Neste Dia

Júlio César de Melo e Sousa

Matemático brasileiro

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Júlio César de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido como Malba Tahan, foi um professor, pedagogo, conferencista, matemático e escritor do modernismo brasileiro, e, através de seus romances infanto-juvenis, foi um dos maiores divulgadores da matemática do Brasil. Júlio César viveu quase toda sua infância na cidade paulista de Queluz e, quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa, costumava escrever histórias com personagens de nomes absurdos, e, outros, sem função no contexto.

Seu pai, João de Deus de Mello e Souza, e sua mãe, Carolina de Mello e Souza, ambos professores, tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os quinze filhos do casal, entre eles, João Baptista, também escritor, mas tampouco conhecido quanto Júlio. Durante seu tempo no Colégio Pedro II, no qual estudava, Júlio começou a vender redações para os estudantes por 400 réis cada, dinheiro da época, iniciando seu futuro de escritor. Suas obras focavam no didatismo para ensinar a matemática de uma forma divertida e diferente, fugindo do tradicional modelo que utiliza fórmulas já determinadas. O autor colocava desafios matemáticos nos livros, aguçando a criatividade e incentivando a descoberta. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas/lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo, na qual ficou mais conhecido, de Malba Tahan, ele criou este personagem por acreditar que um escritor brasileiro não chamaria atenção escrevendo contos árabes, e, para dar mais verossimilhança à história, criou também um tradutor para os livros, o Prof. Breno Alencar Bianco. Júlio ocupou a cadeira número 8 da Academia Pernambucana de Letras. Faleceu em 1974, aos 79 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco.

Júlio César viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz. Seu pai, João de Mello e Souza, e sua mãe, Carolina de Mello e Souza, ambos professores, tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os nove filhos do casal. Quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa. Gostava de criar sapos (chegou a ter 50 deles no quintal de sua casa) e já escrevia histórias com personagens de nomes absurdos como Mardukbarian, Protocholóuski ou Orônonsio. e outros sem função no contexto. A infância tranquila em Queluz, as peripécias de Júlio César e suas relações familiares foram mais tarde descritas pelo irmão escritor João Baptista de Mello e Souza, no livro Meninos de Queluz.

Em 1905, aos dez anos, foi enviado pelo pai ao Rio de Janeiro onde deveria se preparar para o Colégio Militar. Ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro em 1906, onde permaneceu até 1909 quando se transferiu para o Colégio Pedro II. Uma de suas lembranças como aluno interno do Colégio Pedro II relacionava-se com as aulas do Professor de Português José Julio da Silva Ramos - membro da Academia Brasileira de Letras. Ele passava redações para os alunos fazerem. Os alunos que não faziam, recebiam zero. Esta nota impedia que eles voltassem para casa no final de semana. Como escrevia bem, Julio Cesar passou a vender redações para os colegas e assim conseguia comprar chocolate, pois o que recebia por semana dava apenas para ele ir e voltar para a casa de uma tia, onde passava os finais de semana.

Em outubro de 1912, conseguiu seu primeiro trabalho formal. Foi nomeado, pelo Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores, Auxiliar da Biblioteca Nacional, tendo assim privilegiada oportunidade de conviver com milhares de livros.

Concluiu o curso normal na então Escola Normal do Distrito Federal atual Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ) e, depois Diplomou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1913.

Admirador de Gustavo Barroso, na década de 30, cerrou fileiras no movimento nacionalista cristão da Ação Integralista Brasileira (AIB), que Barroso fazia parte e era doutrinador. Cumpre salientar que, além disto, Tahan citou diversos autores integralistas em seu livro "A sombra do arco-íris", dentre os quais, podemos destacar Gustavo Barroso (citado mais de vinte vezes ao longo da obra), Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schmidt, Judas Isgorogota, Abgar Renault, Gerardo Mello Mourão, Ribeiro Couto e Plínio Salgado, de quem Júlio César de Mello e Souza transcreveu na íntegra a poesia “Canção das Águias”.

Ao criar seu pseudônimo Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan, ou simplesmente Malba Tahan, Melo e Sousa não queria apenas criar um nome alternativo, mas fazer com que ele parecesse real, como se houvesse realmente existido uma pessoa com esse nome, uma mistificação literária. Ao criar o nome, Tahan passou então a estudar a cultura e a língua árabes durante 7 anos (1918-1925), para que pudesse inventar a biografia de Malba Tahan e para que seus contos árabes fossem convincentes em termos de estilo, linguagem e ambientação. No primeiro livro escrito como Malba Tahan, "Contos de Malba Tahan", logo na primeira página, aparece a ilustração de um árabe (de turbante e longas barbas brancas) escrevendo. Assim, durante muitos anos o público acreditou que Malba Tahan fosse esse árabe de longas barbas brancas e turbante. Julio Cesar e Malba Tahan passaram a ser então duas pessoas diferentes, havendo aí uma fusão entre o real e o fictício. Para dar mais verossimilhança à história criou também um tradutor para os livros, o professor Breno Alencar Bianco.

Malba Tahan significa “O Moleiro de Malba”, sendo Malba a denominação de um povoado ao sul da Arábia, e “Tahan” significa moleiro, aquele que prepara o trigo. A palavra Tahan foi tirada do sobrenome de uma de suas alunas (Maria Zachsuk Tahan).

Em fevereiro de 1953, Felisbello Beletti, então diretor do Instituto de Identificação Félix Pacheco, emitiu portaria permitindo a inclusão nas carteiras de Identidade de pseudônimos de natureza literária, artística, jornalística, eclesiástica ou comercial. Júlio César foi uma das primeiras personalidades a aderir ao modelo. Em 1958, ele reconheceu o Instituto como uma exceção à Administração Pública por lhe reconhecer o o direito de uso do nome Malba Tahan.

Em entrevista concedida a Silveira Peixoto e a Monteiro Lobato e descrita no Terceiro Volume da obra “Falam os Escritores” em 1941, Mello e Souza narra o nascimento de Malba Tahan:

Malba Tahan é um “famoso escritor árabe”, que nasceu na Península Arábica, em uma aldeia conhecida como Muzalit, próxima do centro islâmico dos muçulmanos, a cidade de Meca, em 6 de maio de 1885.

Ainda muito jovem, ele foi convidado pelo emir Abd el-Azziz ben Ibrahim a ocupar o posto de queimaçã, ou seja, prefeito, de Deir el-Medina, município da Arábia. Exerceu seu cargo, ou melhor, suas funções administrativas com inteligência e habilidade. Conseguiu também poupar incidentes entre peregrinos e autoridades locais e buscou dar amparo aos estrangeiros que visitavam os lugares sagrados do Islã.

Malba seguiu seus estudos por Cairo (Egito) e Istambul (Turquia) até receber uma vultosa herança de seu pai e resolver viajar pelo mundo, passando pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil.Em 1921 na Arábia Central, lutou pela liberdade de uma minoria da região da Arábia Central.

Júlio César de Mello e Souza começou a ministrar aulas em 1913. Em 1914 sua família mudou-se para o Rio de Janeiro devido à morte de seu pai (1911). Assim, sua mãe poderia acompanhar os estudos de seus filhos menores. Na oportunidade, Carolina de Mello e Souza, fundou um externato em Copacabana, para prover a subsistência de seus filhos. Lá Julio Cesar e seus irmãos trabalharam como professores. Enquanto estudava no curso superior de Engenharia Civil e dava aulas na escola de sua mãe, Julio Cesar era aluno do curso noturno da Escola Normal do Distrito Federal, atual Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ)

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