Jacob Isaackszoon van Ruisdael (Haarlem, c. 1628 ou 1629 – Amsterdã, 10 de março de 1682) foi um pintor holandês, considerado um dos grandes expoentes da pintura de paisagem durante a Idade de Ouro Holandesa, um período de grande riqueza e realizações culturais em que pinturas dos Países Baixos se tornaram muito populares.
Ruisdael era prolífico e versátil, tendo representado uma grande variedade de paisagens em suas obras. Começando em 1646, ele pintou campos holandeses com uma qualidade admirável para um jovem. Ele viajou para terras germânicas em 1650 e suas pinturas assumiram características mais heroicas. Seus trabalhos finais foram produzidos enquanto vivia e trabalhava em Amsterdã, adicionando panoramas urbanos e marítimos ao seu repertório tradicional. Nesses trabalhos o céu frequentemente tomava dois terços da tela, com cachoeiras também sendo um item comum.
O único aprendiz documentado de Ruisdael foi Meindert Hobbema, com o trabalho do segundo muitas vezes sendo confundido com o do primeiro. Historiadores da arte têm grandes dificuldades em determinar a autoria de muitas das obras de Ruisdael, algo que é piorado pelo fato dele possuir outros três parentes próximos que também pintavam paisagens: seu pai, Isaack van Ruisdael, seu tio, Salomon van Ruysdael, e seu primo, também chamado Jacob van Ruysdael.
Seu trabalho estava sob muita demanda nos Países Baixos durante sua vida. Atualmente, suas obras estão espalhadas em coleções particulares e institucionais por todo o mundo, com as maiores estando na Galeria Nacional em Londres, no Museu Nacional em Amsterdã e no Hermitage em São Petersburgo. Ruisdael foi de enorme influência na formação da pintura de paisagem mundial, desde o romantismo inglês até a Escola de Barbizon francesa e a Escola do Rio Hudson norte-americana.
Jacob Isaackszoon van Ruisdael nasceu na cidade de Haarlem, República dos Países Baixos, em 1628 ou 1629 dentro de uma família de pintores, todos paisagistas. O número de pintores na família e as múltiplas grafias do nome Ruisdael tem dificultado as tentativas de documentar sua vida e determinar a autoria de seus trabalhos.
O nome Ruisdael está ligado a um castelo, hoje perdido, originalmente localizado no vilarejo de Blaricum. A pequena cidade era a casa de Jacob de Goyer, um fabricante de móveis e o avô de Ruisdael. Três dos filhos de Goyer mudaram seu sobrenome para Ruysdael ou Ruisdael quando a família mudou-se para Naarden, com o objetivo de possivelmente indicar sua origem. Dois dos filhos de Goyer tornaram-se pintores: Isaack van Ruisdael e Salomon van Ruysdael, respectivamente o pai e o tio de Jacob van Ruisdael. Jacob sempre escreveu seu nome com um "i", enquanto seu primo Jacob Salomonsz van Ruysdael, outro artista de paisagens e filho de Salomon, sempre grafou seu nome com "y". Arnold Houbraken, o biógrafo mais antigo de Ruisdael, lhe chamava de Jakob Ruisdaal e afirmou que o nome vinha de sua especialidade em pintar cachoeiras, isto é o "ruis" (ruído da água) caindo em um "daal" (vale) que espuma para uma lagoa ou um rio.
Não se sabe se a mãe de Ruisdael foi a primeira esposa de Isaack van Ruisdael, cujo nome é desconhecido, ou sua segunda esposa Maycken Cornelisdochter. Isaack e Maychen se casaram em 12 de novembro de 1628. Também não se sabe quem foi seu professor de pintura. É frequentemente presumido que Ruisdael estudou com seu pai e tio, porém não existem evidências documentais sobre isso. Ele aparentemente também foi muito influenciado por paisagistas contemporâneos locais de Haarlem, mais notavelmente Cornelis Vroom e Allaert van Everdingen.
A data mais antiga que aparece nas pinturas e água-fortes de Ruisdael é 1646. Ele foi aceito dois anos mais tarde como um membro da Guilda de São Lucas de Haarlem. Nessa época as pinturas de paisagens eram tão populares nas casas holandesas quanto pinturas históricas, porém na época do nascimento de Ruisdael as pinturas históricas apareciam com mais frequência. O crescimento da popularidade das pinturas de paisagens ocorreu ao longo de sua carreira.
Ruisdael mudou-se para Amsterdã por volta de 1657, então uma cidade próspera que provavelmente ofereceria um mercado muito maior por seu trabalho. Everdingen, seu colega pintor de Haarlem, já tinha se mudado para lá e encontrado um bom mercado. Ruisdael viveu e trabalhou na cidade pelo restante de sua vida. Seu nome aparece em 1668 como uma testemunha no casamento de Meindert Hobbema, seu único aluno registrado, um pintor cujos trabalhos já foram confundidos com os de Ruisdael.
Ele aparentemente viajou relativamente pouco para um artista de paisagens: para Blaricum, Egmond aan Zee e Rhenen na década de 1640, para Bentheim e Steinfurt além da fronteira do Sacro Império Romano-Germânico junto com Nicolaes Berchem em 1650 e possivelmente para a fronteira germânica uma segunda vez em 1661 com Hobbema, passando no caminho por Veluwe, Deventer e Ootmarsum. Apesar das inúmeras paisagens norueguesas, não há registros de Ruisdael ter viajado para a Escandinávia.
Há algumas especulações que Ruisdael também foi um médico. Houbraken relata em 1718 que o pintor estudou medicina e realizou cirurgias em Amsterdã. Registros do século XVII mostram o nome "Jacobus Ruijsdael" em uma lista de doutores da cidade, porém riscado, com a nota de que ele ganhou seu certificado médico em 15 de outubro de 1676 em Caen, França. Vários historiadores especularam que este foi um caso de confusão de identidades. Pieter Scheltema sugere que na verdade o primo de Ruisdael era quem aparece no documento. Seymour Slive defende que a grafia com "uij" não é consistente com a maneira que Ruisdael escrevia seu nome, que sua produção artística incomumente alta sugere que ele tinha pouco tempo livre para estudar medicina e que não existem indícios em qualquer uma de suas obras que Ruisdael visitou a França. Entretanto, Slive ainda assim está disposto a aceitar que que o pintor possa ter sido médico. Jan Paul Hinrichs afirmou que as evidências sobre a questão são inconclusivas.
Ruisdael não era judeu. Slive conta que frequentemente houve especulações de que o pintor certamente deveria ter sido um judeu devido aos vários nomes bíblicos dentro da família e pelo fato de Ruisdael ter retratado diversos cemitérios judeus em suas obras. Entretanto, as evidências mostram exatamente o contrário. Ele pediu para que fosse batizado em Amsterdã na calvinista Igreja Reformada Holandesa e foi enterrado na protestante Igreja de São Bavão em Haarlem. Seu tio Salomon pertencia ao subgrupo Jovens Flamencos da congregação Menonita, um dos vários tipos de anabatistas existentes em Haarlem, sendo provável que o pai de Ruisdael também fosse um membro. Seu primo Jacob Salomonszoon era registrado em Amsterdã como um menonita.
Ruisdael nunca se casou. De acordo com Houbraken, isso se deu "para reservar tempo a fim de servir seu pai idoso". Não se sabe como era sua aparência, já que não existe nenhum retrato ou auto-retrato. Ele morreu em Amsterdã no dia 10 de março de 1682, sendo enterrado quatro dias depois na Igreja de São Bavão em Haarlem.
O historiador Hendrik Frederik Wijnman refutou o mito de que Ruisdael morreu pobre em um asilo de idosos indigentes em Haarlem. Wijnman mostrou que a pessoa que morreu naquele local foi na verdade Jacob Salomonszoon, primo de Ruisdael. Apesar de não existirem registros do pintor ter sido dono de terras ou ações, ele aparentemente viveu de maneira confortável mesmo depois da crise econômica causada pelo "ano do desastre" de 1672. Suas pinturas tinham um valor bem alto. Uma grande amostra de inventários realizados entre 1650 e 1679 indicam que o preço médio de um quadro de Ruisdael era de quarenta florins, comparados à média de dezenove florins para todas as outras pinturas. Ele ficava em sétimo lugar em uma classificação de pintores contemporâneos holandeses baseada na frequência ponderada dos preços nesses inventários.
Os trabalhos de Ruisdael desde por volta de 1646 até o início da década de 1650, período em que viveu em Haarlem, é caracterizado por motivos condutores simples e um estudo cuidadoso e trabalhoso sobre a natureza: dunas, árvores e efeitos atmosféricos. Ele deu à suas folhagens uma qualidade mais rica ao aplicar uma pintura mais pesada do que seus predecessores, transmitindo uma sensação de seiva escorrendo pelos galhos e folhas. Sua representação precisa das árvores era sem precedentes na época: os gêneros de suas árvores foram os primeiros a serem reconhecidos inequivocamente por botânicos modernos. Seus primeiros esboços apresentaram temas que retornariam em todas as suas obras: um sentimento de amplitude e luminosidade, além de uma atmosfera arejada alcançada através de toques de giz quase como no pontilhismo. A maioria de seus trinta esboços feitos com giz preto que sobreviveram ao tempo datam desse período inicial.