Neste Dia

Isabel Feodorovna

Princesa de Hesse e Reno Grã-Duquesa da Rússia

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Isabel Feodorovna (Darmstadt, 1 de novembro de 1864 — Apayevsk, 18 de julho de 1918) era esposa do grão-duque Sérgio Alexandrovich, quinto filho do czar Alexandre II. Nascida princesa Isabel de Hesse e Reno, era conhecida por Ella pela família e amigos. Era a irmã oito anos mais velha da czarina Alexandra Feodorovna, esposa do czar Nicolau II. Isabel tornou-se famosa na sociedade russa pela sua beleza, charme e trabalhos de caridade entre os pobres.

Foi assassinada com seus sobrinhos em 18 de julho de 1918 a mando do regime comunista. Sua irmã a imperatriz Alexandra Feodorovna, seu marido o imperador Nicolau II e seus filhos foram assassinados no dia 17 de julho de 1918, um dia antes da própria Isabel. Em 1992, foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa como neomártir.

Em novembro de 1864, a princesa Alice de Hesse escreveu uma carta à sua mãe, a rainha Vitória do Reino Unido, onde lhe contava que ela e o seu marido tinham decidido chamar a sua segunda filha, nascida no primeiro dia desse mês, de "Isabel Alexandra Luísa" em honra da santa mais amada e venerada no Grão-Ducado de Hesse. Esqueci-me de te dizer, escreveu ela mais tarde numa outra carta, em resposta à tua carta, sobre o nome da Ella, que ela deve ser chamada de Isabel. Apenas ‘entre-nous’ a tratamos por Ella. Nos meses que se seguiram as suas cartas para a mãe enchiam-se de pormenores sobre a doçura da nova bebé, dos seus olhos azuis-escuros, do seu cabelo loiro, da sua alegria, a sua bondade e, ocasionalmente, das suas maldades.

Em agosto de 1865, a rainha Vitória foi até Darmstadt, em parte para assistir ao início da construção do novo palácio de Alice e do seu marido e em parte para conhecer a sua nova neta. Sem se alarmar ou intimidar com o ar majestoso que rodeava a mulher baixa e forte, vestida com um longo vestido negro, a bebé sorriu-lhe e deixou que a sua avó lhe beijasse as bochechas sem qualquer protesto. Ela é muito gentil, a minha avó, disse ela um pouco mais tarde e Alice ficou, sem dúvida, aliviada, uma vez que a sua segunda filha tinha as suas próprias ideias e tinha-se revoltado com a sua outra avó, a princesa Isabel da Prússia lhe tinha tentado tocar. É muito cansativo, disse a Alice sobre o facto de a sua adorável filha não se conseguir comportar com pessoas desconhecidas.

Mas quando no verão de 1865 a sua mãe a levou a visitar Heilligenberg e a sua tia-avó Maria Alexandrovna (esposa do czar Alexandre II) pegou nela ao colo, a pequena criança ficou encantada e colocou os seus braços à volta do seu pescoço, colando a sua cara aquela que era a fria czarina da Rússia e que encontrou na sua adorável sobrinha-neta um refúgio para os seus dias de solidão no Palácio de Alexandre. Foi durante esta visita que Isabel brincou pela primeira vez com aquele que seria o seu futuro marido, o grão-duque Sérgio Alexandrovich.

Apesar de descender de uma das mais antigas e mais poderosas famílias nobres da Alemanha, Isabel e a sua família tinham uma vida bastante modesta quando comparada com os padrões reais. As crianças varriam o chão e arrumavam os seus próprios quartos enquanto a sua mãe confeccionava as suas roupas e as dos filhos. Durante a Guerra Austro-Prussiana, era frequente a princesa Alice levar Isabel consigo quando visitava soldados feridos num hospital próximo. No meio deste ambiente relativamente feliz e seguro, Isabel cresceu rodeada de hábitos domésticos ingleses e o inglês tornou-se a sua língua principal, assim como a dos seus irmãos. As crianças falavam inglês com a mãe e alemão com o pai.

No outono de 1878, quando Isabel tinha 14 anos, a difteria abalou a casa Hesse matando a sua irmã mais nova, Maria (conhecida na família por Mae) no dia 16 de novembro desse ano. Isabel foi a única dos irmãos que não foi afectada pela doença e foi enviada para a casa dos avós paternos para evitar o contágio. Enquanto lá estava, no dia 14 de dezembro, a sua mãe sucumbiu à doença depois de, contra os conselhos dos médicos, ter beijado o seu filho Ernesto. Quando Isabel foi autorizada a regressar à sua casa, descreveu a reunião como terrivelmente triste e disse que tudo parecia um pesadelo horrível.

Durante a sua juventude, Isabel era sedutora e tinha uma personalidade muito aberta. Muitos historiadores consideram-na uma das mulheres mais bonitas da Europa nesta altura. Foi durante esta época que ela chamou a atenção do seu primo mais velho, o futuro kaiser Guilherme II da Alemanha. Ele estudava na Universidade de Bonn e não era raro visitar os seus parentes de Hesse aos fins-de-semana. Durante estas visitas ele apaixonou-se por Isabel e escreveu-lhe numerosos poemas de amor que lhe enviava. Embora se sentisse elogiada pela atenção que recebia por parte do primo, Isabel não se sentia atraída por Guilherme e rejeitou-o educadamente. O futuro kaiser ficou frustrado e decidiu desistir da universidade para voltar a Berlim.

Além de Guilherme II, Isabel tinha muitos admiradores, entre os quais lorde Charles Montagu, segundo filho do 7º Duque de Manchester e Henry Wilson, que se tornaria num famoso soldado. Outro dos seus admiradores era o futuro Frederico II, grão-duque de Baden e primo de Guilherme. A rainha Vitória descrevia-o como tão bom e estável, com uma posição tão segura e feliz e quando Isabel o rejeitou, a rainha "arrependeu-se de o ter dito."

Posteriormente foi um grão-duque russo que conquistou o coração de Isabel. A tia-avó de Isabel, nascida em Hesse, era uma visita frequente no ducado e, durante as suas visitas, era sempre acompanhada pelos seus filhos mais novos, Sérgio Alexandrovich e Paulo Alexandrovich. Isabel conhecia os dois irmãos desde bebé, mas achava-os demasiado arrogantes e reservados. Sérgio, particularmente, era um jovem calado, muito religioso e apaixonou-se por Isabel quando a viu pela primeira vez depois de muitos anos. Mais tarde ele pediu-lhe para casar com ele, mas, a princípio, Isabel não se sentia apaixonada por ele. A opinião da princesa mudou quando Sérgio perdeu os seus pais no mesmo ano. Maria Alexandrovna morreu de doença e Alexandre II foi assassinado num atentado à bomba em São Petersburgo quando se encontrava a caminho de uma reunião que tornaria a Rússia numa monarquia constitucional. O grão-duque encontrava-se em Roma quando o seu pai foi assassinado e, por isso, foi-lhe poupada a visão do seu corpo mutilado. Sérgio admirava o seu pai e a sua morte fez com que se tornasse num selvagem antirrevolucionário que não escondia o ódio que sentia pelas pessoas que tinham ignorado os esforços de Alexandre II para liberalizar o país.

A morte da sua mãe foi igualmente difícil uma vez que ambos eram devotos um ao outro. Estes eventos mudaram-no e Isabel passou a vê-lo com outros olhos, uma vez que compreendia a dor pela qual ele passava depois de ter perdido a sua própria mãe. Outras parecenças como a arte e a religião aproximaram-nos cada vez mais. Há quem diga que ele gostava particularmente da sua personalidade que o fazia recordar a sua adorada mãe. Por isso, quando Sérgio voltou a pedir a mão de Isabel durante o casamento da irmã dela com o príncipe Luís de Battenberg, ela aceitou e ambos tiveram autorização do pai dela para se casarem. A rainha Vitória não ficou particularmente encantada com a união.

O noivado da princesa Isabel foi curto, uma vez que Sérgio Alexandrovich queria que o casamento se realizasse o mais rapidamente possível e, apesar do pai dela não aceitar completamente a sua pressa, foi forçado a lidar com ela quando em junho de 1884 chegou a São Petersburgo com Isabel e as suas duas irmãs mais novas Irene e Alice.

A Rússia, com a sua vastidão, a sua atmosfera estranha e inexplicável, surpreendeu as duas princesas mais velhas que, à excepção da Inglaterra, tinham visto muito pouco do mundo. As enormes praças e largas ruas de São Petersburgo, o rio Neva, mais largo do que qualquer rio inglês ou alemão, as cúpulas e espirais douradas das catedrais, a grandeza do Palácio de Inverno e a graciosidade da alta sociedade eram tão únicos e inesperados que elas se sentiram desorientadas e confusas, incapazes de se acostumarem ao ambiente estranho e pouco familiar que as rodeava.

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