Itália Fascista, também denominada como regime de Mussolini, ditadura de Benito Mussolini ou ditadura fascista, é o período da história da Itália do governo do Duce Benito Mussolini e do desenvolvimento do fascismo. O fascismo foi um movimento político autoritário do século XX que surgiu no Reino de Itália após a Primeira Guerra Mundial. Nasceu em parte como reação à Revolução Russa de 1917 e às fortes lutas dos trabalhadores e seus sindicatos, culminando no biennio rosso, e em parte pela controvérsia sobre a sociedade liberal-democrática que emergiu a partir da experiência da Primeira Guerra Mundial.
A palavra fascismo tem origem na palavra latina fasces, e na italiana fascio que significam "feixe". O feixe de lenha amarrado (feixe lictório) foi um símbolo muito usado na Roma Antiga. Simbolizava a força na união, segundo a metáfora de que um galho sozinho pode ser quebrado, porém unidos tornam-se bem resistentes. Benito Mussolini resgatou esse símbolo ao fundar o Partido Nacional Fascista em 1921. O símbolo desse partido era o feixe de lenha com um machado, tendo de pano de fundo as cores da bandeira italiana.
Mussolini fundou o movimento fascista em 23 de março de 1919, numa reunião feita na cidade de Milão. Entre os membros fundadores estavam os líderes revolucionários sindicalistas Agostino Lanzillo e Michele Bianchi. Em 1921, os fascistas passaram a desenvolver um programa que exigia a república, a separação da Igreja do Estado, um exército nacional, um imposto progressivo para heranças e o desenvolvimento de cooperativas.
O estado fascista de Mussolini foi estabelecido aproximadamente uma década antes da chegada de Hitler ao poder na Alemanha. Tanto um movimento como um fenômeno histórico, o fascismo italiano foi, em muitos aspectos, uma reação à falha aparente do laissez-faire e ao medo dos movimentos de esquerda, apesar de que as circunstâncias na história intelectual devem ser consideradas, como o abalo do positivismo e o fatalismo generalizado do pós-guerra na Europa. Apesar de na prática, o fascismo italiano tenha privatizado uma série de empresas e os proprietários das empresas serem livres para organizar a produção como quisessem, a sua atividade no mercado foi objeto de forte controle estatal, na verdade a privatização não reduziu significativamente a intervenção do Estado na economia.
O fascismo foi de certa forma o resultado de um sentimento geral de ansiedade e medo dentro da classe média na Itália do pós-guerra, que surgiu no seguimento da convergência de pressões inter-relacionadas de ordem econômica, política e cultural. Sob o estandarte desta ideologia autoritária e nacionalista, Mussolini foi capaz de explorar os medos perante o capitalismo numa era de depressão pós-guerra, a ascensão cada vez mais rápida de uma esquerda mais revolucionária, e um sentimento de vergonha nacional e de humilhação que resultaram da "vitória mutilada" da Itália nos tratados de paz pós Primeira Guerra Mundial. Tais aspirações nacionalistas não realizadas (ou frustradas) manchavam a reputação do liberalismo e do constitucionalismo entre muitos setores da população italiana. Adicionalmente, tais instituições democráticas nunca cresceram ao ponto de se tornarem firmemente enraizadas na nova nação-estado.
À medida que essa mesma depressão do pós-guerra fez crescer a sedução pelo comunismo entre o proletariado urbano, ainda mais desprovido de direitos do que os seus contrapartes no continente, o receio relativamente à força crescente do sindicalismo, o comunismo e o socialismo proliferaram entre a elite e a classe média. De certa forma, Benito Mussolini preenchia um vácuo político. O fascismo emergiu como uma "terceira via" — como a última esperança da Itália para evitar o colapso iminente do "fraco" liberalismo italiano, e a revolução comunista.
Ao mesmo tempo que falhava em delinear um programa coerente, o fascismo evoluiu para um novo sistema político e econômico que combinava o corporativismo, o totalitarismo, nacionalismo, e anticomunismo num estado desenhado por forma a unir todas as classes num sistema capitalista, mas um novo sistema capitalista no qual o estado detinha o controlo da organização de indústrias vitais. Sob a bandeira do nacionalismo e poder estatal, o fascismo parecia sintetizar o glorioso passado romano com uma utopia futurista.
A sedução pelo movimento, a promessa de um capitalismo mais ordenado após uma era de depressão econômica do pós-guerra, no entanto, não se confinava à Itália ou mesmo à Europa. Por exemplo, uma década mais tarde, quando a Grande Depressão originou uma queda da economia brasileira, uma espécie de protofascismo iria emergir como reação aos problemas socioeconômicos, e consciência nacionalista do estatuto periférico da economia do Brasil. O regime de Getúlio Vargas adotou uma extensa influência fascista com a Constituição do Estado Novo, redigida por Francisco Campos, eminente jurista filiado ao Partido Fascista Brasileiro.
Fundado como uma associação nacionalista (Fasci di Combattimento) de veteranos da Primeira Guerra Mundial em Milão a 23 de março de 1919, o movimento fascista de Mussolini converteu-se num partido nacional (o Partido Nacional Fascista) após ter ganho 35 assentos nas eleições ao parlamento de maio de 1921. Inicialmente tendo elementos ideológicos da direita, ele alinhava pelas forças conservadoras pela sua oposição às ocupações a fábricas italianas de setembro de 1920.
Apesar dos temas da reforma social e econômica no Manifesto Fascista inicial de junho de 1919, o movimento foi apoiado por seções da classe média, receosos do socialismo e do comunismo, enquanto industriais e donos de terra viram-no como uma defesa contra a militância trabalhista. Sob a ameaça de uma "Marcha sobre Roma fascista", Mussolini assumiu em outubro de 1922 a liderança de um governo de coligação de direita incluindo inicialmente membros do partido popular, pró-Igreja.
Em 28 de outubro de 1922, as milícias fascistas iniciam a Marcha sobre Roma, promovendo uma passeata de cerca de 50 mil fascistas em Roma. Pressionado, o rei Vítor Emanuel III convoca Mussolini para chefiar o governo em uma Itália que atravessa uma grave crise econômica e financeira, marcada por uma elevada inflação, agravada por grande agitação social, com greves e manifestações de trabalhadores urbanos e rurais.
O regime de Mussolini pode ser dividido em duas fases:
Consolidação do Fascismo (1922 a 1924) — Benito Mussolini governa de forma conciliatória, não se sobrepondo ao poder do rei Vítor Emanuel III. Paralelamente, fortalece as organizações fascistas com a fundação das Milícias de Voluntários para a Segurança Nacional, também denominado "Camisas negras". Utilizando todos os métodos possíveis, inclusive da fraude eleitoral, os fascistas garantiram a vitória do Partido nas eleições parlamentares em abril de 1924;
Ditadura Fascista (1925 a 1943) — Entre 1925 e 1926, com o apoio do rei, dos empresários e do Exército, Mussolini promove uma ampla perseguição política, impondo o Partido Nacional Fascista como partido único, e iniciando a ditadura fascista. Os sindicatos dos trabalhadores passam a ser controlados pelo Estado; é criado um tribunal especial para julgar crimes considerados ofensivos à segurança do Estado; a censura é instaurada; os partidos de oposição são dissolvidos; milhares de pessoas são presas e outras expulsas do país. A OVRA, a polícia secreta fascista, utiliza os mais terríveis tipos de violência na perseguição aos opositores.
A transição para uma ditadura assumida foi mais gradual do que na Alemanha uma década mais tarde. Apesar de, em julho de 1923, uma nova lei eleitoral ter dificultado a constituição de uma maioria parlamentar fascista, o assassínio do deputado socialista Giacomo Matteotti, onze meses mais tarde, mostrou os limites da oposição política. Em 1926 os movimentos de oposição tinham sido declarados ilegais, e em 1928 a eleição ao parlamento era restrita a apenas candidatos aprovados pelos fascistas.
Entre 1926 e 1932, estudos publicados no pós-guerra mostram que os tribunais especiais para julgamento de crimes políticos decretaram sete condenações à pena de morte, 257 a penas de dez ou mais anos de prisão, 1.360 a penas de prisão mais brandas, além das condenações ao exílio, não quantificadas.