Itanhaém é um município brasileiro no litoral do estado de São Paulo, na Região Metropolitana da Baixada Santista, sendo a segunda cidade mais antiga do Brasil, após São Vicente, também no litoral paulista.
A sua população em 2022 era de 112 476 habitantes e a área é de 601,711 km², o que resulta numa densidade demográfica de 186,93 hab./km². Durante a época de temporada, entre os meses de dezembro e fevereiro, sua população (habitantes e turistas) pode passar de 300 mil pessoas, devido à alta concentração de turistas.
Itanhaém é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto ao seu nome o título de "estância balneária", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
O nome do município é incerto, com inúmeras possibilidades oriundas do tupi antigo. A primeira significa "pranto de pedra" ou "pedra que chora", originário da composição genitiva: itá "pedra" e nha-em "pranto". A segunda possibilidade, é que "Itanhaém" signifique "pedra sonora" ou "pedra que canta" em alusão as águas que batiam nas pedras, e ecoava sons, através da composição de itá, "pedra", com nhe'eng (verbo), "que fala, ou que canta".
Segundo historiadores reconhecidos, como Paulino de Almeida, Pedro Taques e frei Vicente do Salvador, a povoação que deu origem ao município de Itanhaém foi fundada em 22 de abril de 1532 por Martim Afonso de Sousa, à margem oriental da foz do Rio Itanhaém, sob os pés do Morro do Itaguaçu sendo, portanto, o segundo núcleo populacional criado pelos colonizadores portugueses no território brasileiro, depois da vizinha São Vicente, também fundada por Martim Afonso. Outras teorias, menos comprovadas e aceitas, afirmam que Itanhaém viria a ser fundada em 1549 pelo espanhol João Rodrigues e português Antônio Soares, ou ainda por Pedro Namorado. Frei Gaspar da Madre de Deus não teria achado nenhuma povoação ao redor da foz do Rio Itanhaém em 1555.
A despeito das teorias sobre a fundação de Itanhaém, um fato é que a cidade surgiu aos pés do Convento de Nossa Senhora da Conceição, estrategicamente construído no alto do Morro do Itaguaçu. Tal localização visava o refúgio e a defesa dos moradores no Convento, em caso de ataque de indígenas inimigos.
Em 1549, os jesuítas chegaram à Capitania de São Vicente, para a catequização dos indígenas. Destaca-se, em Itanhaém, no século XVI, o nome dos padres Leonardo Nunes (conhecido como “Abarebebê”), fundador do aldeamento indígena que daria origem à vizinha Peruíbe, e José de Anchieta, hoje santo.
Em abril de 1561, Itanhaém foi elevada à categoria de vila, com o nome “Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém”, pelo capitão-mor Francisco de Morais. Em 1563, o famoso navegante alemão Hans Staden naufragou em alto-mar, tendo nadado para a vila de Itanhaém e, daí, partido para o litoral norte paulista.
Devido às disputas entre os herdeiros de Martim Afonso de Sousa, em fevereiro de 1624, foi criada, a partir de uma divisão da Capitania de São Vicente, a Capitania de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, sediada na vila de mesmo nome e tendo como primeira donatária a Condessa de Vimieiro, neta do fundador de São Vicente e Itanhaém. Em sua máxima extensão, a Capitania teria um território que iria desde Cabo Frio até a Ilha do Mel, passando pelo Vale do Paraíba e partes de Minas Gerais. A capitania de Itanhaém também viria a ser um celeiro de bandeirantes e Jaques Félix, explorador a mando da Condessa, fundou Taubaté, a primeira vila do Vale do Paraíba, de onde saíram os exploradores que fundaram Mariana, primeira capital mineira, e Campinas.
Devido a conflitos entre colonos e jesuítas relativos à escravização dos indígenas, em 1654, esses padres foram expulsos de Itanhaém e substituídos pelos franciscanos, os quais construíram um novo convento no Morro do Itaguaçu, popularmente conhecido como “Convento dos Franciscanos”.
Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, muitos itanhaenses migraram para essas jazidas. Em 1709, o Rei João V de Portugal uniu as Capitanias de São Vicente e Itanhaém na Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. No entanto, Itanhaém só viria a ser incorporada à Capitania de São Paulo em 1753.
Pós-Capitania, Império e República
Em 1761, foi inaugurada a Igreja Matriz de Sant’Ana, construção iniciada em 1639, em substituição à Igreja de Santa Luzia, erguida em 1615 e destruída 20 anos depois.
Em 1888, graças à ideia de Isaías Cândido Soares e João Batista do Espírito Santo, a Câmara Municipal fundou o "Gabinete de Leitura", objetivando a levar educação aos moradores locais, levando à quase erradicação do analfabetismo em Conceição de Itanhaém ainda no século XIX.
Em 1906, Conceição de Itanhaém foi elevada à condição de cidade, tendo seu nome simplificado para Itanhaém. Dois anos depois, assumia seu primeiro prefeito, João Baptista Leal.
A pacata vila de pescadores e agricultores caiçaras que era Itanhaém no início do século XX começou a se transformar a partir dessa época, com o florescimento da bananicultura e a chegada, em 1913, da ferrovia Southern São Paulo Railway, que permitiu a chegada de turistas à cidade. Foi por meio dela, inclusive, ao receber turistas que buscavam as belas e intocadas praias, ilhas e morros, que nasceram e se desenvolveram bairros afastados, como o Bairro do Poço (atual Belas Artes), e Suarão, todos na primeira metade do século XX.
A cidade ainda fez história ao ser a primeira no estado de São Paulo, e a segunda em todo o Brasil, a ter, como prefeita eleita, uma mulher: Spasia Albertina Bechelli Cecchi, ainda em 1936.
Itanhaém perderia grandes porções de seu território para a criação dos municípios de Itariri (1948), Mongaguá (1959) e Peruíbe (1959).