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Jürgen Habermas

Sociólogo e filósofo alemão (1929–2026)

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Jürgen Habermas (Düsseldorf, 18 de junho de 1929 – Starnberg, 14 de março de 2026) foi um filósofo e sociólogo alemão, participante da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias sobre a racionalidade comunicativa e a esfera pública, sendo considerado um dos mais importantes intelectuais contemporâneos.

Associado à Escola de Frankfurt, tendo sido assistente de Theodor Adorno, cooperou com este na crítica ao positivismo lógico, especialmente à influência deste na sociologia. Desenvolveu sua teoria dos interesses cognitivos, em sintonia com o pensamento de Herbert Marcuse, especialmente em relação ao interesse emancipatório. Desde o início, sua obra transitou em torno da categoria da interação.

O trabalho de Habermas trata dos fundamentos da teoria social e da epistemologia, da análise da democracia nas sociedades sob o capitalismo avançado, do Estado de direito em um contexto de evolução social (no qual a racionalização do mundo da vida ocorre mediante uma progressiva libertação do potencial de racionalidade contido na ação comunicativa, de modo que a ação orientada para o entendimento mútuo ganha cada vez mais independência dos contextos normativos) e da política contemporânea, particularmente na Alemanha.

Em seu sistema teórico, nomeadamente quando desenvolve o conceito de democracia deliberativa, indica as possibilidades da razão, da emancipação e da comunicação racional-crítica, latentes nas instituições modernas e na capacidade humana de deliberar e agir em função de interesses racionais. Habermas é também conhecido por seu trabalho sobre a modernidade e, particularmente, sobre a racionalização, nos termos originalmente propostos por Max Weber. O pensamento de Habermas também foi influenciado pelo pragmatismo americano, pela teoria da ação e mesmo pelo pós-estruturalismo. Seus trabalhos têm sido estudados, debatidos e aplicados em vários campos do conhecimento, desde as Ciências da Comunicação ao Jornalismo, da Sociologia à Ciência Política, da Filosofia da Linguagem ao Direito, com enormes contribuições no que tange especialmente ao giro no sentido da concepção de democracia deliberativa.

Licenciou-se em 1954 na Universidade de Bonn, com tese sobre Schelling, intitulada "O Absoluto e a História". Atuou como pesquisador no Instituto Max Planck. De 1956 a 1959, foi assistente de Theodor Adorno no Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt. No início dos anos 1960, realizou uma pesquisa empírica sobre a participação estudantil na política alemã, intitulada "Estudante e Política" (Student und Politik).

Em 1968, transferiu-se para Nova Iorque, passando a lecionar na New School for Social Research de Nova Iorque. A partir de 1971, dirigiu o Instituto Max Planck, em Starnberg, na Baviera. Em 1983, transferiu-se para a Universidade Johann Wolfgang von Goethe, de Frankfurt, onde permaneceu até se aposentar, em 1994. Continuou, no entanto, muito profícuo, publicando novos trabalhos a cada ano e frequentemente participando de debates e atuando em jornais, como cronista político. Dedicou-se ardorosamente à reflexão sobre o cosmopolitismo político, em especial em função da União Europeia.

Em geral, é considerado o principal herdeiro das discussões da Escola de Frankfurt, uma das principais correntes da teoria crítica. Habermas procurou, no entanto, superar o pessimismo dos fundadores da Escola quanto às possibilidades de realização do projeto moderno, tal como formulado pelos iluministas, como foi, em especial, criticado por Adorno e Horkheimer em "Dialética do Esclarecimento". Profundamente marcados pelo desastre da Segunda Guerra Mundial, Adorno e Horkheimer consideravam que existia um vínculo primordial entre conhecimento, racionalidade e dominação, o que teria determinado a falência dos ideais modernos de emancipação social.

Suas investigações ultrapassam as fronteiras alemãs com as discussões sobre a esfera pública. Habermas advoga, na obra "Mudanças Estruturais da Esfera Pública", que a opinião pública burguesa é influenciada pela mídia, porém é fundamental para a participação crítica dos cidadãos nas democracias modernas. Desenvolve, após essa reflexão, uma análise dos limites dos sistemas de legitimação do capitalismo avançado, na obra "Crise de Legitimação do Capitalismo Tardio", na qual empreende diálogo com a teoria de Claus Offe.

Suas investigações epistemológicas, em dissonância com o positivismo lógico, levam-no a elaborar o conceito de interesses epistemológicos, nomológicos, práticos e emancipatórios, dentre os quais o último é de especial interesse para seus desenvolvimentos teóricos posteriores. Desenvolve essa pesquisa, sobretudo, na obra "Conhecimento e Interesse". Para recolocar o potencial emancipatório da razão, Habermas adota a pragmática da linguagem, em diálogo com a virada linguística da filosofia analítica anglo-saxã. Desenvolve o conceito de competência comunicativa, em diálogo com Noam Chomsky e John Austin, dentre outros filósofos. Disso decorrerá, em sua obra-prima "A teoria do agir comunicativo", o conceito de agir comunicativo. Habermas desenvolveu a teoria da ação comunicativa a partir de seu diálogo constante com autores de uma ampla gama de linhas teóricas. Ele incorporou uma série de temas e contribuições que foram desenvolvidos pelo funcionalismo, pela fenomenologia, pelo marxismo e pela própria teoria crítica da Escola de Frankfurt, sua matriz original. Mesmo tendo essa teoria um acentuado caráter interparadigmático, fica clara a autenticidade do pensamento de Habermas, que contribuiu para a análise das teorias da comunicação mediante um processo rico de incorporação e superação.

Jürgen Habermas busca entender como a dominação do homem sobre a natureza converte-se em dominação do homem sobre o homem, em um mundo administrado em nome da técnica, abrindo espaço para a eclosão da des-razão no seio da sociedade de consumo moldada pela indústria cultural.

Habermas percebe que os impasses criados pelas teorias de Marx, Weber, Adorno e Horkheimer surgem pela forma como esses autores estruturaram seu conceito de razão. Ele afirma que esses autores confundiram o processo de modernização capitalista, calcado na razão instrumental, com a própria racionalização societária.

Apresentando uma saída para esse impasse teórico, Habermas propõe uma mudança paradigmática. Ele propõe que abandonemos o paradigma da consciência proposto por Weber, Adorno e Horkheimer, em favor do paradigma da comunicação. As ideias pragmatistas estadunidenses, especialmente de George Herbert Mead, corroboram o desenvolvimento da teoria do agir comunicativo. Para Mead, a comunicação é elemento anterior e fundamental para a vida social e para a formação de um "eu", e Habermas afirma que ele foi o primeiro a pensar de modo considerável acerca de um modelo de individuação criado socialmente. Habermas faz algumas complementações, como a separação das estruturas sociais entre o mundo da vida e sistema. De acordo com Habermas, não há exclusivamente um mundo da vida baseado em trocas comunicativas.

Após a discussão sobre ação comunicativa e seus efeitos normativos, ele desenvolve investigações sobre o caráter ético embutido na comunicação. Essa nova investigação o leva a construir, juntamente com Karl Otto Apel, a ética do discurso, porém apresenta alguns pontos de divergência em relação a este. A teoria ética o leva a discussões sobre o caráter político-democrático como elemento de controle social nas sociedades do capitalismo tardio, levando-o à elaboração de uma análise política da democracia e do Estado de direito, com a formulação da teoria da democracia deliberativa.

Na obra "Teoria do Agir Comunicativo", Habermas desenvolve uma teoria explicativa da sociedade contemporânea, suas inter-relações sistêmicas e os processos de socialização. Assim, Habermas concebe a razão comunicativa e a ação comunicativa, ou seja, a comunicação livre, racional e crítica, como alternativa à razão instrumental e superação da razão iluminista - "aprisionada" pela lógica instrumental, que encobre a dominação. Ao pretender a recuperação do conteúdo emancipatório do projeto moderno, no fundo, Habermas está preocupado com o restabelecimento dos vínculos entre socialismo e democracia.

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