Jaime Francisco Eduardo Stuart (Londres, 10 de junho de 1688 – Roma, 1 de janeiro de 1766), também conhecido como o Velho Pretendente e o Rei da Água pelos jacobitas, foi o herdeiro Stuart aos tronos da Inglaterra, Reino da Escócia e Irlanda do seu nascimento em 1701 até a anulação de todos os seus títulos pelo parlamento em 1702.
Filho mais velho sobrevivente e herdeiro do rei Jaime II de Inglaterra e de sua segunda esposa, Maria de Módena, seu pai, um católico fervoroso, foi deposto e exilado na Revolução Gloriosa de 1688. Sua meia-irmã protestante, Maria II, e seu marido, Guilherme III, tornaram-se co-monarcas.
Jaime cresceu principalmente na França e na Itália e era conhecido como o Cavaleiro de São Jorge. Após a morte de seu pai em setembro de 1701, Jaime, com o apoio de seus seguidores jacobitas e de seu primo, o rei Luís XIV de França, reivindicou os tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda, com os nomes de Jaime III da Inglaterra e Irlanda e VIII da Escócia. Em 1708, como parte da Guerra da Sucessão Espanhola, o rei Luís XIV apoiou um desembarque na Escócia em seu nome, mas a tentativa de insurreição falhou. Outras revoltas jacobitas, uma em 1715 e outra em 1719, também falharam, após o que ele viveu discretamente em Roma. A Rebelião jacobita de 1745, liderada por seu filho mais velho, Carlos, foi a última tentativa de restaurar a dinastia Stuart, mas essa tentativa também não logrou êxito.
Jaime morreu em Roma em 1 de janeiro de 1766, aos 77 anos, e foi sucedido por seu filho Carlos, conhecido como Bonnie Prince Charlie.
Jaime Francisco Eduardo Stuart nasceu em 10 de junho de 1688 no Palácio de St. James, o filho mais velho sobrevivente, único varão, de Jaime II da Inglaterra e sua segunda esposa, Maria de Módena, ambos católicos. Como o filho mais velho vivo de um monarca reinante, ele foi automaticamente intitulado Duque da Cornualha e Duque de Rothesay ao nascer, e foi apontado como Príncipe de Gales em julho de 1688.
Seu nascimento foi inesperado, cinco anos após a décima e anterior gravidez de sua mãe, depois que nenhum de seus filhos sobreviveu mais do que alguns dias. O nascimento desencadeou uma nova controvérsia religiosa, já que o filho recém-nascido seria criado como católico. Rumores maliciosos circularam entre os anglicanos de que a criança nasceu morta e que o suposto novo príncipe era um impostor contrabandeado para a sala de parto real em uma panela de aquecer cama (escalfeta). Os protestantes suspeitavam que todos os presentes no nascimento eram católicos, apesar do testemunho de Lady Bellasis, uma protestante, de que ela viu a criança sendo tirada da cama com o cordão umbilical pendurado na barriga. Outro boato era que Jaime II não era o pai; ele teria contraído uma doença venérea anos antes e se tornado impotente. Para reprimir esses rumores, Jaime publicou os depoimentos de mais de 70 testemunhas oculares.
A linha de sucessão ao trono estava em questão. As filhas legítimas do primeiro casamento de Jaime II, Maria e Ana, foram criadas como protestantes e os britânicos (majoritariamente protestantes) esperavam que Maria sucedesse o pai católico. Essa possibilidade deu aos protestantes alguma satisfação durante o seu inconveniente reinado. Agora, com o direito de Maria ou Ana de herdar o trono em dúvida, o descontentamento cresceu, e as ações de Jaime II irritaram os anglicanos conservadores que antes tendiam a respeitá-lo como monarca, mesmo quando discordavam por motivos religiosos. Esse movimento levaria à Revolução Gloriosa; Guilherme de Orange, marido de Maria, desembarcou na Inglaterra com o apoio de exilados ingleses e escoceses, além de soldados holandeses. A maior parte do exército inglês desertou rapidamente para apoiar Guilherme, fazendo com que Jaime II e sua família fugissem em vez de ficar e lutar.
Em 9 de dezembro de 1692, Maria de Módena, disfarçada de lavadeira, fugiu para a França com o bebê Jaime. O jovem Jaime foi criado no Castelo de Saint-Germain-en-Laye, que Luís XIV havia dado ao exilado Jaime II. O antigo rei e sua família foram admitidos aos cuidados de seu primo, o rei da França, com grande consideração, e frequentemente visitavam Versalhes, onde Luís XIV e sua corte os tratavam como se fossem o monarca reinante. Em junho de 1692, nasceu a irmã de Jaime, Luísa Maria. Em 1692, Jaime foi condecorado com a Ordem da Jarreteira.
Posteriormente, ele recebeu educação militar supervisionada por Richard Hamilton e Dominic Shelton , ambos veteranos do Exército Irlandês.
Em 1701, após a morte de seu pai, Jaime foi proclamado pelo rei francês Luís XIV como o legítimo rei, embora Luís XIV tivesse reconhecido a legalidade de Guilherme III no Tratado de Ryswick, em 1697. A Espanha, os Estados Papais e Módena também o reconheceram como Jaime III da Inglaterra e da Irlanda e VIII da Escócia, recusando-se a reconhecer os monarcas em exercício, Maria II e Guilherme III. Por reivindicar o trono perdido por seu pai, em 3 de fevereiro de 1702, Jaime foi privado de sua cidadania pelo parlamento, sob acusação de traição, e todos os seus títulos nobiliárquicos foram legalmente anulados.
Apesar de um atraso causado pelo sarampo, Jaime ainda tentou invadir a Grã-Bretanha (uma das rebeliões dos levantes jacobitas) e, em 23 de março de 1708, tentou desembarcar na Baía de Forth, na Escócia. No entanto, a frota francesa foi interceptada pela frota do almirante Sir George Byng, e, somado ao mau tempo, ele não conseguiu desembarcar.
Assim como seu pai durante o interregno, Jaime também serviu como voluntário no exército francês. Entre agosto e setembro de 1710, a rainha Ana nomeou um novo governo conservador liderado por Robert Harley, que secretamente entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores francês, o Marquês de Torcy (sobrinho do célebre estadista Colbert), expressando o desejo de ver Jaime no trono, sob a condição de que ele se convertesse ao protestantismo. Contudo, um ano depois, como parte de um acordo com a França, o governo britânico exigiu a expulsão de Jaime da França. Pelo Tratado de Utrecht (1713), Harley e o Secretário de Estado, Lorde Bolingbroke, conspiraram com a França para exilar Jaime no Ducado de Lorena, para que a França pudesse, eventualmente, ajudar a restaurá-lo ao trono.
Em abril de 1712, Jaime e sua irmã, Luísa Maria, contraíram varíola. Jaime se recuperou, mas Luísa morreu no dia 18.
No Natal de 1713, a rainha Ana adoeceu gravemente e parecia estar morrendo. Ela se recuperou em janeiro de 1714, mas estava claro que ela não viveria muito. Harley, por meio de Torcy e do abade francês François Gautier, manteve contato com Jaime. Bolingbroke também manteve comunicações secretas com ele. Eles tentaram convencê-lo de que a conversão ao protestantismo seria crucial para sua ascensão ao trono. No entanto, Jaime era um católico devoto e respondeu a Torcy: Escolhi o meu próprio caminho, portanto, mudar de ideia é algo para os outros. Em março de 1714, Jaime recusou a conversão, e tanto Harley quanto Bolingbroke, apesar de manterem o contato, chegaram à conclusão de que a ascensão de Jaime ao trono era inviável.
Como resultado, em agosto de 1714, o primo distante de Jaime, Jorge Luís, Eleitor de Hanôver, um protestante alemão, sucedeu Ana como o novo rei do recém-formado Reino da Grã-Bretanha. Jaime o denunciou, dizendo: Vemos uma família estrangeira, um estranho em nosso país, um estranho que nem mesmo fala nossa língua, no trono. Logo após a coroação de George em outubro de 1714, uma agitação generalizada eclodiu nas províncias inglesas.
No ano seguinte, os jacobitas se levantaram na Escócia em apoio a Jaime, com a intenção de colocá-lo no trono. Em 22 de dezembro de 1715, após as derrotas jacobitas em Sheriffmuir (13 de novembro) e Preston, Jaime desembarcou na Escócia. Ele desembarcou em Peterhead e logo adoeceu com febre, que foi agravada pelo clima congelante do inverno escocês. Em janeiro de 1716, ele estabeleceu a corte no Palácio de Scone. Diz-se que uma de suas meias-irmãs, Jane Stuart (uma quacre), veio visitá-lo de Wisbech, Inglaterra. Ao saber que as forças do governo estavam se aproximando, ele partiu de Montrose em 5 de fevereiro para a França. Sua deserção dos rebeldes aliados levou a um mal-estar na Escócia; ele também não foi bem-vindo quando retornou à França, uma vez que seu patrono, Luís XIV, havia morrido em setembro de 1715, e o governo francês, liderado pelo regente Filipe de Orleães, achou sua presença politicamente incômoda.