Júlio Martins Resende da Silva Dias OSE • ComSE • GCIH (Porto, 23 de Outubro de 1917 – Valbom, Gondomar, Portugal, 21 de Setembro de 2011) foi um pintor português.
Nasceu no número 14 da Rua Ator João Guedes (antiga Travessa de Sá de Noronha), no Porto, juntamente com o seu irmão, o maestro Resende Dias.
Diplomou-se em Pintura em 1945 pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde foi discípulo de Dórdio Gomes. Fez a sua primeira aparição pública em 1944 na I Exposição dos Independentes. Em 1948 partiu para Paris, recebendo formação de Duco de la Haix e de Otto Friez. O trabalho produzido em terras gaulesas é exposto em Portugal em 1949 e as propostas actualizadas que Resende demonstra são acusadas pelos artistas portugueses, definindo a sua vocação de expressionista. Assimilou algum cubismo, vai construir na sua fase alentejana, e mais tarde no Porto, uma pintura caracterizada pela plasticidade e dinâmica, de malhas triangulares ou quadrangulares, aproximando-se de forma progressiva da não figuração. Do geometrismo ao não figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolve-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante será sempre expressionista e lírica. Pintor de transição entre o figurativo e o abstracto, Resende distingue-se também como professor, trazendo à escola do Porto um novo espírito aos alunos que a frequentaram na década de 1960.
A obra pictórica de Júlio Resende revela que ele compreendeu a pintura europeia, porque a observou, experimentou e soube transmitir aos pintores e aos alunos que ele formou na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
Cavaco Silva referiu-se a ele como "grande Mestre da Arte Portuguesa do último século".
Morreu no dia 21 de Setembro de 2011 aos 93 anos.
Pentecostes (1955) [pintura a fresco, altar-mor da Igreja da Nossa Senhora da Boa Esperança, Canaviais, Évora]
Vitral da Igreja do Mosteiro de São Salvador de Grijó, Vila Nova de Gaia (1998)
Júlio Resende, devido à sua vasta obra, foi agraciado com vários prémios, entre os quais:
2.º prémio de Pintura da Fundação Calouste Gulbenkian (1957);
Prémio "Columbano" da Câmara Municipal de Almada (1958);
Menção Honrosa na 5ª Bienal de S. Paulo (1959);
Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas Artes.
Primeiro lugar no Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique (com o projecto Mar Novo).
Medalha de prata na Exposição Internacional de Bruxelas.
1.º Prémio de Artes Gráficas na X Bienal de S. Paulo e Ordem de Mérito Civil do Rei de Espanha (1981).
Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (6 de Junho de 1973)
Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (22 de Abril de 1980)