do Sacro Império Romano, que governaram por grande parte do período entre 800 e 1806 com diferentes graus de autoridade e controlando territórios que mudavam com igual frequência. Esses imperadores nunca foram reconhecidos em Constantinopla e suas coroações resultaram no problema medieval de dois imperadores. O último imperador oriental foi Constantino XI Paleólogo, que morreu durante a Queda de Constantinopla para o Império Otomano em 1453. Após a conquista da cidade, os sultões otomanos adotaram o título de "César dos Romanos" (kayser-i Rûm). Um grupo bizantino de imperadores pretendentes existiu no Império de Trebizonda até sua conquista pelos otomanos em 1461, embora usassem um título modificado desde 1282.
Originariamente, o nome imperator significava um general vitorioso que tivera sido aclamado pelas suas tropas e tendo, portanto, direito ao triunfo, concedido pelo senado e pelo povo. Depois de Augusto, o título foi incorporado como prenome por todos os imperadores romanos. Ao título de imperator seguia, geralmente, o número de vezes que o imperador tinha sido aclamado pessoalmente ou pelos seus generais.
A autoridade legal do imperador derivava duma extraordinária concentração de poderes individuais e cargos já existentes na República Romana, mais que dum novo cargo político. Os imperadores continuavam eleitos regularmente como cônsules e como censores, mantendo a tradição republicana. O imperador ostentava na realidade os cargos não imperiais de príncipe do senado (líder parlamentar do senado) e pontífice máximo (máxima autoridade religiosa do império).
Contudo, estes cargos somente proporcionavam prestígio (dignitas) à pessoa do imperador. Os poderes deste derivavam da auctoritas. Na figura imperial, reuniam-se as figuras autoritárias do imperium maius (comandante em chefe militar) e da tribunicia potestas (máxima autoridade jurídica). Como resultado, o imperador encontrava-se acima dos governadores provinciais e dos magistrados ordinários. Tinha direito a ditar penas de morte, os cidadãos deviam-lhe obediência, gozava de inviolabilidade pessoal (sacrosanctitas) e podia resgatar qualquer plebeu das mãos dos magistrados, incluindo dos tribunos da plebe (ius intercessio).
O posto de imperador não era uma magistratura nem cargo do Estado (de fato, carecia de um uniforme como se prescrevia para os magistrados, senadores e cavaleiros, se bem que os últimos imperadores foram distinguidos com a toga púrpura, dando origem à frase "vestir a púrpura" como sinônimo da assunção da dignidade imperial). Não houve um título regular para o cargo até o século III. Os títulos normalmente associados à dignidade imperial eram imperator (com o significado de comandante supremo militar), césar (que originalmente teve o significado de cabeça designada, Nobilissimus Caesar) e augusto (augustus; com o significado de 'majestoso' ou 'venerável'). Após o estabelecimento da Tetrarquia por Diocleciano, a palavra "césar" passou a designar os dois imperadores menores, e "augusto" os dois imperadores maiores.
Os imperadores das primeiras dinastias eram considerados quase como a cabeça do Estado. Como príncipe do senado, o imperador podia receber as embaixadas estrangeiras chegadas a Roma. Porém Tibério considerava que isto era trabalho para um grupo de senadores sem necessidade da sua presença. Por analogia, e em termos modernos, estes primeiros imperadores poderiam ser considerados como chefes de Estado.
A palavra príncipe (princeps), cujo significado era 'primeiro cidadão', foi um termo republicano utilizado para denominar os cidadãos que lideravam o Estado. Era um título meramente honorífico que não implicava deveres nem poderes. Foi o preferido de Augusto, pois o seu uso implicava unicamente primazia, em oposição a imperator, que implicava dominação. A posição real do imperador era em essência a de pontífice máximo (pontifex maximus) com poderes de tribuno e sobre todos os outros cidadãos. Manteve-se a denominação de príncipe para conservar a aparência institucional republicana.
A palavra grega basileu (basileus; comumente traduzida como "rei") mudou o seu significado, tornando-se sinônimo de imperador (e começou a ser mais usada após o reinado do imperador bizantino Heráclio). Os gregos careciam da sensibilidade republicana dos romanos e consideravam o imperador como um monarca. Na época de Diocleciano, e posteriormente, o título príncipe caiu em desuso, sendo substituído pelo de dominus (senhor). Os últimos imperadores usaram a fórmula Imperator Caesar NN Pius Felix (Invictus) Augustus, onde NN era o nome individual do imperador de vez, Pio Félix (Pius Felix) significava 'bendito e piedoso', e Invicto (Invictus) tinha o senso de 'nunca derrotado'. O uso de príncipe e domino simboliza num sentido amplo a diferença entre as duas etapas do governo imperial, conhecidas como Principado e Dominato.