Isabel II (Madrid, 10 de outubro de 1830 – Paris, 9 de abril de 1904), também conhecida como Isabel, a dos Tristes Destinos e a Rainha Castiça foi a Rainha da Espanha de 1833 até sua deposição em 1868. Ela chegou ao trono ainda criança, porém sua sucessão foi contestada pelos carlistas, que recusavam-se a reconhecer uma mulher como soberana, levando às Guerras Carlistas. Depois de um reinado conturbado ela foi deposta na Revolução de 1868, formalmente abdicando do trono em 1870. Seu filho Afonso XII tornou-se rei em 1874.
Em 1829, o então rei espanhol Fernando VII já havia contraído três matrimônios — com a princesa napolitana Maria Antônia de Bourbon-Duas Sicílias em 1802, com a infanta Dona Maria Isabel de Portugal em 1816 e com a princesa Maria Josefa da Saxônia em 1819. Todavia, nenhuma de suas prévias esposas foram capazes de gerar um herdeiro saudável para o trono espanhol. Então, pela quarta vez, ainda em 1829, na data de 11 de dezembro de 1829, Fernando VII casou-se pela quarta vez com sua sobrinha a princesa de Maria Cristina de Bourbon-Duas Sicílias. O casal teve duas filhas: Isabel (futura Isabel II) e a infanta Dona Luísa Fernanda.
Nesta altura, na Espanha ainda vigorava a lei sálica, introduzida em 1713 por Filipe V, que proibia a sucessão feminina ao trono — apesar dos esforços do rei Carlos IV em revogar tal lei, que chegou até mesmo a ser ratificada pelas Cortes em 1789. Mas, devido aos acontecimentos conturbados das Guerras Revolucionárias Francesas e posteriores Guerras Napoleônicas, a lei não chegou a ser promulgada. Entretanto, ainda em 1830 o rei promulgou a Pragmática Sanção, para que a filha primogênita — e não seu irmão, o infante Dom Carlos Maria Isidro da Espanha, conde de Molina, pudesse herdar o trono.
Por sua vez, o infante Dom Carlos não reagiu bem à promulgação da Sanção, contestando-a e reafirmando a sua posição como legítimo herdeiro da coroa espanhola. Tal ruptura no ambiente familiar seria levada aos campos de batalha e compeliria a Espanha a violentas guerras civis — conhecidas como Guerras Carlistas, os conflitos liderados pelo infante contra a governação de sua sobrinha tiveram grande destaque na reestruturação da política espanhola no século XIX.
Nascida em 10 de outubro de 1830 no Palácio Real de Madrid, membro da Casa de Bourbon, Maria Isabel Luísa de Bourbon e Bourbon-Duas Sicílias era a filha primogênita do rei espanhol Fernando VII e da sua quarta esposa, e sobrinha, Maria Cristina das Duas Sicílias.
Isabel ascendeu ao trono com apenas treze anos de idade, após a morte do pai em 1833. Fernando, previamente, havia promulgado a Pragmática Sanção, que abolia a lei sálica e, consequentemente, revogava a proibição de mulheres de ascenderam ao torno. Tal ato levou a insurreição do infante Dom Carlos Maria Isidro da Espanha, conde de Molina, irmão mais novo de Fernando e, portanto, de acordo com a prévia lei sálica, herdeiro ao trono. A insurreição resultaria nas Guerras Carlistas.
Devido a pouco idade de Isabel, uma regência, encabeçada por sua mãe Dona Maria Cristina, foi criada para governar em seu lugar até que atingisse a maioridade; a regência de Isabel II persistiria por uma década, de 1833 até 1843 - encabeçada de 1833 até 1840 por Dona Maria Cristina e de 1840 até 1843 pelo General Espartero.
Apenas dois meses após a morte do marido, Dona Maria Cristina casou-se com seu amante, Agustín Fernando Muñoz y Sánchez (futuro Duque de Riánsares), então um sargento da guarda real. Durante todo o período regencial a rainha-regente escondeu suas seguidas gravidezes, inaceitáveis para seu papel sendo uma rainha-viúva. Todavia, devido a estas escandalosas gravidezes, que eram objeto de contestação pelos apoiadores de Dom Carlos Maria Isidro, Maria Cristina foi substituída como regente pelo General Espartero, que conservaria o seu cargo até Isabel II atingir a maioridade, em 1843.
Isabel foi mal-educada; sua mãe estava muito ocupada com o seu novo marido e filhos e os tutores de Isabel eram, em sua maioria, políticos que não estavam interessados em conceder à jovem soberana uma educação esmerada. Por ser muito jovem os políticos tomaram todas as rédias do poder.
Os principais tutores da jovem rainha foram Agustín Arguelles, o professor José Vicente Ventosa e musicista Francisco Frontela e, entre estes tutores estavam Salustiano Olózaga, considerado um competente jurista. Isabel II recebeu uma educação para uma mulher da época - assuntos políticos não eram abordados, apenas assuntos domésticos, religião, idiomas e música. O Conde de Romanones apontou que, aos dez anos de idade, a jovem rainha sabia ler pouco, escrever, conhecia pouca matemática e era mal-educada em relação a etiqueta à mesa.
Paradoxalmente, foram estes mesmo tutores os responsáveis pela descoberta da vida sexual por Isabel - Olózaga foi acusado de desflorar a rainha, Ventosa foi expulso do palácio acusado de ser amante da rainha e Frontela, também apontado como um amante, foi condecorado com a Ordem de Carlos III. A natureza passional e generosa de Isabel II fizeram dela uma atrativa potencial amante.
Em 1843, Isabel foi declarada maior com apenas treze anos de idade; e a questão de seu casamento se tornou uma questão de Estado e até mesmo das demais cortes europeias, que não desejavam desbalancear alianças de poder pré-estabelecidas, iniciaram discussões acerca do futuro casamento da soberana espanhola. A mãe de Isabel, Maria Cristina, propôs o seu irmão o Conde de Trápani ou Leopoldo de Saxe-Coburgo-Koháry, primo da rainha Vitória do Reino Unido, como possíveis pretendentes à mão de Isabel, mas ambos foram rejeitados. O rei francês Luís Filipe I, que há muito vinha tentando intervir nas políticas espanholas, propôs dois de seus filhos, Henrique, Duque de Aumale ou Duque de Montpensier, este último acabaria por se casar com a irmã mais nova de Isabel. Alguns partidos espanhóis propuseram Carlos Luís de Bourbon e Bragança, filho do infante carlista Carlos Maria Isidro da Espanha, que abdicou de suas pretensões ao trono afim de facilitar essa possível aliança, mas Isabel recusou, apoiada por partidos liberais, que iniciariam a Segunda Guerra Carlista.
Por fim, o candidato escolhido como seu marido foi o seu primo-irmão o infante Francisco de Assis da Espanha, considerado homossexual, fraco e um futuro marido que não interferiria em assuntos de Estado. Conhecido como Paquita, Doña Paquita, Paquita Natillas ou Paquito Mariquito, sua homossexualidade era conhecida tanto pela família como pelo povo. Corriam versos em Madrid: "Isabelona, tan frescachona, y don Paquito, tan mariquito…". Posteriormente, Isabel comentaria acerca do marido: "O que eu poderia esperar de um homem que na noite de núpcias veste-se com mais renda do que eu."
Em 10 de outubro de 1846 em Madrid, numa cerimônia de casamento dupla, casaram-se Isabel com Francisco de Assis e a irmã mais nova de Isabel, a infanta Luísa Fernanda com Antônio, Duque de Montpensier, filho mais novo do rei francês Luís Filipe I.
O casamento foi um desastre desde o início. Isabel estava enfadada com os hábitos do marido, abertamente homossexual. O casal imediatamente se separou e somente voltariam a compartilhar leito após a intervenção do General Narváez, do confessor de Isabel, o Arcebispo Antonio María Claret, e do próprio Papa Pio IX. Apesar do casamento infeliz o casal teve doze filhos, dos quais somente cinco chegaram à idade adulta. Todavia, a paternidade dos filhos de Isabel, ou boa parte deles, não é atribuída a Francisco de Assis, mas a muitos dos amantes da rainha.
A vida privada de Isabel escandalizou tanto a corte quando a sociedade espanhola. A rainha tendia a ir para a cama às cinco da tarde e somente despertava às três da tarde do dia posterior. Seu primeiro amante "oficial" foi o General Francisco Serrano, quem Isabel apelidou-o como "bonito general" e escandalizou a corte o fato de Isabel o seguir através dos subúrbios de Madrid.
Outros amantes conhecidos eram o cantor José Mirall, o compositor Emiliano Arrieta, o Coronel Gándara, o Marquês Manuel Lorenzo de Acuña, o Capitão José María Arana, cuja paternidade da primeira filha de Isabel é creditada-a, o Capitão Enrique Puig Moltó, aparentemente pai do futuro rei Afonso XII da Espanha, o General O'Donnell, que foi removido de seu "ofício" pela influência de membros conservadores do clero que se aproximaram da soberana.