Isabel Stuart (em inglês: Elizabeth Stewart; Fife, 19 de agosto de 1596 – Londres, 13 de fevereiro de 1662) foi uma princesa inglesa pelo nascimento e eleitora palatina do Reno pelo casamento com Frederico V. Também foi rainha consorte da Boêmia, entre 1619 e 1620. O seu breve reinado lhe valeu o epíteto de Rainha de Inverno, pois terminou no inverno de 1620, com a derrota na Batalha da Montanha Branca.
Filha de Jaime VI da Escócia e I da Inglaterra e de Ana da Dinamarca, Isabel chegou à corte real inglesa em 1606, onde sua beleza e charme atraíram grande atenção, tornando-se rapidamente tema favorito dos poetas da época. Gustavo Adolfo II da Suécia, Filipe III da Espanha e Frederico V, Eleitor Palatino, buscaram sua mão em casamento. Sua mãe apoiava ativamente a união com o rei espanhol, mas seu pai, visando fortalecer os laços com os governantes protestantes da Alemanha, escolheu Frederico como genro. Após o casamento, celebrado em 14 de fevereiro de 1613, o casal partiu para Heidelberg. O casal teve um casamento feliz. Entre seus filhos, destacam-se: Ruperto, militar de grande reputação na Guerra Civil Inglesa, e Sofia, Eleitora de Hanôver, herdeira do trono britânico pelo Decreto de Estabelecimento de 1701. Em 1619, os boêmios, em desafio ao seu rei Habsburgo, Fernando II, ofereceram a coroa da Boêmia a Frederico. Em novembro de 1619, ele foi coroado rei como "Frederico I", mas em novembro de 1620, as forças boêmias foram derrotadas pela Liga Católica, que agia em nome de Fernando. Isabel e Frederico fugiram, encontrando refúgio em Haia, junto ao príncipe Maurício de Orange.
Isabel passou os 40 anos seguintes no exílio. Seu filho mais velho faleceu em 1629 e seu marido em 1632. Quando, em 1648, seu segundo filho, Carlos Luís, foi restaurado como eleitor palatino, ele ignorou os apelos da mãe para que ela se reunisse a ele. Em 1650, a pensão concedida pela Casa de Orange foi encerrada. A ajuda proveniente da Inglaterra também cessou em razão das Guerra Civil Inglesa, travada entre os partidários do irmão de Isabel, o rei Carlos I, e os parlamentaristas. Em 1661, seu sobrinho Carlos II, a contragosto, permitiu que ela retornasse à Inglaterra.
Isabel nasceu no Palácio de Dunfermline, Fife, em 19 de agosto de 1596, às duas horas da manhã. O rei Jaime cavalgou até o leito de parto vindo de Falkirk, onde participava do casamento do conde de Orkney. Na época de seu nascimento, seu pai era rei da Escócia, mas ainda não rei da Inglaterra. Nomeada em homenagem à Isabel I da Inglaterra, sua madrinha, a jovem Isabel foi batizada em 28 de novembro de 1596 na Capela Real de Holyrood, e proclamada pelos arautos como "lady Isabel". Durante sua infância na Escócia, Isabel foi criada no Palácio de Linlithgow, onde foi colocada sob os cuidados de lorde Livingstone e sua esposa, Eleanor Hay. Alguns anos depois, a segunda filha do rei, Margarida, também foi confiada aos cuidados deles. Isabel "não deu muita atenção a essa irmã mais nova", pois, mesmo tão jovem, seu afeto já estava voltado para seu irmão, Henrique.
Quando a rainha Isabel I da Inglaterra morreu em 1603, o pai de Isabel Stuart ascendeu ao trono como rei da Inglaterra e da Irlanda. A condessa de Kildare foi nomeada governanta da princesa. Junto com seu irmão mais velho, Henrique, Isabel fez a jornada para o sul, rumo à Inglaterra, com sua mãe, "em um progresso triunfal de entretenimento perpétuo". No aniversário de seu pai, 19 de junho, Isabel dançou em Worksop Manor com o filho de Robert Cecil.
Isabel permaneceu na corte por algumas semanas, mas "não há evidências de que ela estivesse presente na coroação dos pais" em 25 de julho de 1603. Parece provável que, nesta altura, as crianças reais já haviam sido levadas para Oatlands, um antigo pavilhão de caça Tudor próximo a Weybridge. Havia peste em Londres, e o príncipe Henrique e a princesa Isabel foram transferidos para Winchester. Sua mãe, Ana da Dinamarca, produziu uma peça teatral (Prince Henry's Welcome at Winchester) para recebê-los. Em 19 de outubro de 1603, "uma ordem foi emitida sob o selo privado anunciando que o rei achava apropriado confiar a guarda e educação da lady Isabel ao lorde Harrington [sic] e sua esposa".
Sob os cuidados de lorde e lady Harington em Coombe Abbey, Isabel conheceu Anne Dudley, com quem formaria uma amizade duradoura. Em 3 de abril de 1604, a princesa Isabel e suas damas cavalgavam de Coombe Abbey até Coventry, onde se encontraram com o prefeito e os vereadores da cidade. Ela assistiu a um sermão na Igreja de São Miguel e jantou no Salão de St. Mary.
Parte do objetivo da Conspiração da Pólvora de 1605 era assassinar o pai de Isabel, o rei Jaime, e a aristocracia protestante, sequestrar a jovem Isabel, então com nove anos, de Coombe Abbey, e colocá-la no trono da Inglaterra, e presumivelmente também nos tronos da Irlanda e da Escócia, como uma monarca católica. Os conspiradores escolheram Isabel após considerarem as outras opções disponíveis. Acreditava-se que o príncipe Henrique pereceria junto ao pai. Carlos era visto como frágil (tendo acabado de aprender a andar) e Maria (irmã de Isabel nascida em 1605) era muito jovem. Isabel, por outro lado, já havia participado de funções oficiais, e os conspiradores sabiam que "ela poderia cumprir um papel cerimonial, apesar de sua juventude relativa".
Os conspiradores pretendiam iniciar uma revolta nas Terras Médias que coincidisse com a explosão em Londres e, neste momento, assegurar a ascensão de Isabel como uma rainha-fantoche. Ela seria então criada como católica e, futuramente, casada com um príncipe católico. O complô fracassou quando os conspiradores foram traídos, e Guy Fawkes foi capturado pelos soldados do rei antes que pudesse acender a pólvora.
Isabel recebeu uma educação abrangente para uma princesa da época. Esta incluía instrução em história natural, geografia, teologia, línguas, escrita, música e dança. Ela foi impedida de estudar os clássicos, pois seu pai acreditava que o latim tinha o infeliz efeito de tornar as mulheres mais ardilosas. Aos 12 anos, Isabel já era fluente em várias línguas, incluindo o francês, "que ela falava com facilidade e graça" — idioma que mais tarde usaria para se comunicar com seu marido. Ela também era uma excelente amazona, possuía um entendimento sólido da religião protestante e demonstrava habilidade em redigir cartas que "soavam sinceras e nunca artificiais". Era também extremamente ligada à literatura, e "diversas lembranças de seu amor precoce pelos livros ainda existem".
Como filha de um monarca em exercício, o casamento da jovem Isabel despertou interesse em diversas cortes europeias, atraindo pretendentes de diferentes origens e posições. Entre eles estavam: o príncipe Gustavo Adolfo da Suécia, o duque Frederico Ulrico de Brunsvique-Luneburgo, o príncipe Maurício de Nassau, o lorde Howard de Walden, o príncipe Oto de Hesse-Cassel, o príncipe do Piemonte e o rei da Espanha.
Cada pretendente trazia consigo, na proposta de casamento, a perspectiva de poder para a jovem Isabel. O casamento poderia trazer grandes benefícios ao reino de seu pai. Quando Jaime ascendeu ao trono inglês em 1603, a Inglaterra passou a ocupar um novo papel nos assuntos europeus. Jaime, ao contrário da infértil Isabel I, poderia, simplesmente "por ter filhos, desempenhar um papel importante na política dinástica". A escolha do futuro marido de Isabel, portanto, tinha pouco a ver com sua preferência pessoal e muito a ver com os benefícios que tal união poderia trazer.
A maioria de seus pretendentes foi rapidamente descartada por diversos motivos. Alguns simplesmente não eram de linhagem suficiente, não tinham perspectivas reais a oferecer ou, no caso de Gustavo Adolfo, que em todos os outros aspectos parecia ser um par ideal, porque "seu país estava em guerra com a Dinamarca natal da rainha Ana". Além disso, a Inglaterra não podia enfrentar outra revolução religiosa, e por isso o pré-requisito religioso, isto é, ser protestante, era fundamental.
O homem escolhido foi Frederico, conde palatino do Reno. Frederico era, sem dúvida, de linhagem elevada. Seus ancestrais incluíam os reis de Aragão e Sicília, os landgraves de Hesse, os duques de Brabante e Saxônia, e os condes de Nassau e Leuven. Ele e Isabel também compartilhavam um ancestral comum: Henrique II da Inglaterra. Frederico era "um dos príncipes mais poderosos do Sacro Império Romano" e um firme defensor da fé protestante.