Iuri Alexeievitch Gagarin (em russo: Юрий Алексеевич Гагарин; Kluchino, 9 de março de 1934 – Kirjatch, 27 de março de 1968) foi um cosmonauta soviético e o primeiro ser humano a viajar pelo espaço, em 12 de abril de 1961, a bordo da Vostok 1. Esta espaçonave possuía dois módulos: o módulo de equipamentos (com instrumentos, antenas, tanques e combustível para os retrofoguetes) e a cápsula onde ficou o cosmonauta.
Iuri Gagarin nasceu em uma fazenda coletiva na localidade de Kluchino, distrito de Gjatski (mais tarde batizada de Gagárin, em sua homenagem), numa região a oeste de Moscou, Rússia, parte da então União Soviética.[carece de fontes?] Seus pais, Aleksei Ivanovitch Gagarin e Anna Timofeievna Gagarina, trabalhavam numa kolkhoz (fazenda coletiva). Os trabalhadores manuais eram descritos nos relatórios oficiais como "camponeses", o que indica que isto pode ser uma simplificação no caso de seus pais - a mãe dele teria sido uma leitora voraz, e seu pai um hábil carpinteiro. Gagarin foi o terceiro de quatro filhos e sua irmã mais velha ajudou a criá-lo, enquanto seus pais trabalhavam. Como milhões de pessoas na União Soviética, a família Gagarin sofreu durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Seus dois irmãos mais velhos foram deportados para a Alemanha Nazista em 1943, onde foram empregados como OST-Arbeiter's (escravos) e não voltaram até depois da guerra. Quando jovem, Gagarin passou a interessar-se pelo espaço e planetas, e começou a sonhar com sua ida ao espaço que um dia se tornaria uma realidade. Gagarin foi descrito por seus professores em Liubertsi, cidade-satélite de Moscou, como inteligente e trabalhador, e também amável e brincalhão. Seu professor de matemática e ciência tinha servido na Força Aérea Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, o que provavelmente foi uma substancial influência para o jovem Gagarin.
Após iniciar um curso de moldador em uma escola profissionalizante próxima a Moscou[carece de fontes?] e de iniciar um estágio em uma metalúrgica como fundidor, Gagarin foi selecionado para o ensino secundário técnico em Saratov. Ao mesmo tempo, ele se filiou ao aeroclube local e aprendeu a pilotar aviões leves. Aos poucos, o que era apenas um passatempo assumiu importância crescente. Em 1955, após concluir a sua formação técnica, ele ingressou na Escola de Pilotos de Orenburg, onde recebeu treinamento para voo militar. Lá, ele conheceu Valentina Ivanovna Goryacheva, com quem se casou em 1957, após ganhar suas asas de piloto em um MiG-15. Logo depois de formado, foi enviado à base aérea de Luostari em Oblast de Murmansk, perto da fronteira norueguesa, onde o tempo terrível tornava os voos arriscados. Gagarin tornar-se-ia tenente da Força Aérea Soviética em 5 de novembro de 1957 e em 6 de novembro de 1959 recebeu a patente de tenente sênior.
Em 1960 Gagarin foi um dos 20 pilotos selecionados, após rigorosos testes físicos e psicológicos, para o programa espacial soviético, e acabou por ser escolhido para ser o primeiro a ir ao espaço, pelo seu excelente desempenho no treinamento, sua origem camponesa – que contava pontos no sistema comunista - sua personalidade magnética e esfuziante e, principalmente, devido às suas características físicas – tinha 1,57 m de altura e 69 kg – já que a nave programada para a viagem pioneira em órbita, a espaçonave Vostok (que em russo significa "Oriente"), tinha um espaço mínimo para o piloto.
Minutos antes do embarque na nave Vostok 1, Gagarin proferiu as seguintes palavras:
Com apenas 27 anos, Iuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço, a bordo da nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa em órbita ao redor do planeta. Esteve em órbita durante 106 minutos, a uma altura de 315 km, num voo totalmente automatizado, com uma velocidade aproximada de 28 000 km/h. Pela proeza, recebeu a medalha da Ordem de Lenin.
Às nove horas e sete minutos da manhã (horário de Moscou) do dia 12 de Abril de 1961, a cápsula com o foguete “Soyuz-R-7″ foi lançada de uma plataforma em Baikonur, no Cazaquistão. No espaço, Gagarin teria ainda dito:
Entretanto, o coronel Valentin Petrov afirmou em 2006 que o cosmonauta nunca disse tais palavras, e que a citação se originou do discurso de Nikita Khrushchev no plenário do Comitê Central do PCUS sobre a campanha antirreligiosa do Estado, dizendo que "Gagarin voou para o espaço, mas não viu nenhum deus lá." Como Gagarin era um membro da Igreja Ortodoxa Russa, é bem provável que ele realmente nunca tenha feito tal afirmação. Gherman Titov, ao visitar os Estados Unidos em 1962, disse que "...não vi anjos, nem Deus...", numa frase erroneamente atribuída à Gagarin.
Os cientistas russos calcularam erradamente (por duas vezes) a trajetória de aterrissagem da nave, (como pode ser percebido na imagem que mostra a órbita da espaçonave). Este erro fez com que a cápsula espacial de Gagarin aterrissasse no Cazaquistão, a mais de 320 km do local inicialmente previsto (que era o local de decolagem). Isto fez com que no momento da aterrissagem não estivesse ninguém à sua espera.
Os soviéticos declararam que na aterrissagem, Gagarin estava no interior da cápsula espacial, quando na realidade o astronauta utilizou-se de um pára quedas, saltando 7 quilômetros acima do solo. A União Soviética negou esse fato por anos, com medo de o voo não ser reconhecido pelas entidades internacionais, já que o piloto não acompanhou a espaçonave até o final.
Promovido de tenente a major enquanto ainda estava em órbita, foi com esta patente que a Agência Tass soviética anunciou este espetacular feito ao mundo, que assim tomava conhecimento de que entrava numa nova era, a Era Espacial, a partir daquele momento.
Após o feito, Gagarin tornou-se instantaneamente uma celebridade soviética e mundial e passou a viajar pelo mundo promovendo a tecnologia espacial do seu país, sendo recebido como herói por reis, rainhas, presidentes e multidões por onde passava.
Na América, ele passou por Cuba e pelo Brasil, onde esteve no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Em terras brasileiras, foi recebido e condecorado pelo então presidente Jânio Quadros com a Ordem do Cruzeiro do Sul (concedida a estrangeiros) e chamado de “Embaixador da Paz”. Em entrevista aos jornais brasileiros, Gagarin declarou que “Os brasileiros são muito efusivos nas suas formas de extravasar a alegria.”. Por ter sido metalúrgico, foi recebido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Rio.
Por ter se tornado uma celebridade, foi proibido de voltar ao espaço em agosto de 1967, uma vez que se tornou uma peça importante para a propaganda de seu país e da ideologia socialista, e as autoridades soviéticas tinham receio de colocar sua vida em risco. Não podendo voltar ao espaço, participou ativamente no treino de outros cosmonautas.
Porém, a fama e a popularidade começaram a afetar a personalidade de Gagarin, que se viu bastante afeito à fama, e passou a beber constantemente, tendo mesmo colocado em crise o seu casamento. Há um episódico documentado em que chegou a se ferir num acidente causado pela bebida na Crimeia, em companhia de uma jovem enfermeira, em outubro de 1961. A partir de 1962, ocupou o cargo de deputado no Soviete Supremo da União Soviética até voltar à Cidade das Estrelas, o centro espacial soviético, para trabalhar no design de novas espaçonaves.
Depois de vários anos afastado, dedicado apenas ao programa espacial, Gagarin voltou ao curso de treino de pilotos, para uma requalificação como piloto de caça nos novos MiG da Força Aérea.
"Gagarin era alguém extremamente focado e, quando necessário, muito exigente de si mesmo e dos demais. Por isso acredito que concentrar-se naquele sorriso famoso pode perder totalmente o foco e até diminuir a imagem de quem ele realmente era."
Em 1957, enquanto estava na First Chkalov Air Force Pilot's School in Orenburg, Gagarin conheceu Valentina Ivanovna Goryacheva, uma médica formada na Orenburg Medical School. Eles se casaram em 7 de novembro de 1957, no mesmo dia que Gagarin se formou em Orenburg e tiveram duas filhas. Yelena Yurievna Gagarina, que atualmente é uma historiadora de arte que trabalha como diretora geral dos Museus do Kremlin de Moscovo desde 2001, e Galina Yurievna Gagarina que é professora de economia e presidente da Plekhanov Universidade Russa de Economia em Moscovo.