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Isaías

Profeta hebreu

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Isaías (Hebraico: יְשַׁעְיָהוּ, Moderno Yeshayahu Tiberiano Yəšạʻyā́hû; em siríaco: ܐܹܫܲܥܝܵܐ ˀēšaˁyā; Grego: Ἠσαΐας, Ēsaïās; Latim: Isaias; Árabe: إشعيا As̲h̲aʿyāʾ ou S̲h̲aʿyā; "Yah é a salvação") foi um profeta judeu e personagem do Antigo Testamento, considerado o autor do Livro de Isaías e um dos principais anunciadores do Cativeiro Babilônico e do messias judeu. Teria vivido entre 765 a.C. e 681 a.C., durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe em 701 a.C.

Isaías, cujo nome significa "Iahveh ajuda" ou "Iahveh é auxílio" exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

O capítulo 6 do livro informa sobre o chamado de Isaías para tornar-se profeta através de uma visão do trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.

Focando em Jerusalém, a profecia de Isaías, em sua primeira metade, transmite mensagens de punição e juízo para os pecados de Israel, Judá e das nações vizinhas, tratando de alguns eventos ocorridos durante o reinado de Ezequias, o que se verifica até o final do capítulo 39.

A outra metade do livro (do capítulo 40 ao final) contém palavras de perdão, conforto e esperança.

Pode-se afirmar que o profeta Isaías, na visão da religião Judaica, também fala sobre o mundo utópico que será quando o Messias estiver no mundo, especialmente em Isaías 11:1-16. Entretanto, há profecias de Isaías que muitos Cristãos defendem ser sobre O Messias (Hamashiach), mas que na visão da religião Judaica, visivelmente trata-se de outrem. Na visão da religião Judaica, por exemplo, em Isaías 7:14, pode de ser traduzido ("haalmah" significa "a jovem mulher"), o contexto desta profecia, pela visão da religião Judaica, foi o nascimento do filho do rei Acaz de Judá, Ezequias, em cujos "ombros estava o principado" (ver Isaías 9:6) e quem se tornaria rei de Judá e traria a paz ao povo das ameaças e da dominação Assíria [por isso o termo "Príncipe da Paz" (Messias), em Isaías 9:6]. Neste mesmo verso, Isaías utiliza uma figura de linguagem - o hipérbato (que é a inversão da ordem das palavras em uma sentença, com o objetivo de poetizar o texto) - que confunde muita gente e os tradutores da Bíblia. O que está escrito em Isaías 9:6 é o seguinte: "... e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz". Porém o verbo "vaykra" é o verbo "chamar" no tempo passado (chamou). Quando a passagem é traduzida considerando o hipérbato, nota-se o seguinte entendimento do verso: "... e o Maravilhoso Conselheiro, Deus Todo Poderoso, Pai da Eternidade chamou seu nome Príncipe da Paz". Logo, Isaías 9:6 na visão da religião Judaica, fala do rei Ezequias, e não do Messias. Esta profecia corrobora a profecia de Isaías 7:14.

A leitura judaica dominante, a partir especialmente de Rashi (1040-1105), defende a ideia de que o "servo sofredor" de Isaías 53 não seria "O Messias", que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano governará com justiça. Nesta visão, a leitura dos capítulos precedentes (Isaías 40 - 52) esclareceria que, na verdade, o termo "meu servo", que aparece repetidas vezes, refere-se exclusivamente a Israel (que também é chamado de Jacó), e não ao Messias. O livro de Isaías contém 4 cânticos sobre o "servo sofredor", sendo o capítulo 53, o último deles.

Durante grande parte da tradição judaica antiga e medieval inicial, o Servo sofredor foi amplamente interpretado por rabinos e fontes judaicas como uma profecia referente ao Messias individual, e não primariamente à nação de Israel. Fontes como o Targum Jonathan (séculos I - II), o Talmud Babilônico (Sanhedrin 98b), a Pesikta Rabbati (séculos VIII - IX), e vários midrashim associavam o “Servo Sofredor” a uma figura messiânica que sofreria pelo povo. Rabinos como Saadia Gaon (século IX - X), Moshe Kohen ibn Crispin (século XIV) e Moses Alshech (1508–1593) sustentaram ou reconheceram essa leitura, sendo que Alshech afirmou que “nossos rabinos, com uma só voz, aceitam que o profeta fala do Rei Messias”. A interpretação coletiva do Servo como símbolo de Israel tornou-se predominante sobretudo após Rashi, nos séculos XI–XII, em parte como resposta às leituras cristológicas do texto. Assim, a leitura messiânica possui raízes profundas e historicamente significativas dentro da exegese judaica pré-moderna.

No Judaísmo atualmente, porém, os cânticos do servo são interpretados como se referindo ao povo Israelita/Judeu.

Já leitura Cristã de Isaías 53 considera que a passagem menciona, de fato, o martírio que aguardava o Messias: "Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados (Is 53:5)". Somar-se-ia a isto também a dicção do versículo 8 que afirma que o "servo sofredor" foi golpeado e eliminado da terra dos viventes por causa da transgressão "do meu povo". Estes versículos, segundo a visão cristã, ao mencionarem que o "servo sofredor" morreria pelas "nossas transgressões" [leia-se, pelas transgressões do povo, conforme v. 8], indicam que não poderia haver uma identidade entre os personagens da profecia (dito de outra forma, o próprio povo não poderia morrer pelos pecados dele mesmo em prol de sua própria salvação). Assim, embora em outros trechos o povo de Israel é designado como "servo", o capítulo 53 em específico alude ao servo que sofreria e morreria pelo povo e não o próprio povo.

No Talmude de Jerusalém consta que Isaías foi morto quando, ao ser perseguido pelo rei Manassés, se escondeu dentro de um cedro. As franjas de sua roupa, porém, deflagraram sua presença, e então o rei ordenou que o cedro fosse serrado ao meio, ocasionando sua morte (Sanhedrin x.). A versão do Talmude é um pouco diferente, onde o profeta se introduz no cedro perante Manassés, e este então manda serrar a árvore. Quando a serra chegou à sua boca, Isaías morre, assim sendo “castigado” por seu perseguidor por ter dito: "Eu habito no meio de um povo de lábios impuros" (Yevamot 49b). Entre outras variantes de literaturas judaicas, com algumas singularidades, como a do Targum.

Na época de Isaías, as pessoas frequentavam o Templo, mas para o profeta isso não basta, pois encher o Templo com iniquidade e solenidade é um erro enorme (Isaías 1:10-20), isso porque as pessoas que levam oferendas para Deus são as mesmas que não se importam em fazer o direito (mishpât) funcionar, que não fazem justiça ao desprotegido órfão e à abandonada viúva. Isaías, em um dos textos proféticos mais violentos contra um culto que funciona só para mascarar as injustiças que se cometem no dia a dia, pede aos príncipes de Sodoma e ao povo de - na verdade, de Jerusalém - para ouvirem a palavra de Iahweh:

10 Escutem a palavra de Jeová, chefes de Sodoma; preste atenção ao ensinamento do nosso Deus, ó povo de Gomorra:

11 Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Jeová. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos.

12 Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês?

13 Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembleias… não suporto injustiça junto com solenidade. (Isaías 1:10-13).

16 Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal,

17 aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. (Isaías 1:16-17)

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