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Isao Takahata

Diretor, roteirista e produtor japonês (1935–2018)

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Isao Takahata (高畑 勲, Takahata Isao; Ujiyamada, 29 de outubro de 1935 – Tóquio, 5 de abril de 2018) foi um diretor, produtor e roteirista japonês de cinema de animação. Começou na Toei Animation em 1959, dirigiu séries de televisão como Arupusu no Shōjo Haiji (1974) e Akage no An (1979) e participou em 1985, com Hayao Miyazaki e o produtor Toshio Suzuki, da criação do Studio Ghibli. Ali dirigiu Hotaru no Haka (1988), Omoide Poro Poro (1991), Heisei Tanuki Gassen Ponpoko (1994), Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun (1999) e O Conto da Princesa Kaguya (2013), indicado ao Oscar de melhor filme de animação.

Takahata não desenhava. Como diretor, levou à animação japonesa a descrição minuciosa da vida cotidiana e temas da história recente do Japão, e exerceu forte influência sobre Miyazaki. Pacifista, criticou a política de defesa do governo de Shinzō Abe e defendeu o artigo 9.º da Constituição do Japão.

Takahata nasceu em 29 de outubro de 1935 em Ujiyamada, hoje Ise, na província de Mie, e cresceu em Okayama. O pai era diretor de escola. Na madrugada de 29 de junho de 1945, quando tinha nove anos, bombardeiros americanos lançaram bombas incendiárias sobre Okayama. Ele fugiu descalço, de pijama, com uma irmã um ano mais velha. Ela foi atingida por estilhaços e desmaiou, e ele a sacudiu até que voltasse a si. Os dois só reencontraram a família, que se abrigara no quintal de casa, dois dias depois. Takahata considerava aqueles dias a pior experiência de sua vida. Contou essa história em público pela primeira vez em 2015, num ato em Okayama.

Formou-se em literatura francesa na Universidade de Tóquio em 1959. O longa de animação francês La Bergère et le Ramoneur (1952), de Paul Grimault, convenceu-o de que a animação podia alcançar uma espécie de realismo. Em 2014, ele disse que, se não tivesse visto esse filme na juventude, nunca teria entrado no cinema de animação.

Em 1959, Takahata entrou na Toei Animation como assistente de direção. Estreou como diretor na série de televisão Ōkami Shōnen Ken. Em 1963, conheceu Hayao Miyazaki, e os dois foram dirigentes do sindicato dos trabalhadores do estúdio.

Em 1965, o animador Yasuo Ōtsuka, encarregado de seu primeiro longa como diretor de animação, escolheu Takahata para dirigi-lo, contra a vontade da diretoria. Miyazaki cuidou do desenho das cenas e da animação principal. Conflitos entre a empresa e os trabalhadores atrasaram a produção, e Taiyō no Ōji Horusu no Daibōken estreou em 1968. A bilheteria foi fraca, e vários membros da equipe foram rebaixados. Para o Studio Ghibli, o filme mostrou que a animação podia tratar temas contemporâneos e a psicologia dos personagens com profundidade dramática.

Em 1971, Takahata, Miyazaki e Yoichi Kotabe seguiram Ōtsuka até a A Production, hoje Shin-Ei Animation, para adaptar Píppi Meialonga para a televisão. O projeto não foi adiante, e eles fizeram juntos o filme Panda Kopanda (1972). Depois passaram para a Zuiyō, mais tarde Nippon Animation, onde Takahata dirigiu Arupusu no Shōjo Haiji (1974), com Miyazaki na composição das cenas. A série foi uma tentativa sem precedentes de retratar o dia a dia ao longo de um ano de episódios. Seguiram-se Haha o Tazunete Sanzenri (1976) e Akage no An (1979), adaptação fiel ao romance de Lucy Maud Montgomery. Em 1981, dirigiu o longa Jarinko Chie, e em 1982, Serohiki no Gōshu.

Quando Miyazaki dirigiu Nausicaä do Vale do Vento (1984), chamou Takahata para produzi-lo. O sucesso do filme levou a editora Tokuma Shoten a criar o Studio Ghibli em 1985, durante a produção de O Castelo no Céu (1986), também produzido por Takahata. Foi dele a proposta de não contratar funcionários fixos e reunir cerca de 70 pessoas para cada filme, desfazendo a equipe ao final. Com metade do lucro de Nausicaä, Takahata dirigiu Yanagawa Horiwari Monogatari (1987), documentário de cerca de três horas sobre a rede de canais de Yanagawa. O orçamento estourou, e o público não compareceu.

Hotaru no Haka, baseado na novela de Akiyuki Nosaka, estreou em abril de 1988 numa sessão dupla com Tonari no Totoro, de Miyazaki. Takahata usou no filme detalhes de suas lembranças do bombardeio de Okayama. O crítico Roger Ebert escreveu que o filme merecia estar em qualquer lista dos maiores filmes de guerra já feitos. Takahata, porém, recusava a leitura do filme como obra antiguerra.

Seguiram-se Omoide Poro Poro (1991), sobre uma jovem da cidade que passa uma temporada numa fazenda e relembra a infância, e Heisei Tanuki Gassen Ponpoko (1994), alegoria ecológica sobre tanuki que tentam impedir a urbanização de suas terras. Ponpoko foi o filme japonês de maior bilheteria de 1994 e ganhou o prêmio de longa-metragem do Festival de Cinema de Animação de Annecy em 1995. Em 1995, Takahata comandou o Higashi Koganei Sonjuku, curso do Ghibli para formar diretores de animação. Em Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun (1999), série de esquetes sobre uma família de subúrbio, abandonou o visual tradicional do anime em favor de traços esparsos e cores de aquarela. O filme inspirou o roteirista Michael Arndt a escrever Little Miss Sunshine (2006).

Seu último filme, O Conto da Princesa Kaguya (2013), reconta o Conto do Cortador de Bambu, do século X, com traços que lembram a caligrafia antiga e detalhes de época tirados dos emakimono, rolos ilustrados medievais que Takahata via como uma espécie de protoanimação e aos quais dedicou um livro. Um executivo de televisão que admirava seu trabalho financiou o filme. A produção durou oito anos e custou cerca de 35 milhões de euros. O filme foi indicado ao Oscar de melhor filme de animação na cerimônia de 2015 e ganhou o prêmio de animação da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles. Depois, Takahata foi produtor artístico de A Tartaruga Vermelha (2016), de Michaël Dudok de Wit, primeira coprodução internacional do Ghibli. Ele também ajudou a levar ao Japão os filmes de Michel Ocelot.

Takahata morreu de câncer de pulmão em 5 de abril de 2018, à 1h19, no Hospital da Faculdade de Medicina da Universidade Teikyo, em Tóquio, aos 82 anos. Em 15 de maio, cerca de 3200 pessoas foram à cerimônia de despedida no Museu Ghibli, em Mitaka. Miyazaki disse estar convencido de que Takahata viveria até os 95 anos e que a morte do amigo o fazia pensar que seu próprio tempo também era limitado. Em 2019, o Museu Nacional de Arte Moderna de Tóquio dedicou-lhe uma retrospectiva, que depois percorreu Okayama, Niigata e Shizuoka.

Ao contrário de Miyazaki, Takahata não desenhava durante a produção. Para o crítico Alex Dudok de Wit, a constante de sua obra é uma "espécie de realismo": personagens comuns e atenção minuciosa aos detalhes do mundo real, em vez de heróis e números de fantasia. O Museu Nacional de Arte Moderna de Tóquio destaca as séries dos anos 1970, que descreveram com cuidado a vida cotidiana, os filmes dos anos 1980, que levaram para a animação o modo de vida do povo japonês e a revisão da história do país na guerra e no pós-guerra, e Kaguya, cujo traço feito à mão e estilo de aquarela romperam com a animação em acetato. O Ghibli também lhe credita a criação do sistema de layouts na produção.

Trabalhava devagar. Miyazaki o chamou de "bicho-preguiça". O animador Yasuo Ōtsuka disse que Miyazaki aprendeu com Takahata o senso de responsabilidade social. Em 1996, Takahata explicou que não queria fazer o mesmo tipo de filme que Miyazaki e preferia, como se diz no sumô, lutar em outro ringue.

Takahata traduziu para o japonês os poemas de Paroles, de Jacques Prévert, e escreveu livros sobre cinema, pintura e os emakimono.

Takahata defendeu que o artigo 9.º da Constituição, que renuncia à guerra, nunca deveria ser alterado. Em 2015, no ato em que contou sua experiência do bombardeio de Okayama, alertou que o Japão poderia voltar a fazer guerra. Participou das associações em defesa do artigo 9.º e se opôs aos projetos de lei de segurança do governo Abe. Foi um dos organizadores dos manifestos de profissionais do cinema contra a lei de segredos de Estado, em 2013, e contra as leis de segurança, em 2015. Seu último livro, Kimi ga sensō o hossenai naraba (2015), trata desses temas.

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