Itu é um município brasileiro do estado de São Paulo, situado na Região Metropolitana de Sorocaba, na Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e na Microrregião de Sorocaba. Localiza-se a uma latitude 23º15'51" sul e a uma longitude 47º17'57" oeste, estando a uma altitude de 583 metros.
Sua população estimada em 2024 era de 174 561 habitantes, formada principalmente por descendentes de imigrantes portugueses, italianos, japoneses, além de migrantes de outras regiões do Brasil, em especial do Nordeste, além da forte presença de migrantes do estado do Paraná. É o 46° município mais populoso do estado de São Paulo e o 174° no Brasil, além de ser a segunda maior cidade da Região Metropolitana de Sorocaba, atrás apenas de Sorocaba.
Itu já foi a cidade mais rica do estado, sendo famosa por nela terem residido muitos "barões do café" e autoridades importantes do país. O município teve importância no processo que conduziu à proclamação da república do Brasil em 1889, tendo sediado, em 1873, a primeira Convenção Republicana do Brasil.
Atualmente, a cidade é famosa por ter diversos objetos de tamanho exagerado, fama esta inaugurada pelo comediante Francisco Flaviano de Almeida, o famoso Simplício.
Segundo Eduardo de Almeida Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo, o nome do município procede do tupi ytu (cachoeira).
A colonização da região de Itu pelos paulistas começou em 1604, no contexto da expansão do povoamento paulista para além da região da vila de São Paulo, quando bandeirantes receberam, por sesmaria, a posse da terra dos campos do Pirapitingui.
Em 1610, o bandeirante Domingos Fernandes e seu genro Cristóvão Diniz ergueram uma capela em louvor a Nossa Senhora da Candelária, no local em que hoje está a Igreja do Senhor Bom Jesus, em cujos arredores se formou a povoação de Itu-Guaçu (atual cidade de Itu). Adotou-se o dia 2 de fevereiro como data de aniversário de Itu, por coincidir com o dia de Nossa Senhora da Candelária.
Em 1653, o povoado do Itu-Guaçu foi elevado à categoria de freguesia da vila de Parnaíba, com o nome de Itu, se tornando vila em 18 de abril de 1657. Instalou-se uma Câmara municipal e iniciou-se a construção de um novo templo.
Durante quase um século, de 1657 a 1750, a vila de Itu não passou de um pequeno núcleo, com menos de 100 casas, concentradas no pátio da antiga Matriz e em uma única rua que ia do pátio até a capelinha do primeiro povoado. Uma boa parte das casas, as do pátio, sobretudo, pertencia a fazendeiros. Quando aumentou a escravatura e a produção das fazendas, seus donos ajudaram a erguer dois conventos na Vila, o de São Francisco (1692) e o do Carmo (1719). Os comerciantes ergueram, em 1726, uma capela, num lugar ainda descampado, a de Santa Rita, inaugurada em 1728.
Em 1760, já existiam cerca de 105 casas e mais uma rua, chamada da Palma (atual Rua dos Andradas). Nessa época, Itu se firmava como entreposto de comércio na rota entre o sul do país e as regiões mineradoras de Mato Grosso e Goiás. Na vila, as maiorias das casas eram pequenas e habitadas por pessoas de poucos bens.
Em 1776, com o crescimento das lavouras de açúcar e algodão, a Vila de Itu cresceu, contando com 180 casas, tendo ainda as mesmas ruas de antes. Quem deu vida à localidade foram os artesãos (sapateiros, ferreiros, carpinteiros, tecelões, costureiras e fiandeiras), os quais ocupavam 119 casas. Os comerciantes interessados na venda de tecido, colchas e cobertores para outras regiões promoveram o cultivo de algodão e a produção caseira de tecidos. A partir dessa época, a vila cresceu, devido à exportação de açúcar para a Europa. O número de engenhos de cana e de escravizados importados da África se multiplicou.. De 1785 a 1792, foram abertas as ruas que descem paralelas, pelas encostas do espigão, e seus prolongamentos pelo lado da Igreja do Patrocínio, inaugurada em 1819. Em 1811, foi criada a Comarca de Itu.
Itu recebeu, em 1822, o título de Fidelíssima do imperador dom Pedro I por sua posição a favor da independência. A partir da lista nominativas de habitantes de Itu do ano de 1836, se observou que os grandes engenhos de Itu também continham números consideráveis de produção de milho, sendo importante ressaltar que boa parte desse milho foi produzido nas próprias unidades açucareiras. A título de exemplo, João Tibiriçá, lavrador e morador do quarteirão três do distrito de Indaiatuba, possuía em sua fazenda 84 escravos - maior plantel da vila. Sua fazenda produziu, em 1836, 3.000 arrobas de açúcar, enquanto possuía 1000 alqueires de milho, 300 alqueires de feijão e 80 alqueires de arroz. Seu caso é um exemplo das grandes fazendas de Itu, as quais tinham enormes plantéis de escravos e uma alta produção de açúcar, mas não deixavam de reservar grandes alqueires para produção de alimentos. Estes, no caso, não seriam apenas para o consumo próprio, o que levanta a hipótese da existência de um comércio bastante elaborado de alimentos.
Por meio de Lei Provincial de 5 de fevereiro de 1842, a vila de Itu foi elevada à cidade, ocasião em que possuía umas 800 casas. Nesse mesmo ano, Itu participou das Revoltas liberais de 1842, montando uma força de 300 homens, junto à tropa de Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar.
A partir de 1850 e durante anos, Itu foi considerada a cidade mais rica da Província de São Paulo, com intensa participação na vida política e econômica.
Em 1859, a cidade de Itu perdeu território para a criação das vilas de Cabreúva e Indaiatuba e, em 1889, para a criação do município de Salto.
Em 1860, ocorreu uma grande crise no mercado internacional do açúcar e o plantio de cana entrou em decadência, o que causou, com o passar do tempo, um conflito entre os políticos e fazendeiros ituanos com o governo imperial, impulsionando o republicanismo na cidade, resultando, em 1873, na Convenção de Itu, a primeira convenção republicana do Brasil, na qual foi criado o Partido Republicano Paulista. Por causa dessa reunião, a cidade de Itu é conhecida como o "Berço da República".
Com a decadência do açúcar, o seu cultivo foi gradativamente sendo substituído pelo café, com o aumento de cuja produção os fazendeiros buscaram a vinda de imigrantes europeus para substituir a mão-de-obra escravizada, haja vista que o tráfico de escravizados fora abolido em 1850 pela Lei Eusébio de Queirós e a escravatura seria abolida em 1888 pela Lei Áurea. A partir de 1889, com a ajuda do governo estadual e federal, vieram para Itu milhares de imigrantes, majoritariamente italianos. A cidade possuía, nesta época, cerca de 1 800 casas.
O cultivo de café em Itu entrou em decadência na década de 1930, devido à Grande Depressão, o esgotamento das terras e a concorrência com outras áreas de plantio.