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Isaac Abravanel

Filósofo português (1437-1508)

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Isaac ben Judah ou Yitzchak ben Yehuda Abravanel (hebraico: יצחק בן יהודה אברבנאל; Lisboa, 23 de setembro de 1437 - Veneza, 1508) foi um estadista, filósofo, comentador da Bíblia e financista judeu português. Nasceu em Lisboa em 1437 e viveu vários anos na cidade de Queluz. Foi amplamente reconhecido como um dos mais notáveis judeus da corte do século XV, ao lado de seu amigo Abraham Senior. Ele morreu em Veneza em 1508 e foi enterrado em Pádua. Seu filho Judá Abravanel também teve notoriedade na filosofia.

A Família Abravanel é uma das mais antigas e distintas famílias judaicas sefarditas, cuja ascendência direta tem a sua origem ao bíblico, Rei David. Os membros desta família viveram em Córdova (província da Espanha), Calatayud, Castela e Leão e em Sevilha, onde viveu o seu representante mais antigo conhecido de nome Judá Abravanel.

Em várias obras, Isaac Abravanel foi referido apenas pelo seu apelido, que por vezes surgiu como Abravanel, Abarbanel, Avravanel ou Abrabanel. Muitos estudiosos da Torá e do Talmude referem-se a ele simplesmente como "O Abarbanel".

Há um debate sobre se seu sobrenome deve ser pronunciado Abarbanel ou Abravanel. A pronúncia tradicional é Abarbanel. A literatura acadêmica moderna, desde Graetz e Baer, tem mais comumente usado o Abravanel. No entanto, seu próprio filho Judá insistiu em Abarbanel, e Sefer HaTishbi, de Elias Levita, que era um contemporâneo próximo, duas vezes avoca o nome como Abarbinel (אַבַּרְבִּינֵאל).

A etimologia do nome é incerta. Alguns dizem que vem de "Ab Rabban El", que significa "pai dos rabinos de Deus", o que parece favorecer a pronúncia "Abrabanel".

Versado em literatura rabínica e nos estudos do seu tempo, ele devotou os seus jovens anos ao estudo da filosofia judaica. Com apenas 20 anos de idade ele escreveu sobre a forma original dos elementos naturais, sobre questões religiosas, sobre profecias, etc. As suas capacidades na política também lhe valeram a atenção de terceiros mesmo ainda na juventude. Entrou para o serviço do rei Afonso V de Portugal como tesoureiro e em breve ganhou a confiança do seu mestre.

Não obstante a sua alta posição e grande riqueza que ele herdou do seu pai, o seu amor pelos pobres e oprimidos era notável. Quando Arzila, em Marrocos, foi tomada pelos portugueses e os prisioneiros judeus foram vendidos como escravos, ele contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também colectas em seu favor por todo Portugal. Também escreveu ao seu rico e influente amigo Jehiel ben Samuel Pisa, em apelo pelos presos.

Após a morte do rei D. Afonso V, foi obrigado a deixar o seu cargo, tendo sido acusado pelo rei D. João II de conivência com o Duque de Bragança, que tinha sido executado sob acusação de conspiração. Avisado a tempo, Abravanel salvou-se, fugindo em sobressalto para Castela em 1483. A sua grande fortuna foi confiscada por decreto real.

Em Toledo, sua nova residência, ele ocupou-se inicialmente com estudos bíblicos, e no decorrer de 6 meses produziu uma grande quantidade de comentários aos livros de Josué, Juízes e Samuel. Mas pouco depois ele começou a servir a casa de Castela. Juntamente com o seu amigo, o influente Don Abraham Senior, de Segóvia, ele encarregou-se de administrar as receitas e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, para satisfação total de Isabel de Castela.

Durante as guerras mouriscas, Abravanel emprestou somas avultadas de dinheiro ao governo. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus de Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei a revogar o édito. Em vão, ele ofereceu-lhe 30 000 ducados. Também costumam atribuir a ele um texto que ficou conhecido como “A resposta de D. Abravanel ao Decreto de Alhambra”. Porém a origem real deste documento encontra-se numa obra de ficção publicada em 1988, intitulada Alhambra Decree do autor David Raphael.

Com os seus companheiros de fé, Abravanel deixou a Espanha para ir viver para Nápoles, onde em breve entraria para os serviços do rei. Por um período curto, ele viveu em paz, mas quando a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o seu rei Fernando, em 1495, para Messina; e mais tarde para Corfu; e em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde os seus serviços foram empregues na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza.

Um dos descendentes de Abravanel é o apresentador brasileiro Senor Abravanel, também conhecido como Silvio Santos.

Para Benzion Netanyahu, Dom Isaac Abravanel era adepto a linha de Maimónides, no que toca aos Treze Princípios Judaicos, contendo-se algumas características em comum com os Averroístas, contrariando-se a tendência dominante da sua época em se seguir uma linha mais racional, como era feita pelo pensador Albo. Todavia, podemos afirmar que o seu mestre na realidade era Saadia, um pensador judeu anterior ao período pré-tomista, que demonstrou o seu desprezo a ideia de uma superioridade da Razão em detrimento da Fé. Portanto, a cosmovisão de Abravanel, assim como a de Saadia, acreditava no primado da Fé e que a Revelação seria o guia e o objetivo final da Razão, distanciando-o diametralmente do pensamento de Maimónides.

Essa relação com a Revelação, que ditava a sua fé e tinha como norteador as escrituras sagradas do judaísmo, ou seja, a Torá, a Ketuvim e a Neviim, que era em comum, base da fé cristã e islâmica. Uma vantagem que colocava os judeus a frente dos escolásticos cristãos e dos muçulmanos, por ambos crerem nas escrituras judaicas e na sua sacralidade, que resultou em disputas acirradas entre ambos, para ver quem mais dava credibilidade aos profetas judeus, haja vista, que a fonte de todo o saber advém da crença do Deus único que revela-se a Abraão.

Abravanel, segundo alguns, era caracterizado por ter uma cosmovisão que acredita na "criação a partir do nada", ao ponto de escrever duas obras dedicadas ao tema. Tal visão é encontrada quase que exclusivamente no judaísmo, que do ponto de vista de Boodin, era distinda da crença inicial dos judeus na criação como surgimento a partir da matéria, que em essência é dualista. Visão esta, que foi amplamente adotada pelos primeiros padres da cristandade. Apesar dessa problemática histórica, encontramos pensadores judeus partilharem de uma visão contrária, tendo-se como exemplo, Halevi ao evocar a forma de cosmovisão muito antes de Abravanel, que por sua vez, a desenvolve um passo mais a frente, questionando-se que era possível a qualquer observador atento ao funcionamento do mundo, concluir que as ordens são naturais, concordando que tratava-se de um mundo pré-existente. Essa defesa tão enfatizada nessa visão, deve-se em partes, fundamentalmente a comparação que Abravanel faz com outras interpretações que em tese poria em causa a tese da verdade Revelada.

Compreendendo-se que a cosmovisão de Dom Isaac é assente na criação a partir do nada, inclusive, tendo-a como a sua pedra angular, conseguimos avançar para a sua ideia de universo, que ao contrário do que possamos imaginar, não esta de todo desprovida de elementos do panteísmo. Vejamos, se considerarmos que o universo tem a matéria criada a partir do nada, o elemento espiritual, no seu ponto de vista, é originário diretamente de Deus. Para chegar-se a essa conclusão, ele baseia-se em ideias oriundas de Aristóteles e Ptolomeu, ajustando-as para o seu modo de ver o funcionamento dos corpos celestes, eliminando, por assim dizer, elementos que contradizem a sua base de pensamento.

Na época contemporânea a Abravanel, era comum enxergar o universo como uma espécie de "máquina gerida por seu Maquinista", o Maquinista em questão é Deus. Essa forma de pensar, é debatida por muitos nomes de relevo como, por exemplo, Maimónides que tem uma visão do universo como um organismo uno, mesmo sendo formado por matéria e de forma. Portanto, tal visão é confrontada por Dom Isaac, que interpreta que há a par dela, existe também um mundo espiritual, profundamente marcado pela hierarquização. Nesse campo, identificamos uma correlação com a teoria aristotélica das inteligências separadas, que é interpretada por Maimónides como sendo os anjos descritos no Tanakh. Contudo, existe uma tentativa de prefixar-se a quantidades dos mesmos, que segundo os seguidores de Avicena, seriam de dez, com o décimo definido como o Intelecto Agente, prefigurado como o mundo sublunar. Doravante a essa questão, Abravanel acata opiniões sugeridas por Albo, desenvolvendo-a a partir dos mesmos pontos, utilizando-se principalmente o livro de Daniel, ligando-a à sua concepção de universo e a funcionalidade concebida aos seres espirituais.

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