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Jacó Armínio

Jacó (português brasileiro) ou Jacob (português europeu) Armínio (em latim: Jacobus Arminius, nome latinizado de Jakob H

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Jacó (português brasileiro) ou Jacob (português europeu) Armínio (em latim: Jacobus Arminius, nome latinizado de Jakob Hermanszoon; Oudewater, 10 de outubro de 1560 – Leiden, 19 de outubro de 1609) foi um teólogo, pastor e professor neerlandês da época da reforma protestante. Sua visão soteriológica tornou-se a base do Arminianismo e do movimento neerlandês Remonstrante.

Armínio nasceu na pequena cidade de Oudewater, no sul da Holanda espanhola. Tendo recebido a educação primária em sua terra natal, continuou a estudar teologia nas universidades de Marburgo, Leiden, Genebra e Basileia. Em Genebra, o professor de Armínio foi o famoso teólogo protestante Teodoro de Beza, discípulo de João Calvino. As excelentes recomendações recebidas de Beza permitiram que Armínio obtivesse o cargo de pastor em Amsterdã em 1588.

Em 1603 aceitou uma oferta para assumir o cargo de professor na Universidade de Leiden. O principal oponente de Armínio em Leiden foi Franciscus Gomarus, um defensor da doutrina reformada da eleição incondicional. Acreditando que Armínio fosse um defensor da doutrina do livre arbítrio e da participação ativa do homem na questão da sua salvação, Gomarus acusou-o da heresia do pelagianismo e do semipelagianismo. O conflito entre ambos foi repetidamente objeto de debates diante das autoridades civis da república, e Armínio apresentou a sua obra mais famosa, “Declaração de Sentimentos”, em 30 de Outubro de 1608, no seu discurso aos Estados Gerais. O teólogo morreu em meio a polêmicas a respeito de seus ensinamentos, e seus seguidores, chamados de Remonstrantes, tomaram forma após sua morte.

As numerosas obras de Armínio são predominantemente de natureza polêmica. Armínio não teve tempo de escrever uma obra na qual resumisse todos os seus pontos de vista. As tentativas de reconstruir seu sistema teológico são objeto de numerosos estudos. De acordo com o consenso científico moderno, ideologicamente Armínio estava significativamente mais próximo dos seus escolásticos reformados contemporâneos do que dos arminianos do século XVII.

No sistema de Armínio, Deus, sendo pura ação, deseja o bem e, em sua sabedoria, deseja a existência de criaturas livres que o conheceriam em sua bondade. Para o bem de suas criaturas, Deus criou um mundo no qual é possível voltar-se livre e justamente para ele, adorá-lo, regozijar-se, glorificá-lo e amá-lo. No entendimento de Armínio, a liberdade da ação humana é assegurada pela incerteza das ações contingentes do ponto de vista das decisões tomadas por Deus antes do início dos tempos. Como consequência, uma pessoa pode resistir à operação da graça, que, segundo Armínio, demonstra a justiça divina e não faz de Deus o autor do pecado.

Após a sua morte, a sua objeção ao padrão reformado, a Confissão de Fé Belga, provocou uma ampla discussão no Sínodo de Dort, resultando nos cinco pontos do calvinismo em resposta aos ensinamentos de Armínio.

Armínio, que nasceu em Oudewater, Utrecht, ficou órfão enquanto ainda era jovem. Seu pai Herman (o nome Arminius representa a forma latinizada de Hermanszoon, "filho de Herman") morreu, deixando a sua mulher viúva com crianças pequenas.

O pastor Theodorus Aemilius adotou então Jacó por volta do ano de 1572, e o pôs na escola de Utrecht. Contudo, esse pastor veio a falecer em 1574, e outro nativo de Oudewater, Rudolph Snellius, levou-o a estudar em Marburgo, onde Snellius era professor. A família de Armínio morreu durante o massacre espanhol de Oudewater em 1575. Em 1576, Armínio retornou à Holanda e continuou seus estudos de teologia na então recém-fundada Universidade de Leiden, onde permaneceu até 1582.

Armínio permaneceu estudando em Leiden de 1576 a 1582. Entre seus professores de teologia estavam homens como o calvinista Lambertus Danaeus, o hebraísta Johannes Drusius, Guillaume Feuguereius, e Johann Kolmann. Kolmann acreditava e ensinava que o alto calvinismo tornava Deus um tirano e carrasco. Embora a Universidade em Leiden fosse reformada, ela tinha influências de visões luteranas, zwinglianas e anabatistas. Caspar Coolhaes, um dos pastores de Leiden, afirmava, de maneira contrária a Calvino, que as autoridades civis não têm jurisdição em alguns assuntos eclesiásticos, que era errado punir e executar hereges, e que os luteranos, calvinistas, e anabatistas poderiam unir em torno de princípios fundamentais. O astrônomo e matemático Willebrord Snellius usou a filosofia ramista numa tentativa para incentivar os seus alunos a buscar a verdade, sem excesso de dependência de Aristóteles. Sob a influência desses homens, Armínio estudou com dedicação e plantou sementes que começariam a se desenvolver em uma teologia que posteriormente competiria com a dominante teologia reformada de João Calvino. O sucesso que ele mostrou em seus estudos motivou o sindicato dos mercadores de Amsterdã a financiar os próximos três anos de seus estudos.

Em 1582, Armínio começou a estudar com Teodoro de Beza em Genebra. Ele se viu em apuros após usar técnicas ramistas familiares a ele. Armínio foi proibido de ensinar publicamente a filosofia ramista. Após está difícil situação, ele se mudou para Basileia para continuar seus estudos. Ele continuou a se distinguir como um excelente estudante. Em 1583 quando Armínio estava prestes a retornar à Genebra, a faculdade de teologia da Basileia espontaneamente lhe ofereceu um doutorado. Ele se recusou a receber esta honra por causa de sua juventude (ele tinha cerca de 24 anos de idade) e voltou para a escola em Genebra a fim de terminar a sua formação sob Beza.

Recomendações de Beza e Grynaeus

Após a conclusão dos estudos de Armínio e um pedido para que ele fosse pastor em Amsterdã, Teodoro de Beza respondeu aos líderes em Amsterdã com a seguinte carta:

Por meio desta carta, parece que a tensão anterior devido à atração de Armínio pela filosofia ramista havia se dissipado e Armínio era conhecido até mesmo por Beza como um excelente teólogo em desenvolvimento. Três meses depois, Johann Jakob Grynaeus, da Universidade de Basileia, enviou esta carta de recomendação:

Armínio respondeu ao chamado de pastor em Amsterdã, em 1587, pregando aos domingos e no meio da semana. Depois de ser testado pelos líderes da igreja, foi ordenado em 1588. Nessa condição, ganhou reputação como um bom pregador e fiel pastor.

Em 1590 ele se casou com Lijsbet Reael, filha de Laurens Jacobsz Reael, um proeminente mercador e poeta de Amsterdã que ajudou a estabelecer a Igreja Reformada na região. Ele também foi contratado para organizar o sistema educacional de Amsterdã. Distinguiu-se grandemente pela fidelidade aos seus deveres, em 1602, durante uma praga que varreu por Amsterdã, entrou em casas infectadas que os outros não se atreveriam a entrar, a fim de dar água aquelas famílias, e supriu os seus vizinhos com os fundos para cuidar deles.

Em Amsterdã, Armínio ensinou, através de "uma série de sermões sobre a epístola de Romanos", em 1591, ao discutir Romanos 7, que o homem, pela graça e novo-nascimento, não tem que viver na escravidão do pecado, e que Romanos 7.14 estava falando de um homem que vive sob a lei, sendo convencido do pecado pelo Espírito Santo, mas ainda não regenerado. Isso foi recebido com alguma resistência, e alguns detratores rotularam-no de pelagiano por ensinar que um homem não regenerado podia sentir convicção e desejo de salvação, mesmo com a influência da Lei e do Espírito Santo. No mesmo ano, o seu colega Petrus Plancius, respondendo ao desenvolvimento teológico de Armínio, começou a disputar abertamente contra ele. Durante uma reunião de ministros, Armínio insistiu que não estava ensinando qualquer coisa contrária a Confissão de Heidelberg e outras normas da ortodoxia, que os teólogos da Igreja primitiva tinham opiniões semelhantes às suas, e que ele repudiava veementemente a heresia pelagiana. Além disso, Armínio manifestou alguma surpresa por não lhe ser permitido interpretar esta passagem de acordo com os ditames de sua própria consciência e dentro do padrão da ortodoxia histórica. Os burgomestres de Amsterdã intervieram, num esforço para manter a paz e conter as divisões na população, instando-os a coexistir pacificamente e que Armínio não ensinasse nada em desacordo com o pensamento reformado acordado naquele momento, a menos que consultasse o concílio da Igreja ou outros organismos.

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