Isadora Marie Williams (Marietta, 8 de fevereiro de 1996) é uma ex-patinadora artística estadunidense e brasileira, que competia representando o Brasil. Isadora foi a primeira patinadora brasileira a se classificar para os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014, e a primeira a prosseguir para a patinação livre, em 2018. Ela conquistou a primeira medalha internacional do Brasil, ao obter a medalha de bronze no Golden Spin of Zagreb de 2012 e o primeiro ouro internacional do país em 2017, no Sofia Trophy.
Williams nasceu na cidade de Marietta, no estado da Geórgia nos Estados Unidos. É filha da brasileira Alexa Williams, de Minas Gerais, e do estadunidense Charles Williams.
Ela tem ambas a cidadania brasileira, através de sua mãe, e a cidadania estadunidense, por local de nascimento e por seu pai. Questionada pela sua escolha de representar o Brasil no esporte por conta da dupla cidadania, Isadora começou a ter aulas de português apenas em 2013 e não é fluente no idioma. A atleta cometeu uma gafe ao declarar em entrevista a um portal estrangeiro que a cidade de Belo Horizonte, capital de Minas, ficava na costa do país.
A atleta venceu o Prêmio Brasil Olímpico em 2013 e em 2018 na categoria desportos no gelo, e era agraciada pelo programa governamental Bolsa Atleta desde 2013.
Ela se graduou em Comunicação e Mídias na Montclair State University em Nova Jersey, após transferência do curso de Nutrição.
Williams começou a patinar aos cinco anos, quando apaixonou-se pelo esporte após participar de uma sessão pública no rinque de patinação no gelo Cooler Ice Rink, localizado na cidade de Alpharetta, no estado da Geórgia. Ela competiu domesticamente no circuito dos Estados Unidos quando criança, entre os níveis juvenil a intermediário, até o ano de 2009, muito embora sua mãe alegue que a atleta desde 2005 já manifestava o desejo de competir pela bandeira do Brasil. Contudo, Isadora declarou posteriormente em entrevista que, a princípio, tudo começou com uma conversa despretensiosa por parte da sua mãe, e a atleta apenas passou a considerar seriamente a proposta após acertar consistentemente seu salto duplo Axel, o que a colocaria em condições técnicas mínimas de competir internacionalmente pelo nível júnior, dois acima da categoria intermediário em que se encontrava nos testes da federação americana.
Temporada 2009-10: Estreia internacional
Em 2009, aos 13 anos, após enviar um vídeo à Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Isadora foi convidada a representar o Brasil no evento do Campeonato Mundial Júnior de Patinação Artística no Gelo de 2010, alcançando 31,12 pontos no programa curto, o que não a classificou para disputar o programa livre, pois a atleta terminou o segmento na 41ª colocação. A partir de então, a jovem passou a intensificar seus treinamentos a fim de estar ao nível de competir internacionalmente e se mudou para Ashburn, Virgínia nos Estados Unidos, passando a treinar com Natasha Tymonshenko, Serguei Kouznetsov e a coreógrafa Danielle Rose.
Temporada 2010-11: Estreia no ISU Junior Grand Prix
Na temporada seguinte, Isadora estreou no circuito do Júnior Grand Prix, na etapa da Alemanha, onde alcançou a 27ª posição, porém não chegou a competir no Campeonato Mundial na temporada.
Em 2011, a atleta mais uma vez participou no JGP, dessa vez na etapa italiana, onde terminou a competição em 18º lugar, com 101,20 pontos no somatório dos segmentos. Isadora concluiu a sua última temporada júnior no Campeonato Mundial em Minsk, no qual alcançou a 16ª posição com a sua melhor pontuação da sua carreira júnior, 123,93 pontos no somatório dos programas curto e livre.
Temporada 2012-13: Estreia sênior e primeira medalha internacional
Desde 2012, Isadora passou a competir no nível sênior. Na época, a família de Isadora escreveu uma carta para a CBDG explicando que a situação de arcar com os custos do treinamento da atleta visando a uma classificação para os Jogos Olímpicos era inviável financeiramente, e os Williams pensaram em desistir do esporte. Após alguns meses de negociação, ela passou a receber apoio da confederação. Após a conquista da medalha de bronze no Golden Spin of Zagreb de 2012, Isadora se tornou a primeira patinadora a ganhar uma medalha internacional para o Brasil. A atleta posteriormente competiu no Mundial Júnior, não alcançando a classificação para a final após terminar na 26ª posição no programa curto. Em sua primeira disputa de Mundial sênior, evento pré-olímpico para Sochi, Isadora fez 46,63 pontos no programa curto, terminando o segmento em 25º lugar e novamente não avançando à patinação livre e, consequentemente, não garantindo a vaga para as Olimpíadas naquele momento.
Temporada 2013-14: Classificação e estreia nos Jogos Olímpicos
Isadora realizou campanhas de financiamento coletivo a fim de conseguir o apoio financeiro necessário para disputar a classificação para as Olimpíadas. No Nebelhorn Trophy de 2013, que serviu como repescagem olímpica, Williams terminou a competição na 12ª posição, garantindo, pela primeira vez, uma vaga na patinação artística no gelo em Jogos Olímpicos de Inverno para o Brasil. Em dezembro, a jovem veio ao Brasil, onde se apresentou no show Estrelas da Patinação, e abriu conta na Caixa Econômica Federal para receber o Bolsa Atleta.
Em 2014, Williams representou o país nos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia, terminando a competição em 30º lugar. “Depois da ascensão veio a depressão. Eu não fiz o programa que gostaria de fazer em Sochi, não patinei com todo o meu potencial. Voltei determinada a nunca mais colocar meus pés em um par de patins. Foi um momento muito ruim, de grande tristeza e muita depressão. Mas voltei e tenho muito orgulho de quem sou e do que conquistei”, afirmou Isadora posteriormente em entrevista.
Temporada 2016-17: Primeiro ouro internacional
Em dezembro de 2016, Isadora conquistou a medalha de prata no Santa Claus Cup, na Hungria, e também o índice para competir no Campeonato Mundial de Patinação Artística no Gelo de 2017 em Helsinque. Em Janeiro de 2017, Isadora saiu da casa dos pais e se mudou para Nova Jersey, onde passou a morar com uma família de brasileiros e cursar faculdade em uma universidade com rinque próprio. Em fevereiro de 2017, ela conquistou a medalha de ouro no Sofia Trophy, o primeiro ouro do Brasil na modalidade em uma competição de nível internacional. Após ficar em 30º lugar no Mundial, um atleta norte-americano a convidou para disputar os pares, mas ela recusou.